Painel Redes da Sociobiodiversidade é atualizado e amplia indicadores territoriais


Atualização traz rankings e infográficos por município, atividade econômica, formato jurídico e categoria de áreas protegidas  


 

 

O Idesam atualizou o Painel Redes da Sociobiodiversidade no interflúvio Madeira–Purus, território prioritário para políticas públicas voltadas à sociobioeconomia, no contexto da construção do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia. A plataforma reúne informações estratégicas para apoiar a formulação e a implementação de ações públicas na região e está disponível gratuitamente no site do Instituto.
 

Entre as principais novidades, está a possibilidade de visualizar rankings e infográficos sobre o número de organizações por município, tipos de atividades econômicas, formatos jurídicos predominantes e atuação das Organizações Socioprodutivas nas áreas protegidas, como terras indígenas, assentamentos e unidades de conservação.
 

“O painel passou a integrar três modos de visualização — Mapa, Lista e Dashboard —, que podem ser filtrados por diferentes critérios, como cadeia de valor, município ou tipo de organização. Todos os filtros afetam simultaneamente as visualizações, permitindo uma análise integrada e personalizada do território facilitando o acesso das informações por diferentes públicos — desde as organizações de base comunitária já mapeadas, gestores governamentais (nas esferas federal, estadual e municipal) e parceiros não-governamentais”, explica Fernanda Catenacci, da iniciativa de Governança Territorial do Idesam.

 

 

Fernanda reforça que o painel também abre espaço para a prospecção de cadeias produtivas potenciais, ou ainda produtos da agricultura familiar que podem se transformar em novas oportunidades econômicas. “Por exemplo, se uma startup de foodtech busca desenvolver um produto a partir do gengibre (mangarataia), da copaíba ou murumuru, poderá utilizar os filtros do painel para identificar potenciais fornecedores e parceiros no território”, diz.
 

Os dados podem ser consultados por meio de filtros, facilitando o acesso das informações por diferentes públicos — desde as organizações de base comunitária já mapeadas, gestores governamentais (nas esferas federal, estadual e municipal) e parceiros não-governamentais.

 

 

Devolutiva realizada no território
 

Lideranças comunitárias e representantes de organizações socioprodutivas participaram de uma devolutiva do Painel Redes da Sociobiodiversidade durante a 1ª Oficina do Núcleo de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS) do Médio-Purus dos dias 24 a 26 de novembro no município de Lábrea (AM), quando puderam acessar as diferentes áreas da plataforma e conhecer, na prática, suas funcionalidades. Ao longo do encontro, realizado com a presença de representantes de 32 organizações dos municípios de Tapauá, Lábrea, Canutama e Pauini, os participantes navegaram pelo painel, visualizaram dados do território e discutiram como a ferramenta pode apoiar a governança territorial, o fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade e a tomada de decisões pelas próprias comunidades.
 

Para Marcikely Ferreira dos Santos, presidente da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), em Lábrea, a devolutiva evidenciou que a atualização do Painel Redes da Sociobiodiversidade fortalece diretamente a defesa do território, ao dar visibilidade a informações que antes estavam dispersas ou pouco reconhecidas.
 

“A atualização torna visível o que antes ficava disperso ou pouco reconhecido: quem somos, onde estamos, o que produzimos e como manejamos nossos recursos de forma sustentável. Com informações organizadas e atualizadas, conseguimos comprovar nossa presença no território, fortalecer nossos modos de vida, dialogar com o poder público e reivindicar direitos”, afirma.
 

Segundo Marcikely, a ferramenta também valoriza as cadeias da sociobiodiversidade, fortalece a organização comunitária e amplia a divulgação dos produtos, reunindo dados confiáveis que dão mais credibilidade às organizações e abrem portas para novas parcerias, oportunidades de renda e conservação da floresta.

 

Ferramenta aprimora uso estratégico dos dados
 

Outra inovação é a ficha técnica detalhada de cada organização, que inclui informações gerais territórios de atuação, produção, comercialização, infraestrutura, gargalos e desafios das cadeias de valor, assim como, necessidades de apoio e registro fotográfico. O design foi aprimorado para tornar a navegação mais clara e atrativa, permitindo que as próprias organizações utilizem suas fichas como portfólio institucional em ações de comunicação e de relacionamento com possíveis parceiros.
 

A camada de infraestrutura também foi expandida e qualificada, passando a incluir dados sobre razão social, formato jurídico, status de atividade e tipos de estrutura — como agroindústrias, casas de farinha, entrepostos, frigoríficos e movelarias. Embora o foco desta etapa tenha sido nas organizações de base comunitária, infraestruturas empresariais reconhecidas no território também foram incorporadas, com informações obtidas junto a parceiros e bases geoespaciais.
 

“Além das novas funcionalidades, o painel se consolida como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento dos territórios do interflúvio Madeira–Purus. Ele reúne informações qualificadas para dar visibilidade às organizações, apoiar as cadeias de valor e impulsionar as iniciativas socioprodutivas”, explica Lilia Assunção, da Iniciativa de Governança Territorial do Idesam. Ela destaca ainda a aba de políticas públicas e apoios da ficha técnica, que apresenta políticas acessadas, parceiros, projetos e assessorias realizadas nos últimos anos, evidenciando o potencial de articulação das organizações nos territórios.
 

Além da atualização técnica, a equipe responsável pretende ampliar a divulgação da ferramenta, promover materiais de apoio ao uso do painel e incentivar o fortalecimento de cadeias de valor para que que as próprias organizações mapeadas se apropriem dos dados para aprimorar sua gestão, comunicação e captação de recursos.
 

A plataforma foi desenvolvida pelo Idesam, com apoio da Fundação Betty e Gordon Moore, para mapear e dar visibilidade às organizações socioprodutivas – como associações, cooperativas, coletivos e empresas – que atuam com redes de valor da sociobiodiversidade em 11 dos municípios que compõem o Interflúvio: Autazes, Beruri, Borba, Canutama, Careiro, Careiro da Várzea, Humaitá, Lábrea, Manaquiri, Manicoré e Tapauá. Painel disponível em idesam.org/paineis-interativos/painel-redes-da-sociobiodiversidade/  
 

Serviço

O quê: Atualização do Painel Redes da Sociobiodiversidade — interflúvio Madeira–Purus

Onde acessar: Acesso gratuito no Site do Idesam

Comentários