Embrapa Solos recebe o Prêmio Johanna Döbereiner 2025

 

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Daniel Vidal Pérez (ao centro), chefe-geral da Embrapa Solos, recebeu o prêmio em solenidade no Píer Mauá, Zona Portuária do Rio, na quinta-feira (19). Foto: Fernando Gregio

A Embrapa Solos foi agraciada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) com o Prêmio Johanna Döbereiner 2025, na categoria pessoa jurídica. Já o agrônomo José Carlos Polidoro, que é pesquisador da unidade e atualmente exerce função no Ministério da Agricultura e Pecuária, foi contemplado na categoria pessoa física. Os prêmios foram entregues nesta quinta-feira (19/03), durante o evento Crea Aqui, no Píer Mauá, Zona Portuária do Rio.


A tradicional premiação é promovida pelo Crea-RJ desde 2001, com o objetivo de reconhecer e celebrar ​​personalidades, instituições e entidades que se destacaram por suas contribuições na área da Agronomia e que demonstraram excelência em suas posições, ações, trabalhos, estudos e projetos, promovendo o avanço e o desenvolvimento da área. Outros cinco cientistas ligados à Embrapa Solos já tinham recebido a premiação: Paulo Augusto da Eira (2023), Pedro Luiz de Freitas (2022), Humberto dos Santos (2015), Antonio Ramalho Filho (2006) e Doracy Pessoa Ramos (2001).


Daniel Vidal Pérez, chefe geral da Embrapa Solos, comemorou a premiação recebida pelo centro de pesquisa. “É um marco que celebra a solidez de uma trajetória dedicada à Ciência do Solo no Brasil. Receber o prêmio que carrega o nome de Johanna Döbereiner, nossa colega de trajetória na Embrapa e pioneira que revolucionou a agricultura mundial com a Fixação Biológica de Nitrogênio, torna este momento ainda mais simbólico”, disse o pesquisador.


Pérez lembrou que a Embrapa Solos, que completou 50 anos de criação em maio de 2025, é herdeira de uma tradição científica que remonta ao Instituto de Química Agrícola (IQA), fundado em 1918, e à Comissão de Solos de 1947. “Em 1975, consolidamos nossa missão como Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos, instalados na icônica Rua Jardim Botânico, 1024, no Rio de Janeiro. Desde o início, nosso propósito foi claro: desmistificar a crença na inesgotável fertilidade natural da terra e fornecer as bases científicas para o desenvolvimento agrícola do Brasil”, salientou.


Em cinco décadas de atuação, a unidade e uma grande rede de parceiros lideraram e participaram de projetos que desbravaram o País para expandir o conhecimento dos solos brasileiros, além de aprimorar metodologias e aperfeiçoar a execução dos levantamentos de solos em diferentes níveis e escalas – saiba mais sobre essa história no quadro abaixo.


Trajetória de José Carlos Polidoro 


José Carlos Polidoro é graduado em Agronomia (1994) e mestre em Microbiologia Agrícola (1997) pela Universidade Federal de Viçosa e doutor em Agronomia, na área de Ciências do Solo, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2001), onde também realizou pós-doutorado em Produção Vegetal. Ingressou na Embrapa Solos em 2005 para atuar na área de fertilidade do solo e adubação. Foi Chefe Geral (2018 a 2019) e Chefe de P&D (2015 a 2017) do centro de pesquisa, além de secretário executivo do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) e coordenador-geral de Estudos em Desenvolvimento Econômico e Social da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.


Ao celebrar o prêmio Johanna Döbereirer, Polidoro fez uma reflexão sobre sua trajetória. “Num momento especial como esse, vemos que a fórmula deu certo. E minha fórmula, da qual não abro mão, é a de crescer com as pessoas, e não por meio delas. E crescer com as pessoas dá muito orgulho, por que isso constrói um alicerce que é muito difícil de ser abalado com as intempéries. Por isso escolhi ser cientista a serviço da política, pois tenho uma rede que fui construindo ao longo da minha carreira, de pessoas que me formaram e influenciaram. Em especial Johanna Döbereiner, que foi uma virada em minha vida, quando eu comecei a me tornar um cientista de verdade. Um dos últimos projetos de doutorado que ela corrigiu na carreira dela foi o meu, e ela me mostrou a importância do meu trabalho”, revelou.


Atualmente, Polidoro é secretário-executivo do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas e do Programa de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial Sustentável do Matopiba, no Ministério da Agricultura e Pecuária, além de ser responsável pelas ações do Plano Nacional de Fertilizantes junto ao Confert.


História da Embrapa Solos


A trajetória da Embrapa Solos se entrelaça com a história da Ciência do Solo antes mesmo da sua criação. No prédio histórico que abriga sua sede, na Rua Jardim Botânico, funcionava o Instituto de Química, fundado em 1918 e rebatizado como Instituto de Química Agrícola (IQA) em 1934, que seria o pioneiro no Brasil na pesquisa de solos. Lá foi criada em 1947 a Comissão de Solos, que deu início aos primeiros levantamentos no País. No mesmo ano, foi fundada no local a Sociedade Brasileira de Ciência de Solo (SBCS), atualmente sediada em Viçosa (MG).


   >> Navegue pela linha do tempo da Embrapa Solos


O ano de 1962 marcou a extinção do IQA e a criação da Divisão de Pedologia e Fertilidade do Solo, vinculada ao Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária (DNPEA), que continuou o trabalho que vinha sendo realizado na Comissão de Solos. A Divisão seria transformada, em 28 de maio de 1975, no Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos (SNLCS), já vinculado à Embrapa. Nascia a Embrapa Solos.


Em 1993 foi criado o Centro Nacional de Pesquisa dos Solos (CNPS), a nova nomenclatura da Embrapa Solos, que deu lugar ao SNLCS e passou a integrar a estrutura da empresa como centro temático com atuação nacional, com foco em pesquisa e desenvolvimento em pedologia, meio ambiente e uso do solo, integrando várias disciplinas.


Com a criação do CNPS, todas as coordenadorias regionais do SNLCS foram extintas e absorvidas por unidades mais próximas, com exceção da do Nordeste, hoje denominada Unidade de Execução de Pesquisa de Recife (UEP Recife). Vinculada à Embrapa Solos, ela atende a demandas regionais, englobando levantamentos de solos e suas aplicações, a exemplo de zoneamentos agroecológicos regionais e estaduais, destacando-se o tema da convivência produtiva com a seca. 


Sobre Johanna Döbereiner, inspiração do prêmio do CREA-RJ


Nascida na Tchecoslováquia, a pesquisadora Johanna Liesbeth Kubelka Döbereiner (1924-2000) veio para o Brasil em 1951, após se formar em Agronomia pela Universidade de Munique, na Alemanha. Tornou-se cidadã brasileira em 1956 e completou sua pós-graduação na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, em 1963.


De 1963 a 1969, quando poucos cientistas acreditavam que a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) poderia competir com fertilizantes minerais, ela deu início a pesquisas sobre os aspectos limitantes da FBN em plantas tropicais. Desde então, a maioria das pesquisas nessa área é influenciada por suas descobertas. 


A FBN possibilita a substituição de adubos químicos nitrogenados, oferecendo, assim, vantagens econômicas, sociais e ambientais para o produtor, para o consumidor e para o meio ambiente.


Em 1997, Johanna Döbereiner foi indicada para o Prêmio Nobel de Química, além de ter recebido diversos outros prêmios e distinções, tanto em nível nacional como internacional. Atuou por muitos anos na Embrapa Agrobiologia e orientou dezenas de bolsistas, deixando um legado inestimável para a ciência.

Fernando Gregio - fernando.gregio@embrapa.br

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