Três em cada quatro programas de pós-graduação da Unesp estão nos patamares mais altos da avaliação quadrienal da Capes


Universidade abriga 97 programas de pós-graduação consolidados e, em salto de qualificação, possui PPGs de excelência acadêmica internacional em todas as nove grandes áreas do conhecimento; para pró-reitora, ´é mais difícil consolidar um programa de pós do que criá-lo'

A pró-reitora de pós-graduação da Unesp Maria Valnice Boldrin

A Unesp aumentou de forma significativa o ritmo de consolidação e de excelência de seus programas de pós-graduação (PPGs) e atingiu o patamar de 76,4% dos PPGs --três em cada quatro-- com sede na Universidade com conceitos 5, 6 e 7, de acordo com a mais recente avaliação quadrienal nacional realizada pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Os resultados foram divulgados na última segunda-feira, dia 12, e são parciais, pois os programas podem pedir reconsideração de nota. O resultado final da avaliação, após análise de recursos, ocorrerá até o final de maio.

Esta avaliação quadrienal da Capes se refere ao período 2021-2024. Dos 127 programas com sede na Unesp, 44 receberam conceitos 6 e 7, que os colocam em um grupo seleto de PPGs considerados de excelência acadêmica internacional. O número de programas de excelência indica um crescimento expressivo de 42% em relação ao quadriênio anterior, quando havia 31 programas avaliados com as notas mais altas da Capes.

Em uma comparação dos períodos 2017-2020 e 2021-2024, a quantidade de PPGs com conceito 6 subiu de 21 para 31, alta de 48%, e o universo de programas com nota 7 aumentou de 10 para 13, incremento de 30%. Somados àqueles 53 com conceito 5, considerados “muito bons” e também apoiados de forma prioritária com bolsas, a Unesp abriga 97 programas de pós-graduação consolidados, em todas as grandes áreas do conhecimento, ante 84 no período anterior (+ 15%).

Com o avanço na avaliação, a Unesp agora possui programas de pós com conceitos 6 ou 7, que integram o Programa de Excelência Acadêmica da Capes, em todas as nove grandes áreas do conhecimento: colégio de ciências da vida (ciências agrárias, ciências biológicas e ciências da saúde); colégio de ciências exatas, tecnológicas e multidisciplinar (ciências exatas e da terra, engenharias e multidisciplinar) e colégio de humanidades (ciências humanas, ciências sociais aplicadas e linguística, letras e artes).

"Quinze dos nossos programas passaram de conceito 5 para 6. O que contribui para isso é basicamente a internacionalização. A internacionalização impulsionou o intercâmbio internacional e essa mobilidade (dos PPGs). Foi onde a Universidade mais cresceu", afirma a pró-reitora de pós-graduação da Unesp, professora Maria Valnice Boldrin.

De 2021 a 2024, quadriênio avaliado, a Unesp praticamente concluiu a parte final das ações do projeto Capes PrInt, programa de internacionalização da Capes que repassou mais de R$ 80 milhões para serem aplicados nos programas de pós-graduação da Unesp, em alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas. No Brasil, a Universidade foi a segunda que mais recebeu recursos para este fim, dentro do escopo deste programa federal. "Sem dúvida, o Capes PrInt foi o grande diferencial (do período)", afirma a pró-reitora.

Salto qualitativo
A explicação para a melhor qualificação da pós-graduação unespiana, contudo, vai muito além das estruturadas e planejadas ações de internacionalização. Com a maioria dos 127 programas de pós-graduação com sede na Unesp concentrados entre os conceitos 4 e 5 --eram 92 no período 2017-2020 e passaram a 79 na avaliação recém-divulgada --, a Universidade conseguiu nesta avaliação da Capes um tipo de deslocamento em massa dos PPGs rumo a melhores conceitos. Além dos 15 que deixaram o conceito 5 para ingressar no grupo de "excelência acadêmica", muitos programas também subiram de conceito 4 para 5, encorpando o conjunto de programas consolidados.

Para visualizar melhor este "deslocamento em massa", note-se que, no total, 48 PPGs subiram de conceito ou mantiveram a nota máxima (7), enquanto oito tiveram o conceito reduzido, na comparação entre os dois últimos períodos avaliativos. Ou seja, seis vezes mais programas aumentaram ou mantiveram a nota máxima em relação aos programas que caíram de conceito na Unesp, proporção que evidencia a evolução do último quadriênio.

"Crescemos onde precisávamos crescer para fazer esses programas se qualificarem melhor. Agora, o 'gol' foi termos conseguido três programas que passaram para 7 e quinze que foram de 5 para 6. Sabemos o quão complexo é você chegar a um programa de excelência", afirma Maria Valnice Boldrin. "Isso é avaliado em um contexto nacional e internacional, no contexto da formação de recursos humanos, no contexto do impacto do que está sendo produzido. Ou seja, se o programa tem uma missão coerente, se tem consistência, se foi feita uma autoavaliação compatível para poder fazer o planejamento estratégico..."

Atualmente, a Unesp possui 141 programas de pós, sendo sede de 127 destes. Segundo a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, foi encerrado com sucesso um processo abrangente de fusão de PPGs iniciado no final da década passada e a Universidade trabalha hoje mais para consolidar os PPGs existentes do que para criar novos, o que ocorre agora quando é considerado institucionalmente estratégico. No ano passado, por exemplo, foi aprovado o PPG de Engenharia de Processos Industriais, curso de mestrado acadêmico interunidades com sede em Itapeva, um câmpus recentemente consolidado. A Unesp é a segunda instituição de ensino superior do Brasil em número de programas de pós-graduação.

"Nessa última gestão, não trabalhamos tanto para aprovar novos cursos, exceto onde consideramos que realmente precisava, que era em unidades recém-consolidadas", afirma a pró-reitora Maria Valnice Boldrin. "É mais difícil você consolidar um programa de pós-graduação do que criá-lo", diz a professora, valorizando o resultado da avaliação da Capes.

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