Hospital de Base de São José do Rio Preto atinge a marca de 8 captações de órgãos e 4 corações em 2026
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| Captação de órgãos Hospital de Base (foto/divulgação |
Com uma das maiores taxas de aceitação familiar do Brasil e logística de aviação solidária, a instituição do noroeste paulista consolida-se como referência nacional e supera as médias estaduais e federais de doação.
O Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto, referência em transplantes, já contabiliza 8 captações de órgãos e 4 corações captados até o momento em 2026. Nesta segunda-feira, dia 2 de março, o HB realizou captação de coração, fígado, rins e córneas. Todo esse avanço reforça a atuação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do hospital, que em janeiro já havia realizado a sua terceira captação de coração do ano.
Todo o processo de captação dos órgãos é coordenado pela Organização de Procura de órgãos (OPO) do Hospital de Base, que atua ininterruptamente, 24 horas por dia e 7 dias por semana, com uma equipe dedicada de cinco enfermeiros e um médico coordenador. "Nesses casos de captação multiorgânica, é muito importante a coordenação", explica o Dr. João Fernando Picollo, coordenador da OPO, ressaltando que a equipe gerencia desde o diagnóstico de morte encefálica e a manutenção ideal do doador até o contato com a central de transplantes e a logística de transporte das equipes médicas.
No entanto, a viabilidade de todo o processo logístico e médico esbarra no momento mais crucial e delicado: a entrevista e o consentimento familiar. No Brasil, a doação só ocorre com a autorização da família, exigindo que os profissionais sejam extremamente bem treinados para esclarecer mitos e oferecer apoio durante o luto. O trabalho de excelência reflete nos números: nos 24 hospitais integrados à rede da OPO do HB, o índice de aceitação familiar é de 75%, um dos maiores índices do Brasil. “A família, a despeito desta perda, a despeito do diagnóstico de morte encefálica, conseguiu olhar ao próximo, conseguiu entender que ela poderia ressignificar a perda de uma forma digna”, destaca um dos especialistas envolvidos no processo de captação.
O sucesso dessas operações médicas complexas depende de uma verdadeira corrida contra o relógio, devido ao curto tempo de isquemia (período sem suprimento de oxigênio) dos órgãos. O coração, sendo o órgão mais sensível, suporta apenas cerca de 4 horas fora do corpo, enquanto o fígado resiste por até 8 horas e os rins chegam a até 24 horas. Para garantir que os órgãos cheguem a tempo aos hospitais receptores, o HB conta com o apoio estratégico do programa TransplantAR, uma iniciativa de aviação solidária homologada pelo Governo do Estado de São Paulo. Por meio desse projeto, empresários cedem horas de voo em jatos particulares, permitindo o transporte rápido e seguro para salvar pacientes graves.
"O que a gente tem que levar de mensagem para as pessoas é que acreditem que o Sistema Nacional de Transplantes no Brasil funciona, é eficiente, é correto e respeita rigorosamente a lista de espera. Toda essa engrenagem, que é o maior sistema público de transplantes do mundo, só acontece porque uma família, a despeito de uma perda dramática e do diagnóstico de morte encefálica, conseguiu olhar ao próximo e ressignificar a perda de forma digna. As pessoas têm que se conscientizar e entender que a doação é um genuíno ato de amor ao próximo", ressalta o Dr. Ronaldo Honorato Barros Santos - Cirurgião transplantador e cirurgião cardiovascular (InCor SP).
O Dr. Picollo reforça o impacto de cada "sim", lembrando que um único doador falecido pode beneficiar até 8 pessoas com órgãos essenciais (coração, pulmões, fígado, pâncreas e rins) e melhorar a qualidade de vida de mais de 50 pessoas com a doação de tecidos (córneas, pele, ossos, entre outros).
Como resultado de um trabalho de mais de 10 anos que capacitou mais de 700 profissionais em mais de 140 municípios, a região noroeste paulista alcançou a extraordinária marca de 46 doadores por milhão de pessoas (pmp). Esse índice representa mais que o dobro da média do Estado de São Paulo (22 pmp) e do país (20 pmp).
Os profissionais da área reiteram que o Sistema Nacional de Transplantes do Brasil é o maior sistema público do mundo, operando com total transparência e respeito rigoroso à lista de espera dos receptores, sem qualquer tipo de favorecimento. Para que o sistema continue operando e salvando cada vez mais pessoas, a conscientização de que a doação é "um genuíno ato de amor ao próximo" continua sendo a principal mensagem a ser levada à sociedade.

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