Títulos Acadêmicos na História: uma jornada divertida pelos bastidores da formação superior através do tempo


Por Gabriel Lopes (1)

Se você acha que a vida universitária se resume a salas de aula, TCCs e cafés ruins, prepare-se para descobrir um mundo de tradições milenares, curiosidades etimológicas e reviravoltas conceituais que dariam inveja a qualquer série de suspense. Vamos abrir as portas secretas da história acadêmica, e, claro, com um toque bem-humorado e inteligente.

Comecemos pelo início: o “bacharel”. Apesar de soar como nome de personagem de novela de época, o termo tem raízes respeitáveis no latim medieval baccalaureus. Há quem diga que vem de baculum, o bastão carregado por quem obtinha o primeiro grau universitário, uma espécie de “cetro do saber júnior”. Em tempos medievais, era a senha para entrar no clube seleto dos letrados.

Na mesma época, os títulos de “mestre” e “doutor” eram praticamente sinônimos. Ambos representavam o direito de ensinar, uma espécie de “licença para catedrar”. A diferença entre os dois só foi cristalizada séculos depois, especialmente com a consolidação da pesquisa científica como missão das universidades, mérito do alemão Wilhelm von Humboldt e sua revolução universitária de 1810.

Falando em Alemanha, por lá o orientador de doutorado é o Doktorvater, literalmente, “pai do doutorado”. E sim, existe até “pós-doutorado”, que, apesar do nome, não é um novo grau, mas um estágio de pesquisa. Ou seja: não, você não vira um “superdoutor”.

Enquanto isso, no Brasil, “licenciatura” é formação para professores, mas em Portugal e na Espanha o mesmo termo designava qualquer graduação, como nosso bom e velho bacharelado. Já o MBA também confunde: nos EUA é um mestrado stricto sensu, enquanto por aqui ele entra na categoria lato sensu, ou seja, especialização. Traduzindo: o nome é igual, mas o peso acadêmico muda de endereço.

Outro destaque é o tempo de formação. Na Europa pós-Bolonha, o doutorado dura entre 3 e 4 anos; já nos EUA, prepare-se para uma maratona de 5 a 7 anos. E isso se não houver prorrogação por “estresse acadêmico crônico”.

No Brasil, o sistema de avaliação é sério e rigoroso: a CAPES dá notas de 1 a 7 aos programas de pós-graduação (spoiler: 3 é o mínimo para sobreviver). Nos EUA, por outro lado, não há uma autoridade central e cada universidade busca credenciamento em agências privadas, dando um ar mais flexível, mas também mais descentralizado.

E ainda há pérolas como a Habilitation alemã, uma “superqualificação” exigida para ocupar cátedras, e o doutorado direto, onde você pula o mestrado se tiver desempenho estelar. Sim, é como jogar no modo difícil da academia.

Por fim, não podemos esquecer as universidades milenares: Bolonha, Paris, Oxford… e na América do Sul, destaque para a Real Universidad de San Marcos, no Peru, fundada em 1551. Nada mal para um continente que muitos acham “jovem” academicamente.

Por que entender os graus acadêmicos pode turbinar sua carreira

Se você já se perguntou qual a diferença entre especialização, mestrado e doutorado, ou por que seu diploma de MBA nos EUA tem peso diferente do curso feito no Brasil, saiba que essa confusão não é só sua. Compreender a hierarquia acadêmica vai muito além de uma curiosidade: é uma poderosa ferramenta de decisão estratégica para sua trajetória profissional.

No Brasil, o sistema universitário é bem estruturado e regulado. Um exemplo é a atuação da CAPES, que avalia e ranqueia programas de mestrado e doutorado com base em critérios como produção científica, impacto social e qualidade do corpo docente. Escolher um programa mal avaliado pode significar um investimento de anos com retorno limitado.

Para quem pretende fazer carreira acadêmica, entender o que é stricto sensu (mestrado e doutorado) e lato sensu (especializações, como MBAs brasileiros) é fundamental. A diferença entre os dois vai muito além do conteúdo: ela impacta diretamente sua habilitação para atuar como professor universitário ou pesquisador.

Também é preciso atenção ao contexto internacional. Um título de “licenciado” em Portugal pode equivaler a um bacharelado, enquanto no Brasil tem foco pedagógico. Da mesma forma, um MBA cursado nos EUA é um mestrado profissional reconhecido globalmente, o que pode abrir portas que um MBA brasileiro, por mais respeitado que seja, talvez não consiga.

E não se engane achando que o pós-doutorado é a cereja do bolo. Ele não é um grau, mas sim um estágio de pesquisa. Funciona quase como um “freelancer da ciência”, agregando valor à produção acadêmica, mas sem equivalência formal em títulos.

Outro aspecto que influencia diretamente na carreira é o tempo necessário para completar os graus. Um PhD americano pode durar até sete anos, enquanto o doutorado europeu, após o Processo de Bolonha, foi encurtado para três ou quatro anos. Dependendo dos seus objetivos, a escolha do país pode fazer toda a diferença.

Na prática, entender os graus acadêmicos é entender o mercado onde você está se posicionando. É saber quais portas você poderá bater, quais concursos poderá prestar e que tipos de credenciais serão exigidas, seja no mundo corporativo, seja na academia.

Em tempos de globalização, conhecer os meandros dos sistemas educacionais é tão importante quanto dominar idiomas. Afinal, o mundo acadêmico é também um ecossistema e quem o entende, navega com muito mais segurança.

E para saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura do Manual dos Graus Acadêmicos (Com ênfase em Pós Graduação), de uso institucional da Logos University, disponível gratuitamente no site da instituição: 

(1) Gabriel Lopes é reitor na Logos University da França

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