Crianças e adolescentes com câncer tratados no Brasil passam a integrar programa global do principal centro oncológico do mundo



O serviço de oncologia pediátrica do Santa Marcelina Saúde, em parceria com a TUCCA, torna-se a primeira instituição colaboradora do SNF Global Pediatric Cancer Program, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK);

Vinte e cinco anos após iniciar o atendimento a crianças e adolescentes com câncer na Zona Leste de São Paulo, a parceria entre o Santa Marcelina Saúde – Unidade Itaquera e a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) foi selecionada para integrar o SNF Global Pediatric Cancer Program at MSK Kids, um programa global do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), com apoio financeiro da Stavros Niarchos Foundation (SNF).

O MSK, sediado em Nova York e classificado pela Newsweek como o melhor hospital oncológico do mundo, trabalhará com centros de oncologia pediátrica em todo o mundo — e o serviço de oncologia pediátrica do Santa Marcelina | TUCCA foi o primeiro selecionado na América Latina.

“Essa colaboração reafirma a missão do Santa Marcelina Saúde de oferecer medicina de alta complexidade com equidade dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Ser reconhecido por um centro como o MSK mostra que é possível entregar excelência internacional enquanto cuidamos, todos os dias, de quem mais precisa”, afirma a irmã Rosane Ghedin, presidente do Santa Marcelina Saúde.

“A sustentabilidade começa com a formação e o fortalecimento dos profissionais locais”, afirma Andrew Kung, MD, PhD, chefe do Departamento de Pediatria do Memorial Sloan Kettering Cancer Center. “Ao fortalecer a expertise dentro de sistemas como o SUS e promover uma verdadeira troca bidirecional de conhecimento — em que a experiência local informa padrões globais e os avanços globais melhoram o cuidado na ponta — podemos construir capacidade duradoura e melhores resultados para as crianças. Dada a importância da América Latina no cenário global do câncer infantil, isso representa um avanço cuidadoso e orientado por dados.”

São Paulo como hub latino-americano

A integração ao programa posiciona São Paulo — especialmente a Zona Leste — e o Santa Marcelina Saúde como um centro regional de apoio em oncologia pediátrica, com potencial para colaborar com outros serviços na América Latina, especialmente aqueles vinculados a sistemas públicos de saúde.

O programa foi concebido para que instituições colaboradoras ampliem seu impacto para países vizinhos de baixa e média renda. “Não somos parceiros locais. Somos hub regiona”, afirma Epelman. “São Paulo se torna, oficialmente, referência continental em oncologia pediátrica”

O primeiro evento educacional regional será o Simpósio Internacional de Oncologia Pediátrica, a ser organizado em março de 2026 por MSK, Santa Marcelina Saúde e TUCCA, com apoio do SNF Global Pediatric Cancer Program, da Faculdade Santa Marcelina (FASM) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE).

Santa Marcelina Saúde, em parceria com a TUCCA, trata mais de 400 crianças e adolescentes com câncer por ano, sem custo direto para os pacientes, por meio de um modelo que complementa o financiamento do SUS com recursos próprios da TUCCA.

Desde 2001, a instituição atua dentro da unidade hospitalar do Santa Marcelina em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, garantindo cuidado integral a pacientes de diferentes regiões do estado e de outras áreas do Brasil e da América Latina. Todo o tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e complementado por doações que garantem acesso à excelência multidisciplinar e ao cuidado integral ao longo de toda a jornada do paciente, incluindo medicamentos de alto custo e análises moleculares.

Integração com especialistas de Nova York para pacientes do SUS

A colaboração não é simbólica; ela traz impacto clínico direto e imediato. O centro brasileiro de oncologia pediátrica poderá submeter casos de pacientes para revisão formal por especialistas do MSK. Isso significa que casos complexos de câncer infantil serão discutidos entre alguns dos melhores centros oncológicos do mundo.

“Em situações complexas - tumores raros, recidivas, casos que não respondem a tratamentos convencionais -, discutir o caso com especialistas do MSK pode mudar completamente a estratégia terapêutica”, explica Epelman. “Não é uma teleconsulta genérica. É uma troca entre pares de altíssimo nível científico sobre decisões que podem salvar vidas.”

Além disso, Santa Marcelina Saúde | TUCCA terá acesso a exames avançados de diagnóstico molecular que não estão disponíveis no Brasil, como MSK-IMPACT, MSK-Fusion, testes de methylation array e sequenciamento de genoma completo.

“Quando você identifica a biologia exata do tumor através de testes moleculares, pode adotar estratégias terapêuticas com precisão. Isso abre possibilidades que antes eram impossíveis”, afirma o oncologista.

A colaboração também inclui educação médica continuada. Profissionais do Santa Marcelina Saúde e da TUCCA terão acesso remoto às pediatric Grand Rounds do MSK, participarão de Global Tumor Boards conduzidos conjuntamente e poderão realizar observerships em Nova York, com custos cobertos pelo programa.

“A formação não é um benefício, é a garantia de que o padrão MSK chegue ao nosso paciente. Nossa equipe se atualiza em tempo real com o que há de mais avançado no mundo”, diz Epelman.

A colaboração também prevê o desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos, com mentoria metodológica do MSK e possibilidade futura de participação em ensaios clínicos internacionais.

Da periferia aos padrões internacionais

Quando fundou a TUCCA em 1998, ao lado da esposa, a psicanalista Claudia Epelman, o Dr. Sidnei Epelman havia retornado de experiências em centros de referência como o MD Anderson Cancer Center, a Mayo Clinic, o St. Jude Children’s Research Hospital e o National Cancer Institute, nos Estados Unidos.

Ali, aprendeu com mentores como Norman Jaffe, que lhe ensinou que “os médicos deveriam enxergar a criança e a família como um todo, não apenas a doença”. Essa filosofia moldou o modelo da TUCCA.

A escolha de atuar na Zona Leste de São Paulo foi estratégica. “Desde o início, a ideia era dar acesso ao diagnóstico e tratamento a quem mais precisa e a quem mora longe dos grandes centros, concentrados nas zonas central, oeste e sul”, recorda.

O modelo híbrido desenvolvido entre Santa Marcelina Saúde e TUCCA — garantindo atendimento pelo SUS e complementado com recursos captados por meio de doações, leis de incentivo e múltiplas iniciativas e projetos “pela cura” — permite que crianças e adolescentes de famílias vulneráveis recebam o mesmo padrão de cuidado disponível em hospitais privados de elite.

Além do tratamento oncológico, a instituição oferece uma equipe multidisciplinar completa, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, dentistas, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Também garante o transporte dos pacientes como um serviço essencial, fundamental para o acesso contínuo ao cuidado e para a adesão ao tratamento, com foco em toda a jornada.

“Nosso compromisso sempre foi garantir que crianças e adolescentes atendidos pelo SUS tenham acesso não apenas ao tratamento, mas ao melhor cuidado possível (técnico, humano e integral). Essa colaboração amplia horizontes, fortalece nossa equipe e impacta diretamente a vida das famílias que confiam em nós”, acrescenta a irmã Rosane Ghedin.

Em 2013, a TUCCA inaugurou o primeiro hospice pediátrico do Brasil, o TUCCA Hospice Francesco Leonardo Beira, onde pacientes de 0 a 19 anos sem possibilidade de cura recebem cuidados paliativos integrados desde o diagnóstico. Em 2018, a instituição abriu o primeiro Laboratório de Patologia Molecular dedicado a crianças com câncer sem acesso à medicina de precisão, atendendo múltiplas instituições no Brasil e na América Latina.

“Tratar crianças e adolescentes com câncer exige um olhar atento tanto para aqueles que poderão se curar quanto para os que não terão essa possibilidade. Para além da estrutura hospitalar, há várias frentes que promovem o cuidado integral. Quando não há mais possibilidade de cura, o hospice oferece conforto e todo o suporte necessário neste momento tão delicado e apoio para a família se reerguer”, observa Epelman.

Diagnóstico precoce: o elo que falta

Apesar dos avanços no tratamento, Epelman é enfático: a maior barreira para aumentar as taxas de cura no Brasil não é a tecnologia, mas o diagnóstico tardio e a dificuldade de acesso a centros altamente especializados.

“Eu tenho um olhar bem próprio sobre isso. Ter diagnóstico precoce é importante, sim, mas ter diagnóstico precoce e não ter onde ser atendido corretamente não adianta. É necessário ser assertivo e encaminhar rapidamente para um hospital que tenha condições de fazer todos os exames - histológico, molecular, genético, de imagem - e assegurar o direcionamento das terapias mais adequadas para cada caso.”

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 7.930 novos casos de câncer infantojuvenil são diagnosticados a cada ano no Brasil, e as taxas de cura podem chegar a 80% quando há diagnóstico precoce e tratamento adequado. O problema é que muitos casos chegam tarde demais aos centros especializados.

Por isso, a TUCCA também lidera campanhas educativas sobre sinais de alerta. “Fechamos o ciclo: educamos para diagnóstico precoce e tratamos sem custos ao paciente, dentro do SUS, com padrão MSK”, resume Epelman.

“A cura já chegou — mas não para todos”

Homenageado em 2025 no congresso da SOBOPE por quatro décadas de contribuição à oncologia pediátrica, Epelman é direto quando perguntado sobre quando a cura do câncer infantil chegará:

“Já chegou. Ou melhor, já chegaram, porque hoje há várias terapias eficazes. O problema é que elas não chegaram a todos.”

Ele explica que, com acesso ao diagnóstico correto e ao tratamento adequado — que hoje inclui não apenas quimioterapia, mas também terapias-alvo, anticorpos monoclonais e, em casos selecionados, imunoterapias e terapia celular CAR-T — as chances de cura são extremamente altas.

“Hoje é possível curar quase a totalidade dos pacientes. A grande maioria não precisará de ferramentas como CAR-T. Mas são essas terapias que dão esperança aos cerca de 20% que não se curam com tratamentos convencionais.”

A colaboração com o MSK amplia significativamente o arsenal para casos difíceis.

“Quando discutimos a estratégia de cuidado de um paciente com o MSK, não estamos pedindo ajuda. Estamos fazendo ciência colaborativa no mais alto nível. Isso pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, reforça Epelman.

Um legado baseado na equidade

Epelman perdeu sua esposa, Dra. Claudia, em 2020. Ela foi cofundadora da TUCCA e responsável pela visão de cuidado humanizado que permeia a instituição.

“Meus filhos sempre dizem que tivemos um terceiro filho chamado TUCCA. Quem visita nossos projetos verá muito do DNA da Claudia — esse foco no acolhimento e nas necessidades reais dos pacientes e das famílias”, diz.

Sobre o legado que espera deixar, ele é claro: quase três décadas depois, seu objetivo continua sendo exercer a medicina para o maior número possível de pessoas.

“Foi por isso que direcionei minha vida dessa forma. Assim como meu mentor, Dr. Jaffe, dizia que queria que seus alunos pensassem melhor do que ele pensava, e não como ele pensava, espero que as próximas gerações sejam ainda mais inquietas. Porque é um privilégio curar uma criança com câncer, e precisamos trabalhar para que a cura chegue a todas elas.”

Para o fundador da TUCCA, a parceria com o Santa Marcelina Saúde e a colaboração com o SNF Global Pediatric Cancer Program | MSK Kids materializam mais um marco: unir conhecimento de padrão internacional com medicina de ponta que já chega a quem mais precisa, na periferia de uma das maiores cidades do mundo.

“Cada paciente é único. E precisamos garantir que as terapias que oferecemos hoje sejam ainda mais precisas e melhores do que as de ontem”, conclui Sidnei Epelman.

TUCCA EM NÚMEROS

📊 25 anos de parceria com o Santa Marcelina Saúde no tratamento do câncer infantojuvenil
📊 Mais de 400 crianças e adolescentes tratados por ano em parceria com o Santa Marcelina Saúde
📊 6.000 crianças e adolescentes atendidos em parceria com o Santa Marcelina Saúde, com taxas de cura comparáveis às de centros de referência especializados no mundo
📊 2013: primeiro hospice pediátrico do Brasil
📊 2018: primeiro Laboratório de Patologia Molecular dedicado a crianças e adolescentes vulneráveis
📊 Santa Marcelina Saúde | TUCCA: único centro especializado brasileiro e latino-americano no SNF Global Program | MSK Kids


Sobre a TUCCA

Fundada em 1998 pelo oncologista pediátrico Sidnei Epelman e pela psicanalista Claudia Epelman (in memoriam), a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolveu um modelo pioneiro de parceria público-privada na oncologia pediátrica que atende pacientes do Brasil e da América Latina. 

Em parceria com o Santa Marcelina Saúde - hospital de alta complexidade na Zona Leste de São Paulo -, mantém o primeiro e único serviço dedicado ao tratamento do câncer infantojuvenil da região, oferecendo tratamento integral baseado em diagnóstico rápido e preciso, terapias de ponta, equipe altamente qualificada e medicamentos de alto custo. Todo o tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) complementado com doações que garantem acesso a atendimento multidisciplinar de excelência e a toda a assistência necessária ao longo do tratamento.

A estrutura abrange desde o atendimento ambulatorial, para infusões e consultas, até toda a infraestrutura de internação, garantindo suporte completo a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A assistência vai além do cuidado médico e inclui suporte social e emocional por meio de uma equipe multidisciplinar que acompanha os pacientes e suas famílias durante toda a jornada.

Entre os diferenciais estão o Centro de Atenção Integrada à Criança com Retinoblastoma, referência nacional no tratamento da doença, um Laboratório de Patologia Molecular (o primeiro para pacientes SUS em São Paulo, que beneficia pessoas de todo o Brasil e da América Latina desde 2018), o primeiro hospice pediátrico do país, inaugurado em 2013, e transporte gratuito para eliminar barreiras de acesso ao tratamento. Esse olhar humanizado tem resultado em índices de cura de 80%, taxa comparável à dos principais centros de referência em oncopediatria da Europa e dos Estados Unidos.

Ao longo de mais de 25 anos, a parceria com o Santa Marcelina Saúde já beneficiou aproximadamente 6 mil crianças e jovens, provando que é possível democratizar a excelência oncológica quando há sinergia entre capacidade instalada e investimento estratégico por meio da filantropia. Toda essa estrutura é integralmente mantida por doações, patrocínios e eventos beneficentes, reforçando o compromisso da TUCCA com a saúde, a vida e a dignidade de seus pacientes.

Para apoiar ou saber mais: www.tucca.org.br 


Sobre o Santa Marcelina Saúde

O Hospital Santa Marcelina é uma instituição filantrópica de referência, reconhecida pela qualidade assistencial e pelo atendimento humanizado. Atua de forma relevante no Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo serviços de média e alta complexidade e contribuindo para a formação de profissionais da saúde. Com estrutura qualificada e compromisso social, destaca-se pela excelência, ética e cuidado com a vida.


Sobre o Memorial Sloan Kettering

As pessoas do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK) são unidas por um propósito único: encontrar a cura para o câncer. Nossas equipes especializadas de atendimento oferecem cuidados personalizados, compassivos e de excelência a pacientes de todas as idades.

Guiados pelas pesquisas básicas realizadas no Sloan Kettering Institute, cientistas de todo o MSK colaboram em pesquisas translacionais e clínicas inovadoras, que estão impulsionando uma revolução na forma como compreendemos o câncer como doença e ampliando nossa capacidade de preveni-lo, diagnosticá-lo e tratá-lo.

O MSK também se dedica à formação da próxima geração de cientistas e médicos, que seguem adiante com essa missão no próprio MSK e em instituições ao redor do mundo.

Considerado um dos centros mais respeitados do mundo dedicados exclusivamente ao câncer, o MSK foi reconhecido como um dos dois melhores hospitais oncológicos dos Estados Unidos pelo U.S. News & World Report por mais de 30 anos.

www.mskcc.org

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