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Padre acusado de intolerância por fala sobre Preta Gil participa de ato sobre liberdade religiosa para encerrar processo

 

Padre Danilo César no ato inter-religioso na sede do MPF da Paraíba. | Crédito: Captura de tela MPF.


O padre Danilo César, da diocese de Campina Grande (PB), firmou um acordo de não persecução penal (ANPP) com o Ministério Público Federal (MPF). Ele foi denunciado por intolerância religiosa por causa de declarações feitas sobre a fé da cantora Preta Gil numa homilia em Areial (PB), em julho passado. O acordo evitou que o caso avançasse para uma ação criminal.

Entre as condições estabelecidas, o padre aceitou participar de um ato sobre liberdade religiosa que aconteceu na sede do MPF na Paraíba, na sexta-feira (6), com a presença de membros da família Gil. Ele também deverá pagar cerca de três salários-mínimos a comunidades quilombolas em situação de vulnerabilidade, cumprir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa e fazer resenhas de livros sobre o tema.

As declarações ocorreram em 27 de julho, durante missa na Paróquia São José, em Areial. Preta Gil havia morrido uma semana antes, em 20 de julho, em Nova York, onde tratava um câncer no intestino.

Na homilia, o padre se referiu às crenças da artista, ligadas a religiões afro-brasileira, dizendo: “Ah padre, eu peço saúde, mas não alcanço saúde. Porque Deus sabe o que faz, meu filho. Se for para você morrer, vai morrer, e Deus sabe que a morte é o melhor para você. É difícil a gente entender isso”.

Depois, ele mencionou diretamente a morte da cantora: “Qual é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê o poder dos orixás que não ressuscitou a Preta Gil. Está lá, já enterraram”.

“E tem gente católica que pede a essas forças ocultas. Eu só queria que o diabo viesse e levasse”, continuou. “No dia que ele levar e no dia que você acordar lá, já com o calor do inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui, mas vai em Puxinanã, vai em Pocinhos, e eu fico só sabendo”.que vai acontecer com você. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha, é bem baratinha a conta que ela cobra, viu”, disse ironicamente o padre.

A missa foi transmitida ao vivo pelo canal da paróquia no YouTube, mas o vídeo foi retirado do ar depois da denúncia e abertura de inquérito.

Para o MPF, as falas tiveram teor discriminatório e se enquadram no artigo 20, § 2º-A da Lei 7.716/89, que trata de induzir ou incitar discriminação religiosa em contexto de atividades religiosas destinadas ao público.

O bispo da diocese de Campina Grande, dom Dulcenio Fontes, enviou uma carta ao MPF dizendo que há "interesse institucional desta diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso" e que a diocese tem "compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas".

O evento inter-religioso contou com a presença de líderes de religiões afro-brasileiras e do subprocurador-geral da República, Paulo Vasconcelos Jacobina. Gilberto Gil e Flora Gil, pai e madrasta da cantora, participaram de forma remota. O padre Danilo César esteve presente, mas preferiu não se pronunciar.


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