8/3 - Dia Internacional da Mulher
Mulheres se destacam e ocupam cada vez mais seu espaço, inspirando novas gerações de estudantes para carreiras até então priorizadas por homens
A bióloga Tatiana Sampaio tem sido bastante destacada na ciência brasileira, por seus estudos em avanço na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a polilaminina, uma substância que pode auxiliar na reconexão de neurônios do cérebro e do resto do corpo, perdida pelos pacientes com tetra e paraplegia. O medicamento fabricado no laboratório da universidade entrou na primeira fase de testes clínicos e, caso seja comprovada a eficácia, alcançará algo jamais alcançado pela medicina mundial. Os holofotes merecidos levam a um outro efeito, que é inspirar outras mulheres que também na ciência é o lugar delas.
Este lugar já vem sendo mais ocupado pelas mulheres. De 2002 a 2022, a proporção de pesquisadoras autoras de artigos científicos saltou de 38% para 49%, de acordo com levantamento da Agência Bori em parceria com a Editora Elsevier, colocando o Brasil no terceiro lugar de um ranking de presença feminina na produção científica com 18 países e a União Europeia.
Além de figuras como Tatiana, a inspiração na ciência parte das próprias escolas. Joyce, 17 anos, estuda na Escola Estadual Professora Maria Dolores Veríssimo Madureira, em São José dos Campos, e sempre se interessou pela escola e por aprender. Durante sua trajetória escolar, chegou a considerar carreiras como a Pedagogia e a Comunicação, áreas pelas quais sentia afinidade. Embora seja uma pessoa curiosa e movida a desafios, a possibilidade de seguir uma carreira científica só passou a fazer parte de seu horizonte quando a escola pública lhe ofereceu experiências concretas que conectavam a Ciência, a Tecnologia e a Matemática à prática e ao cotidiano dos jovens.
Hoje, a estudante do 3º do Ensino Médio se prepara para prestar vestibular para Engenharia de Bioprocessos. Mais do que uma mudança de escolha profissional, essa trajetória reflete a ampliação de repertório e de confiança proporcionada por projetos que aproximam estudantes da Ciência de forma significativa.
A rede pública de ensino de São José dos Campos, inclusive, tem investido em nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, por meio de projetos STEM (acrônimo em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics), realizados pela Parceiros da Educação, Organização da Sociedade Civil que atua no fortalecimento do sistema educacional de São Paulo, em parceria com a Boeing. Os professores recebem formação específica para atuar com esse tipo de iniciativa.
Na Escola Estadual Maria Dolores, esse processo ganha forma a partir da atuação de outra mulher especial: a professora de Química Nidinalva Tamacia da Silva, a professora Nidi. Com mais de uma década de experiência em projetos STEM, ela encontrou na formação e no suporte oferecidos as condições para transformar a Química em prática cotidiana.
“Quando os alunos se envolvem em atividades práticas, a motivação e o interesse pela aprendizagem surgem naturalmente. Com o STEM, não precisamos mais convencê-los da importância do que ensinamos. Eles querem aprender. Assim, com experimentos simples e poucos recursos, é possível trabalhar conteúdos complexos e desenvolver projetos inovadores, transformando a escola pública em um espaço onde ciência, criatividade e inovação caminham juntas em prol de uma aprendizagem significativa”, diz a profa Nidi.
Projetos em laboratório, mostras e eventos para a comunidade, participação em olimpíadas científicas e a aproximação com instituições de referência, como o ITA, ajudaram a expandir as possibilidades formativas dentro da escola pública. Foi nesse contexto que a jovem Joyce passou a integrar o projeto STEM para Meninas, do ITA. Além de aprender com professoras e pesquisadoras universitárias, ela assumiu o papel de mentora de meninas mais novas, especialmente do Ensino Fundamental, apoiando outras estudantes em seus primeiros contatos com as áreas STEM e ajudando a fortalecer a presença feminina nesses espaços.
“A exemplo da jovem Joyce, quando meninas têm acesso a experiências significativas a escola pública se torna um espaço real de descoberta de talentos e construção de futuros possíveis em Ciência e Tecnologia”, destaca Mônica Weinstein, diretora pedagógica da Parceiros da Educação.
Para a representante da Boeing, a empresa está compromissada com a transformação da educação. “Na Boeing, acreditamos que educação é a chave para transformar futuros. Por meio da cooperação com a Parceiros da Educação, a Boeing investe no fortalecimento do ecossistema local e gera oportunidades reais para estudantes das escolas públicas de São José dos Campos. Ao interagir com nossas engenheiras e lideranças buscamos inspirar meninas a seguirem carteiras em STEM”, diz Juliana Pavão, diretora de Relações Institucionais da Boeing na América Latina e Caribe.
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