Dieta adequada fortalece o corpo no tratamento do câncer de mama

Especialistas do HAC (foto alto), referência em oncologia, indicam equilíbrio e qualidade nutricional durante tratamento do câncer de mama. Bianca Maria Pigoli Gabriel, encarregada da Nutrição Clínica do HAC, sugere alimentos mais bem aceitos por pacientes que sofrem efeitos colaterais da quimioterapia e o mastologista João Ricardo Auler Paloschi, do HAC, ressalta a importância de uma dieta hiperproteica.
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Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma provocar uma série de mudanças na rotina das pacientes. A alimentação é uma das primeiras preocupações. O que comer? O que evitar? Como manter o corpo forte diante dos efeitos do tratamento? Para especialistas do Hospital Amaral Carvalho (HAC), referência nacional em oncologia, a resposta passa menos por dietas restritivas e mais por equilíbrio, qualidade nutricional e acompanhamento profissional.

De acordo com o médico mastologista João Ricardo Auler Paloschi, do HAC, o tratamento é um momento estratégico para investir em uma alimentação rica em proteínas, que favorece a cicatrização e a recuperação cirúrgica. Além disso, priorizar alimentos naturais – como frutas, verduras e legumes – e reduzir o consumo de sal, açúcar e carboidratos refinados ajuda a manter o organismo mais preparado para enfrentar o tratamento.

Outro fator de destaque é o controle do peso, já que o ganho excessivo pode impactar negativamente as chances de cura. Manter um peso saudável, associado à alimentação equilibrada e à prática de atividade física pode ter um impacto comparável ao de um tratamento medicamentoso.

“Se tratarmos dois cânceres semelhantes entre si em tamanho e tipo, mas estiverem em dois pacientes diferentes, sendo um com peso ideal, não sedentário, sem comorbidades e bem nutrido, e outro com um cenário inverso, esperamos ver uma melhor resposta e maior probabilidade de cura no paciente em melhores condições”, explica o especialista, evidenciando que o organismo do paciente — e não apenas o tumor — é determinante no sucesso da terapia.

Sintomas, tolerância e escolhas alimentares

Entre os diferentes tipos de tratamento, a quimioterapia é a que mais interfere na alimentação. Náuseas, vômitos, mal-estar e perda de apetite estão entre os efeitos colaterais mais frequentes, mesmo com o uso de medicamentos para reduzir esses sintomas.

Para a nutricionista Bianca Maria Pigoli Gabriel, encarregada do setor de Nutrição Clínica do HAC, a alimentação deve ser adequada e variada de acordo com as necessidades da paciente. O ideal é uma dieta com aporte de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e também de micronutrientes (vitaminas e minerais), visando otimizar o estado nutricional e, consequentemente, a tolerância ao tratamento.

Alguns alimentos podem ajudar a aliviar sintomas comuns. Em casos de náusea, opções cítricas e geladas — como frutas, sucos e picolés — costumam ser mais bem aceitas, assim como o fracionamento das refeições ao longo do dia. Para constipação intestinal, alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes e grãos integrais, associados à ingestão adequada de líquidos, são aliados importantes. Já em casos de diarreia, a recomendação é optar por alimentos de fácil digestão, como arroz branco, batata, banana e goiaba, além de reforçar a hidratação.

Quando há pouco apetite, a orientação é priorizar os alimentos que a paciente tolera melhor e, se necessário, recorrer a suplementos nutricionais, sempre com acompanhamento profissional. Em situações de dificuldade para engolir, pode ser preciso adaptar a consistência da dieta, dando preferência a preparos mais macios e pastosos.

O que evitar e a importância do acompanhamento

Embora não existam alimentos totalmente proibidos, alguns cuidados são essenciais durante o tratamento oncológico. O consumo de alimentos crus, por exemplo, deve ser evitado. “O motivo é que a paciente pode estar com a imunidade prejudicada e esses alimentos crus podem estar contaminados com algum patógeno, causando algum processo infeccioso de gravidade indeterminada”, explica o médico.

Bebidas alcoólicas, ultraprocessados, embutidos, excesso de açúcar, gorduras e frituras também devem ser evitados. “Estes alimentos podem aumentar a inflamação, prejudicar a tolerância ao tratamento, causar desconfortos gastrointestinais e aumentar o risco de complicações nutricionais”, completa a nutricionista.

Da mesma forma, dietas restritivas, jejuns prolongados e padrões alimentares radicais não são recomendados, já que essas práticas podem comprometer o estado nutricional e prejudicar a capacidade do organismo de suportar o tratamento.

O acompanhamento com nutricionista permite ajustes contínuos, conforme os sintomas e as fases do tratamento. “Esse profissional é de extrema importância nesse cuidado multidisciplinar”, indica o mastologista. Além disso, familiares e cuidadores têm papel importante ao auxiliar no preparo das refeições, respeitar os limites da paciente e incentivar o seguimento das orientações nutricionais.

A alimentação deve ser encarada como parte fundamental do cuidado integral da paciente. “Uma alimentação adequada e equilibrada ao longo do tempo produz um organismo mais saudável, mais responsivo ao tratamento, com maior imunidade e, por consequência, mais preparado para enfrentar todo o tratamento”, conclui Paloschi.

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