*José Renato Nalini
O advento de tantas emergências
climáticas deveria fortalecer a consciência dos arquitetos, engenheiros e
urbanistas, para que as soluções levassem a sério a natureza. Não é novidade
que as “soluções de acordo com a natureza” representam a resposta da consciência
humana à proximidade da tragédia anunciada.
Casos recentes de derrubada de matas
para a construção mostram que isso não tem sido levado em conta. Um bosque, por
pequeno seja, levou tempo para crescer. Significou um projeto de pessoas que já
não estão aqui, mas se preocuparam com oferecer um futuro saudável a quem as
sucedesse.
Por que não elaborar projetos
criativos, inovadores, que não precisem sacrificar a mata? Verticalizar mais,
pensar em soluções engenhosas, que preservassem a natureza? Haveria um ganho
adicional, pois há pessoas conscientes que valorizam a presença de árvores num
projeto residencial.
O velho esquema de cortar árvores
para aproveitar o solo e multiplicar a construção anacrônica – cimento, ferro,
aço – é algo que já se torna insustentável. Pense-se que a construção civil usa
insumos cuja fabricação é poluente. Depois, edifica-se um novo prédio que vai
também poluir e que é causa evidente das “ondas de calor” que sufocam as áreas
conurbadas. Mais do que isso, a construção civil costuma desperdiçar 35% do
material utilizado.
É hora de urbanistas, arquitetos
conscientes e empreendedores responsáveis utilizarem a inteligência natural e
adotarem soluções de acordo com a natureza que não sacrifiquem árvores. O
prejuízo reputacional dessas empresas não é desprezível. Uma sociedade
civilizada e consciente poderá dar o troco e colocar essas incorporadoras ou
empreendedoras numa lista de pouco amigas do verde. E isso pode se refletir nos
futuros negócios.
É só alertando para prejuízos materiais
que talvez elas repensem o que tem sido feito como rotina: a eliminação de
árvores frondosas e a promessa de plantio de mudas que levarão década – ou
séculos – para chegarem à situação pretérita. Ou, pior ainda, que se satisfaçam
com doações para Fundos que têm a missão de proteger o que existe, antes de
pensar em um futuro remoto e que poderá sequer existir, se o desmatamento
continuar acelerado como em nossos dias.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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