Presidido pelo MIDR, Comitê Gestor da CPR-Furnas liberou os recursos para aumentar a profundidade do canal de navegação, reduzindo o risco de interrupções causadas pela diminuição do nível da água
Brasília (DF) – O Comitê Gestor da CPR-Furnas, presidido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), autorizou, nesta terça-feira (17), o repasse de recursos ao Governo do Estado de São Paulo para a conclusão das obras de derrocamento do canal de navegação de Nova Avanhandava, no Rio Tietê. A decisão foi tomada em reunião extraordinária do colegiado, sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH/MIDR).
"Esta é uma obra importantíssima para o País, que vai ampliar a eficiência no transporte de carga, favorecer a operação das usinas hidrelétricas e reduzir o conflito entre geração de energia e transporte fluvial na hidrovia Tietê-Paraná, beneficiando 5 estados brasileiros", destacou o titular da SNSH, Giuseppe Vieira.
As intervenções têm como objetivo aumentar a profundidade do canal de navegação, reduzindo o risco de interrupções causadas pela diminuição do nível da água e fortalecendo a segurança operacional da hidrovia Tietê-Paraná. Com investimento total de aproximadamente R$ 293,8 milhões, as obras incluem a remoção de 553,5 mil metros cúbicos de rocha, além da implantação de atracadouros de espera para otimizar a operação de comboios nas proximidades das eclusas.
Logística, energia e desenvolvimento regional
O canal de Nova Avanhandava possui importância estratégica para o escoamento da produção agrícola, como cana-de-açúcar, soja e milho, da região noroeste paulista e de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, com destino ao Porto de Santos. A obra também contribui para a melhoria da operação integrada das usinas hidrelétricas de Nova Avanhandava, Três Irmãos e Ilha Solteira, ampliando a flexibilidade entre geração de energia e transporte hidroviário.
Além dos benefícios logísticos, o derrocamento do pedral favorece o Sistema Interligado Nacional (SIN), ao permitir o uso mais eficiente dos recursos hídricos armazenados nas usinas da região, sem prejuízo à navegabilidade. Com isso, há maior preservação dos reservatórios das bacias dos rios Grande e Paranaíba, como Furnas e Itumbiara, garantindo ganhos para o setor elétrico e para os usos múltiplos da água.
Investimentos da CPR-Furnas
Os recursos utilizados para a conclusão das obras são oriundos da Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos na área de influência dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Furnas. Ao longo dos próximos dez anos, o programa destinará cerca de R$ 2,3 bilhões para ações voltadas à ampliação da disponibilidade hídrica nas bacias dos rios Grande, Paranaíba, Tietê e Paraná, beneficiando o Distrito Federal e os estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Em 2021 e 2022, a navegação de longa distância na hidrovia Tietê-Paraná chegou a ser suspensa em razão dos baixos níveis de armazenamento na cascata do rio Paraná. Com a retomada das obras remanescentes, a expectativa é de conclusão do empreendimento ainda em 2026, com impactos positivos tanto para o setor elétrico quanto para os usuários da hidrovia.
A estimativa é de que a ampliação do canal possibilite, anualmente, uma geração adicional superior a 450 megawatts médios por um período de seis meses, o que representa cerca de 1,4% da capacidade máxima de armazenamento de energia do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, gerando um impacto positivo estimado em R$ 300 milhões para os consumidores de energia elétrica.

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