Os males do Brasil

            *José Renato Nalini

            Orasil padece de um mal crônico. A crença de que o sucesso tem de chegar por vias distanciadas do estudo e do trabalho. Embora seja louvável a preocupação com a miséria e a fome, apenas saciar de alimentos o faminto, sem capacitá-lo a conquistar seu próprio sustento, é algo pernicioso.

            Diz-se que o número de beneficiados com os favores estatais é muito maior do que o daqueles que estudam ou que trabalham. As cifras de desemprego podem ser falaciosa, quando se considera que elas se baseiam nos que estão em busca de colocação no mercado de trabalho. Quem recebe vários benefícios não vai trocar a segurança da doação desvinculada de qualquer compromisso, com o sacrifício de enfrentar jornadas laborais intensas e sob pressão de chefias desalmadas.

            Esse fenômeno não é recente. Apenas agudizou-se.

Robert Southey (1774-1843), escreveu alentada “História do Brasil” e enfatizou a indolência do homem branco, em Minas, nos tempos coloniais. “Afirma-se que nunca naquela capitania se viu um homem branco, por ínfima que fosse a classe a que pertencesse, tomar nas mãos um instrumento agrícola!”.

Isso perdura até hoje. Quantas vezes não é abordada a pessoa a esmolar ou ocupando via pública e se lhe oferece um serviço. A regra geral é a recusa.

Southey já constatara a praga do Brasil: falta de educação e pouco apreço pelo trabalho: “Quase desconhecidos os livros, considerava-se degradante toda a espécie de indústria. Poucas pessoas havia de riqueza colossal na capitania, meia dúzia de famílias apenas que possuíssem um capital de duzentos e quarenta mil cruzados ou trezentos escravos. Os que serviam ofícios públicos, e os comerciantes, chamavam-se “os nobres das Minas”, vivendo os primeiros exclusivamente dos seus ordenados. Deles se diz que tinham em horror toda a espécie de estudos, passando horas e horas à janela, embrulhados em seus roupões de manhã, e dedicando aos negócios o menor tempo possível, de modo que o trabalho de um ano equivalia ao de trinta dias de seis horas cada um. Deixava-lhes esse sistema de vida amplo lazer para a devassidão e mesquinhas intrigas a que eram miseravelmente dados”.

Era isso, em 1808, em Minas. Será que isso desapareceu do Brasil?

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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