Por Dr. Diogo Rosa (CRM: 798959 RJ), oncologista clínico especialista em câncer urológico
O câncer de próstata, tumor mais comum entre os homens (excluindo os de pele não-melanoma), com mais de 70 mil novos casos esperados entre 2023 e 20251, apresenta um cenário complexo e desafiador. Embora seja uma doença curável quando diagnosticada precocemente, a personalização do tratamento é um fator essencial para garantir eficácia, preservar a qualidade de vida e maximizar as chances de sucesso. Em um cenário de avanços terapêuticos sem precedentes, a individualização do tratamento emerge não apenas como um ideal médico, mas como um fator fundamental para a qualidade de vida do paciente.
O câncer de próstata, apesar de muitas vezes ter a progressão lenta e indolente, oferece uma janela única para a “cronificação” da doença. Não se trata apenas de estender a vida, mas de vivê-la com dignidade e qualidade. Evitar que um paciente desenvolva metástases, significa prolongar sua qualidade de vida, permitindo-lhe desfrutar de momentos preciosos e de mais conforto e bem-estar. Mas também se traduz em ganhos significativos para o sistema de saúde como um todo.
Além disso, ao minimizar efeitos colaterais severos, gerenciar eventuais comorbidades de forma mais eficaz e, principalmente, reduzir as taxas de recidiva e a progressão da doença, observa-se uma diminuição na necessidade de internações hospitalares e de intervenções de alta complexidade. Essa abordagem estratégica não só otimiza o uso de recursos, mas também contribui diretamente para a sustentabilidade do segmento, transformando o que poderia ser um custo imediato mais elevado em um investimento que gera economia a longo prazo e melhora a eficiência global da assistência da saúde.
Do ponto de vista do tratamento, é preciso saber que a personalização vai muito além da escolha de uma molécula inovadora. Ela considera o paciente em sua totalidade: sua idade, suas comorbidades (muitas vezes, pacientes com câncer de próstata são idosos e já possuem outras condições, como doenças cardiovasculares), suas preferências e seu estilo de vida.
Hoje, o arsenal terapêutico para o câncer de próstata é vasto e é preciso olhar para todas as opções com critério e cuidado. Não aplicar protocolos genéricos de tratamento, mas considerando o perfil específico dos pacientes e as características do seu tumor a cada escolha. Nesse sentido, é importante que todos os atores envolvidos no tratamento oncológico tenham conhecimento e acesso às opções terapêuticas disponíveis no Brasil para que a melhor estratégia de tratamento seja direcionada de acordo com o perfil do paciente.
A falta de personalização também pode ter consequências significativas para o paciente. Por exemplo, algumas drogas, embora eficazes, podem aumentar o risco de insuficiência cardíaca em pacientes já predispostos. Ignorar essas nuances pode agravar comorbidades, levando a mais internações, intervenções e um impacto negativo substancial no conforto e bem-estar. Por um outro lado, um paciente que pode interromper o tratamento por um período porque seu PSA (marcador usado para rastrear o câncer de próstata) zerou, ou que consegue manter sua atividade sexual com terapias mais direcionadas, é um paciente que vive melhor e com menos sofrimento.
Portanto, conduzir a jornada do câncer de próstata com uma abordagem eficaz e genuinamente centrada no paciente exige a individualização do tratamento. Para que isso se torne realidade, é essencial garantir o acesso às opções terapêuticas disponíveis e à informação de qualidade. Só assim será possível transformar cada diagnóstico em uma oportunidade concreta de promover mais qualidade de vida e bem-estar para milhares de pacientes.
Referências:
1- Instituto Nacional do Câncer. Disponível em: https:/www.gov.br/inca
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