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Associação feminista entra com ação contra parlamentar que se identifica como mulher por postagem ofensiva

 

Erika Hilton   no dia em que foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. | Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados


A associação feminista Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil (Matria) entrou com uma Ação Civil Pública contra Erika Hilton, parlamentar do PSOL por São Paulo que se identifica como mulher, exigindo retratação pública e a retirada de uma postagem ofensiva às mulheres no dia 11 de março, no X (antigo Twitter), ao assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Além disso, a Matria pede que Hilton pague o valor de R$ 500 mil reais de danos morais coletivos, que serão destinados a um projeto de acolhimento a mulheres em situação de prostituição.

“Hoje ocupei com honra, alegria e um sabor muito especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher (uma vitória construída enfrentando e derrotando o centrão e a extrema direita). E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”escreveu Hilton no X.

Segundo a Matria, “o comentário de Hilton atingiu um grupo social específico: mulheres que, no exercício de sua cidadania, posicionam-se criticamente em relação a determinadas teorias”.

“Suas palavras desumanizam e buscam retirar a coletividade ofendida do debate público e da própria condição de interlocutoras válidas, relegando-as a uma posição de inferioridade social”, disse a associação em suas redes sociais. “É inaceitável que a própria possibilidade de um debate público sadio e respeitoso seja assim atingida por uma figura pública e que foi eleita para a presidência de uma Comissão que deveria tratar dos direitos de mulheres”.

A advogada que representa a Matria, Aída Laurete de Souza, disse no texto da ação que “este tipo de agressão verbal tem um propósito claro: o silenciamento”.

“O objetivo é fazer com que as mulheres que compartilham de certas convicções se sintam envergonhadas, diminuídas e, por fim, se calem, deixando o campo do debate público livre para uma única visão de mundo. Trata-se de uma tática antidemocrática que atenta contra a pluralidade de ideias, essencial a qualquer sociedade livre”, disse Aída Laurete.

Ainda segundo a advogada, “ao desqualificar não a ideia, mas a pessoa (ou o grupo de pessoas), Hilton, “tenta criar um ambiente hostil e intimidatório, onde a discordância é punida com a humilhação pública”.

Para Souza, “a liberdade de expressão não pode ser interpretada como uma licença para ofender, um salvo-conduto para humilhar ou um escudo para discursos que visam aniquilar simbolicamente o interlocutor”.

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