Elogio em boca própria...

 


            *José Renato Nalini

            ... é vitupério. Ou seja: gabar-se, exaltar-se, tecer loas a si mesmo é ridículo, é brega, é coisa de gente menor. Mas, lamentavelmente, é muito comum e corriqueiro. Há pessoas que fazem tanta questão de mostrar erudição, que chateiam os seus ouvintes. Uma conversa não pode ser um desfilar contínuo de nomes e datas, a mostrar que a proclamação das verdades históricas é um talento natural ou fruto de contínuo aprendizado. Algo hoje facilitado com a rápida busca de informações nas redes sociais e utilização adequada da Inteligência Artificial.

            Note-se que nos créditos dos autores de artigos, ensaios, escritos, ainda que a publicação se dê em periódicos locais ou regionais, há quem se esmere em colocar tantos títulos, que isso ocupa boa parte do espaço reservado para o conteúdo de sua contribuição.

            Também é um pouco deselegante, atestado de mau gosto, incluir nos próprios livros o teor de manifestações que outros fizeram a seu respeito. A transcrição de tudo que, sinceramente, o por amabilidade, se tem escrito sobre o autor, é algo que os editores Goncourt chamavam de “admiração preventiva”. Uma estratégia que deveria ser proibida, mas que é, em regra e por gente inteligente, condenada. Pois o livro deve valer por si, deve ter o seu valor intrínseco, sem que se atente para o nome do autor ou para o mérito de outras obras saídas do mesmo computador.

            Porém, quanto mais medíocre a pessoa, mais quer se impor perante a comunidade, como se o autoelogio fosse algo que fizesse mudar a pequena consideração que ela merece no meio efetivamente intelectual.

            Como fazem falta as “pequenas grandes virtudes” da modéstia, da humildade, da delicadeza, da gentileza, da contenção. É um conjunto de atributos que homenageia quem se relaciona com a pessoa que deve ser estimada por outros motivos, não exatamente aqueles que ela própria cuida de enaltecer perante o grupo com o qual convive.

            Parece que a humanidade retrocede ao assumir a vaidade, o protagonismo, o orgulho, a autossuficiência como características vãs, pois, além do mais, a vida é efêmera e frágil. Não se compadece com desvios na rota ética e de respeito ao outro que todos merecem e devem observar.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.      

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