*José Renato Nalini
O STF hoje é assunto do momento. Se
há poucas décadas, a molecada brasileira sabia escalar a “Seleção Canarinho”,
hoje não conhece os jogadores de futebol. Grande parte deles jogando em time estrangeiro.
Mas sabe “escalar” os onze do STF. Nem sempre com o mesmo carinho com que os
“craques” eram referidos.
No “Diário Secreto” de Humberto de
Campos, ele menciona um caso que lhe foi narrado por Leal de Sousa, para
ilustrar a falta de compostura dos homens respeitáveis da República. O Ministro
Enéas Galvão, do STF, que falecera havia três meses – estamos em 25 de junho de
1917 – andava a perseguir, com intuitos amoráveis tardios, uma senhora separada
do marido.
Leal encontrou-se casualmente com essa
senhora na rua e, como já se conheciam, acompanhou-a ao cinema da tarde.
Instantes depois, senta-se na mesma fila e ao lado da dupla, o ministro
galanteador. Quando se apagaram as luzes, Leal de Sousa percebeu que o velho
magistrado procurava o braço da senhora, para acariciá-la. Ela retirou o braço
do alcance do atrevido. Não satisfeito, Enéas Galvão pediu a Leal o favor de
trocar o assento com ele. Leal de Sousa, indignado, voltou-se para o “Dom Juan”
e, no silêncio da sala de projeção, falou bem alto: - “Senhor Ministro Enéas
Galvão: esta senhora é sua mulher?”. E ele respondeu: - “Não!”. “É sua irmã?” –
“Não senhor”. – “Por acaso é parenta sua?” – “Não!”. Agora, com voz já sumida.
– “E como é que o senhor quer por força e contra a vontade dela, sentar-se ao
seu lado?”.
Esta última pergunta não teve
resposta. O inconveniente saiu tropeçando e deixou o alvo de sua “conquista” em
paz.
Era alguma coisa do que se podia
dizer dos Ministros do STF no início do século XX, pouco tempo depois de
instaurada a República. Mudaram os tempos, mudaram os integrantes do “Pretório
Excelso” e também houve mudança nos comentários que a sociedade tece a respeito
deles, dos quais parece nada constar em relação a “casos” amorosos.
O que é pior? O que se falava em 1917
ou o que se fala em 2025, a respeito de personagens tão importantes para a vida
institucional tupiniquim?
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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