*José Renato Nalini
Sou profundo admirador de Pedro II.
O magnânimo Imperador foi um dos estadistas mais admirados em todo o planeta.
Chegou a ser votado para a presidência dos Estados Unidos, tamanha a admiração
que sua cultura, seu idealismo pioneiro e sua simpatia causavam.
Não é alguém invulnerável. Há quem o
critique. Leio, por exemplo, que Pedro II foi um egoísta, um doente de vaidade.
Comprazia-se em anular os homens mais eminentes, opondo-se a todas as
iniciativas dos ministros. A vida dos Ministérios era estéril, porque ele não
queria que os estadistas agissem por conta própria. Foi a sua visão estreita,
pessoal, que nos levou à guerra contra o Paraguai, guerra que nos valeu a má
vontade do mundo inteiro, menos pela sua desigualdade do que pelos motivos que
a determinaram.
Quem considera a República um
avanço, e não um golpe, parte da observação de que ela prestou ao Brasil enorme
serviço, afastando-nos da politicagem no Prata, razão de guerras frequentes. A
invasão do Estado Oriental foi um disfarce de conquista. Com a formação da
Cisplatina, milhares de rio-grandenses ali se estabeleceram, levando o seu gado
e os seus haveres. Emancipada a Cisplatina, ficaram eles lá, mas queriam
dominar o país, tornando-se senhores do governo. É essa, como se sabe, a origem
do Partido Colorado, ao qual se opôs o dos Blancos, formado pelos elementos
naturais, de origem castelhana. O mundo teria se indignado com a campanha
sórdida movida contra Solano Lopez.
Seu nome, o de Lopez, começava a ser
citado na França com risco de eclipsar os nomes do Brasil. Liquidado, ficou uma
terra desprovida de lideranças durante bom período.
A desforra demorou, mas veio. Hoje,
o Paraguai recebe inúmeros empreendedores brasileiros. Ali, a tributação é
muito menor e há segurança jurídica, sem a surreal instância quádrupla da
Justiça brasileira. Também não tem os problemas trabalhistas que os empresários
aqui enfrentam. O êxodo já se faz sentir e o Paraguai se reabilitou, sendo hoje
um ambiente confiável. Coisa que a infiltração criminosa e a falta de ética nas
Instituições pátrias constituem estímulo a que nossas empresas se transfiram
para lá. Alguém enxerga no horizonte alguma tendência de reversão desse quadro?
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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