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Capuchinhos se desculpam por ‘equívoco’ em pregação de padre que destratou mulher por achar que ela é bolsonarista

 

Frei Iduino Poubel de Moraes, OFMCap na missa na igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima, pertencente à Paróquia Santa Cruz, em Duque de Caxias (RJ) em 1º de março. ??

Frei Iduino Poubel de Moraes, OFMCap na missa na igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima, pertencente àParóque de Caxias (RJ) em 1º de março. | Crédito: Facebook Paróquia Santa Cruz.

A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – Província Nossa Senhora dos Anjos (RJ/ES), e a diocese de Duque de Caxias (RJ), disseram em nota que “houve um equívoco” na homilia que o frei Iduino Poubel de Moraes, OFMCap, fez na missa do último domingo (15) na igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima, pertencente à Paróquia Santa Cruz, em Duque de Caxias (RJ), onde o frade é vigário. Ele acusou uma fiel de ser bolsonarista e disse que ela “só pode estar com o capeta”. Na nota, a ordem pede desculpas pelo ocorrido.

“Reconhecemos que, durante a referida homilia, houve um equívoco na condução da pregação, tanto em sua finalidade quanto em seu conteúdo e na forma de interação com um membro da assembleia, distanciando-se do espírito de comunhão que deve marcar a vida da Igreja”, diz a nota publicada pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – Província Nossa Senhora dos Anjos (RJ/ES), assinada pelo frei Dalvio José da Silva, OFMCap., em comunhão com a diocese de Duque de Caxias.

“Por isso, pedimos desculpas pelo ocorrido”, continua a nota. “A Igreja é chamada a ser sinal de unidade, comunhão e reconciliação”.

“Reafirmamos que a missão evangelizadora não se confunde com posicionamentos partidários, mas se fundamenta no anúncio do Evangelho e na formação da consciência dos fiéis à luz dos valores cristãos”, diz.

A nota cita uma fala do papa Leão XIV na Conferência Nacional da Juventude Católica dos EUA para afirmar que a missão da Igreja não se confunde com posicionamentos partidários, mas se fundamenta no anúncio do Evangelho e na formação da consciência dos fiéis.

“Reiteramos nossa disposição em continuar servindo ao povo de Deus com humildade e fidelidade ao Evangelho, buscando sempre que nossas palavras e atitudes sejam coerentes com Aquele que nos chama à comunhão e à paz”, conclui.

O caso

 Na homilia referida, frei Iduíno falava sobre desigualdade social, qualidade de vida nos países europeus e empatia com o próximo. Enquanto falava, ele percebeu a reação de uma mulher que estava nos bancos participando da missa e passou a se dirigir diretamente a ela: “Tem gente que está fazendo carinha assim de não. Mas é assim, viu? Eu não imagino uma pessoa ser contra o padre falando na missa. Ou você pensa que eu não estou percebendo o seu ‘não, não’?”

Ele supôs que a mulher apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro e disse: “Vai puxar o saco lá do Bolsonaro, menina, vai lá. Meu Deus do Céu, como pode uma coisa dessa? A pessoa ser a favor de uma pessoa que só quis matar todo mundo? E se diz cristão que segue Jesus”.

Depois, ele continuou comentando a atitude da fiel alegando que ela seria contrária aos ensinamentos de Jesus: “Se você não quer amar a Jesus Cristo que veio para os pobres, Ele disse: eu vim para outros tenham vida e vida em abundância. Foi Jesus que disse, não fui eu. Jesus disse que tudo o que fizeres a um desses pequeninos, estarão fazendo a mim. Viu? Preste bem atenção nessas palavras”, continuou ele.

 “Será que segue a Jesus? Será que segue a Jesus? Ele que é a favor dos órfãos e das viúvas. Ele que é a favor dos mais desprovidos da sociedade. Como pode ter uma imaginação dessa, uma cabeça dessa?”, questionou.

“Só pode estar com o capeta”, disse o padre. “É o inimigo que está fazendo isso. Então, busquemos ver os irmãos e irmãs com os olhos de Nosso Senhor, com os olhos da misericórdia, do perdão, da justiça, da solidariedade",

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