Com a chegada do Carnaval, período tradicionalmente marcado por maior circulação de pessoas e relações ocasionais, especialistas reforçam o alerta para as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) que podem aumentar o risco de desenvolvimento de câncer. O Hospital Amaral Carvalho (HAC), referência nacional no tratamento oncológico, chama a atenção para a importância da prevenção e da adoção de hábitos seguros.
Segundo a oncoginecologista Lenira Queiroz Mauad (foto), do HAC, o HPV (Papilomavírus Humano) é o principal agente associado ao câncer, especialmente ao câncer de colo do útero. “O HPV causa mutação ou modificação na genética das células, que passam a se dividir de forma desordenada. O órgão mais afetado é o colo do útero, mas o vírus também pode acometer a vulva, a vagina, a borda anal e a cavidade oral”, explica.
Além do HPV, outras ISTs como clamídia, tricomoníase e HIV também merecem atenção. “Esses agentes facilitam a ação ruim do HPV sobre as células do colo do útero”, afirma a médica, o que potencializa o risco de desenvolvimento de tumores.
Infecções silenciosas e diagnóstico tardio
Um dos principais desafios no combate às ISTs é o fato de muitas delas serem silenciosas. De acordo com Lenira Mauad, as lesões causadas pelo HPV costumam evoluir lentamente e, nas fases iniciais, não provocam sintomas como dor ou corrimento. Por isso, uma pessoa pode estar infectada, transmitindo o vírus e sem perceber nenhuma alteração. “A clamídia também não causa sintomas e além de facilitar a ação deletéria do HPV, é uma causa importante de infertilidade em mulheres jovens”, destaca.
Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial. A avaliação ginecológica periódica é fundamental para a saúde da mulher em todos os aspectos, desde o planejamento reprodutivo até a detecção de doenças em fase assintomática. Entre os exames mais importantes estão o teste de Papanicolaou, a pesquisa de DNA de HPV de alto risco e a análise do microbioma vaginal, que auxiliam na identificação precoce de alterações celulares.
Prevenção é o melhor caminho
A principal forma de prevenção, segundo a especialista, continua sendo a prática do sexo seguro, com uso de preservativos desde o início da relação, pois reduzem significativamente o risco de transmissão das ISTs.
Outro avanço importante é a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de nove a 14 anos, em dose única, e também para jovens até 19 anos. Após essa idade, três doses da vacina devem ser tomadas até os 45 anos.
Para a oncoginecologista, a conscientização é fundamental. “Precisamos lembrar que nossas ações se refletem no nosso futuro. A conta dos descuidos chega um dia. Então, viver plenamente, mas com segurança, deve ser a regra”, conclui.


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