Roubos e furtos de celulares caem 9,05% em SP em 2025; veja cidades, bairros e locais com mais ocorrências



O número de ocorrências de roubos e furtos de celulares no estado de São Paulo reduziu em 9,05% no volume total de registros em 2025, em comparação a 2024. Os dados são de um levantamento do Centro de Estudos em Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base na análise minuciosa dos boletins de ocorrência registrados no período pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) estadual.
 

. Crédito: Freepik.

Segundo o pesquisador responsável pela análise, Erivaldo Vieira, a queda geral do número de ocorrências pode ser atribuído a políticas de segurança pública sazonais mais incisivas, ao aumento do número de prisões efetuadas — que contribuem diretamente para a incapacitação temporária de infratores recorrentes — e, de forma mais residual, à recente queda nas taxas de desemprego, que tende a reduzir a pressão econômica associada à entrada no mercado criminal.
 

“A queda sustentada em quase todos os meses aponta para um fenômeno estrutural e não apenas conjuntural, indicando que as estratégias de policiamento, repressão qualificada e prevenção podem estar atingindo um ponto de maturação que desestimula a prática criminosa de forma contínua”, analisa.
 

Total de ocorrências por ano e mês (Roubo + Furto)
 

Mês20242025Variação Percentual

jan

28276

27846

-1,52%

fev

28520

25761

-9,68%

mar

28966

28976

+0,03%

abr

29062

25247

-13,13%

mai

28656

26278

-8,29%

jun

28217

24472

-13,27%

jul

26928

25514

-5,25%

ago

27308

24868

-8,94%

set

26257

25462

-3,03%

out

28189

24875

-11,76%

nov

27070

23397

-13,57%

dez

28231

22612

-19,90%

Total

335680

305308

-9,05%

 

Ocorrências de Roubo e Furto: Totais e Médias (2024 vs. 2025)
 

Indicador

2024

2025

Variação (%)

Total de ocorrências

335.680

305.308

-9,05%

Média mensal

27.973

25.442

-9,05%

Média semanal

6.455

5.871

-9,05%

Média diária

920

837

-9,05%

 

A análise comparativa entre 2024 e 2025 revela uma redução geral de 9,05% no total de ocorrências de roubo e furto no período, passando de 335.680 para 305.308 registros.
 

Segundo o pesquisador responsável pela análise, Erivaldo Vieira, o cenário mostra uma retração robusta e consistente ao longo do ano. “Esse movimento sugere um aumento na eficácia dos mecanismos de dissuasão ou uma alteração na dinâmica de mercado de bens ilícitos. Destaca-se que a queda foi quase universal entre os meses, com exceção de março, que permaneceu em estabilidade estatística (+0,03%), possivelmente influenciado pelo deslocamento do calendário do Carnaval. O declínio mais acentuado ocorreu no último trimestre, culminando em uma redução de quase 20% em dezembro”, aponta.
 

Roubos caem, furtos aumentam
 

Quando os dados são separados por tipificação penal revela uma mudança qualitativa relevante na dinâmica criminal. Os roubos, caracterizados por violência ou grave ameaça, apresentaram uma queda expressiva de aproximadamente 19,7%, sinalizando avanços na proteção da integridade física das vítimas e na sensação de segurança. Em contraste, os furtos registraram leve aumento de 1,77%, indicando maior resiliência da criminalidade patrimonial sem contato direto.
 

Distribuição por tipo de crime (Furto vs. Roubo)
 

Tipo de Crime20242025Variação Percentual
Furto (art. 155)166633169582+1,77%
Roubo (art. 157)169047135726-19,70%
Total Geral335680305308-9,05%

 

Segundo o docente da FECAP, esse padrão é interpretado como migração de modalidade ou substituição de risco, em que o criminoso, diante de policiamento mais ostensivo e maior custo esperado do crime violento, opta por práticas menos arriscadas. “A redução dos roubos sugere eficácia das estratégias de repressão qualificada e prevenção, enquanto o crescimento marginal dos furtos aponta para a necessidade de políticas focadas na redução de oportunidades, vigilância passiva e conscientização da população, especialmente quanto ao descuido com objetos de valor, como telefones celulares”, explica.
 

CIDADES COM MAIS OCORRÊNCIAS
 

Quando são analisadas as cidades com mais ocorrências, também se verifica queda da criminalidade de forma descentralizada, com reduções mais intensas em municípios da Região Metropolitana e do Litoral do que na capital.
 

Enquanto São Paulo registrou queda moderada de 4,11%, cidades como Praia Grande apresentaram declínios expressivos, possivelmente associados a operações sazonais e maior monitoramento. No Grande ABC, São André e São Bernardo do Campo tiveram reduções próximas a 19%, sugerindo ganhos com a integração regional das forças de segurança.
 

A diferença de intensidade entre a capital e os municípios vizinhos aponta para efeitos espaciais distintos, seja por transbordamentos da saturação policial em São Paulo, seja por maior eficiência relativa das políticas locais em 2025.
 

Top 20 municípios com mais ocorrências (2024 vs 2025)
 

Município

2024

2025

Variação Percentual

S.PAULO

191681

183798

-4,11%

GUARULHOS

9177

7612

-17,05%

CAMPINAS

7925

6985

-11,86%

S.ANDRE

7632

6151

-19,40%

S.BERNARDO DO CAMPO

6317

5110

-19,11%

OSASCO

5271

4793

-9,07%

PRAIA GRANDE

4344

3251

-25,16%

DIADEMA

3290

2856

-13,19%

S.VICENTE

3079

2986

-3,02%

RIBEIRAO PRETO

2997

2875

-4,07%

CARAPICUIBA

2841

2366

-16,72%

GUARUJA*

2786

ITAQUAQUECETUBA

2775

2697

-2,81%

SOROCABA

2744

2512

-8,45%

MAUA

2605

1877

-27,95%

SANTOS

2392

2342

-2,09%

TABOAO DA SERRA

2150

1656

-22,98%

SUZANO

2143

1743

-18,67%

S.JOSE DO RIO PRETO

2068

1845

-10,78%

EMBU DAS ARTES

2031

1829

-9,95%

Total dos 20

266248

247209

-7,15%

 

Em 2024, cerca de 79,3% de todos os roubos e furtos estavam concentrados nas 20 cidades com maior número de ocorrências. Em 2025, essa concentração aumenta para 81,0%, apesar da queda absoluta no número total de crimes. “Isso indica um aumento da concentração espacial do crime, sugerindo que a redução observada no agregado foi mais intensa fora do grupo das grandes cidades. O resultado reforça a relevância de políticas focalizadas territorialmente, já que uma parcela crescente do crime permanece concentrada em poucos centros urbanos”, pontua Vieira.
 

DISTRITOS DE SP COM MAIS OCORRÊNCIAS
 

O mapeamento por distritos da cidade de São Paulo mostra maior concentração relativa em áreas específicas. Locais tradicionalmente críticos, como Barra Funda, apresentaram reduções expressivas (-17,71%), possivelmente associadas a intervenções focais ou alterações no uso do espaço urbano. Em contrapartida, áreas de elevada circulação de pessoas e intensa atividade econômica e acadêmica, como Vila Mariana (+13,83%), Liberdade (+11,73%), Bela Vista e Pinheiros, registraram aumentos relevantes, compatíveis com a expansão de crimes oportunistas, especialmente aqueles voltados à subtração de dispositivos móveis.
 

Top distritos da cidade de São Paulo
 

Distrito (SP – capital)

2024

2025

Variação (%)

PINHEIROS

6.219

6.429

+3,38%

BRÁS

4.512

5.239

+16,12%

BELA VISTA

4.665

4.859

+4,16%

BARRA FUNDA

4.336

3.568

-17,71%

BOM RETIRO

3.849

3.640

-5,43%

REPÚBLICA

3.769

3.419

-9,29%

VILA MARIANA

3.376

3.843

+13,83%

CONSOLAÇÃO

4.821

4.848

+0,56%

SANTANA

3.353

3.024

-9,81%

ITAIM BIBI

3.283

3.186

-2,95%

SANTO AMARO

3.110

3.336

+7,27%

IPIRANGA

2.949

2.563

-13,09%

CAPÃO REDONDO

2.820

2.809

-0,39%

LIBERDADE

2.813

3.143

+11,73%

JARDIM PAULISTA

2.749

2.800

+1,86%

2.450

2.379

-2,90%

CAMPO LIMPO

2.130

2.109

-0,99%

ITAQUERA*

2.362

TOTAL (ajustado)

63.566

63.366

-0,31%

 

“Os 20 distritos com mais ocorrências concentram aproximadamente um terço das ocorrências da capital, participação que se elevou de 33,2% em 2024 para 34,5% em 2025, indicando aumento da concentração espacial mesmo em um contexto de queda do volume total de crimes. Esse padrão sugere um processo de migração intraurbana do crime, no qual a pressão policial em determinados bairros desloca a atividade criminosa para áreas adjacentes percebidas como de menor risco”, aponta o pesquisador da FECAP.
 

Do ponto de vista da gestão pública, na opinião do pesquisador, o resultado evidencia que a redução agregada da criminalidade não se traduz em melhora homogênea no território, impondo o desafio de estratégias dinâmicas, integradas e territorialmente ajustadas de prevenção e policiamento. O padrão reforça a presença de hotspots persistentes, coerentes com explicações da economia urbana, elevada circulação de pessoas, intensa atividade comercial e limites à dispersão espacial do policiamento.
 

LOCAIS DA CAPITAL COM MAIS OCORRÊNCIAS
 

A análise dos principais logradouros da capital com mais ocorrências mostra uma reorganização espacial significativa da criminalidade, com reduções expressivas em eixos historicamente críticos e crescimento relevante em outros corredores urbanos. Vias tradicionalmente associadas a grande fluxo de pessoas, lazer e transporte — como Avenida Paulista, Praça da Luz, Avenida Cruzeiro do Sul e Rua Augusta — apresentaram quedas superiores a 17%, sugerindo efeitos positivos de policiamento direcionado, mudanças no padrão de circulação urbana e possíveis estratégias preventivas associadas a grandes eventos e períodos críticos.
 

Em contrapartida, observa-se crescimento acentuado em logradouros específicos, como a Avenida Senador Teotônio Vilela (+43%)Avenida Celso Garcia (+25,5%)Rua da Consolação (+24,9%) e Avenida Tiradentes (+18,3%), indicando deslocamento da atividade criminosa para corredores com intensa circulação cotidiana, mas possivelmente menor saturação policial relativa.
 

Ocorrências de roubo e furto por logradouro (São Paulo – capital)
 

Logradouro

2024

2025

Variação %

Vedação da divulgação dos dados relativos

4.592

3.954

-13,9%

Avenida Paulista

2.354

1.791

-23,9%

Praça da Luz

2.081

1.640

-21,2%

Avenida Cruzeiro do Sul

1.932

1.535

-20,6%

Avenida Mário de Andrade

1.536

1.262

-17,8%

Rua Augusta

1.424

1.182

-17,0%

Avenida do Estado

1.353

1.430

+5,7%

Avenida Brigadeiro Faria Lima

1.009

884

-12,4%

Rua da Consolação

979

1.223

+24,9%

Avenida Marechal Tito

930

Avenida das Nações Unidas

858

859

+0,1%

Avenida Francisco Matarazzo

810

Rua Vergueiro

774

823

+6,3%

Estrada do M’Boi Mirim

716

745

+4,1%

Estrada de Itapecerica

698

673

-3,6%

Avenida Tiradentes

663

784

+18,3%

Avenida Prestes Maia

643

646

+0,5%

Avenida Celso Garcia

623

782

+25,5%

Rua Brigadeiro Tobias

622

Av. Senador Teotônio Vilela

619

885

+43,0%

Rua Treze de Maio

699

Praça da República

655

Av. Pres. Castelo Branco

751

Total Geral

25.216

23.203

-8,0%

 

“Esse padrão reforça a hipótese de migração intraurbana do crime, em que a repressão focalizada em determinados eixos desloca delitos oportunistas para áreas adjacentes ou alternativas”, finaliza o pesquisador da FECAP.
 

O especialista: Erivaldo Vieira é mestre em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. É docente da FECAP há 24 anos, onde atua como professor de Economia. É pesquisador de indicadores

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