Vidro: vamos ganhar escala

 



            *José Renato Nalini

            O Brasil é prolífico em normatizar, miserável em obedecer às leis que edita. Existe outra República no planeta em que se aceita dizer, como se fora normal, existirem “leis que pegam e leis que não pegam”?

            Algo que precisa ganhar escala é a reciclagem. Alguns sinais positivos estão no reaproveitamento de vidros. Fernanda Mena avisa que “uma a cada 3 garrafas de vidro é hoje feita com material reciclado no Brasil”. A proporção de vidro reciclado em novas garrafas atingiu 36,86%, enquanto a meta era 27%, de acordo com o Decreto 11.300/2022.

            O decreto sobre o plástico só surgiu em outubro de 2025. E é o pior veneno para a humanidade, principalmente para os mares, fonte de vida que está sendo rapidamente contaminado.

            É importante que a sociedade civil e o empresariado criem entidades fiscalizadoras e inspiradoras de novas estratégias. A gestora para a logística reversa se chama Circula Vidro. Reúne Abividro-Associação Brasileira de Bebidas, Abrabe – Associação Brasileira de Bebidas e Sindicerv – Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja.

            Ainda falta aprimorar o trabalho dos catadores, a conscientização da população e produzir leis que responsabilizem os grandes geradores. Algo que se ouve geralmente é que o catador não é estimulado a recolher vidro, pois o pagamento é muito inferior ao das latinhas de alumínio, por exemplo. Estas sim, um case de sucesso no Brasil.

            Urgente incentivar a Academia e o empresariado civil a produzir tecnologias e estratégias que façam com que o vidro tenha uma destinação integral para a reciclagem, melhorando os percentuais que progridem, mas muito lentamente. A natureza está triste e irritada. Ela não vai esperar que os homens criem juízo. Já está respondendo da forma como sabe. Se não nos convertermos, ficaremos sufocados de tanto resíduo sólido produzido, um desperdício inacreditável, atestado de nossa inconsciência, do qual o vidro não é a menor parte.

            Vamos também incluir o plástico em nossas preocupações. Não bastam decretos. É preciso criar, urgente, uma consciência coletiva. Isso é responsabilidade coletiva, não exclusiva do Governo.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.     

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