Queda de Bolsonaro na prisão acende alerta para a importância da investigação clínica



"Exames complementares são indispensáveis para esclarecer o que está por trás do episódio"

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta tarde (7/1) que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixe a superintendência da Polícia Federal para realizar exames médicos em hospital, após sofrer uma queda na cela que resultou em traumatismo cranioencefálico leve, conforme laudo inicial da equipe médica.

O episódio ocorreu na madrugada do dia 6 e, embora o diagnóstico preliminar não indicasse necessidade de transferência imediata, a defesa apresentou pedido para que fossem realizados exames mais aprofundados, como tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma, em unidade hospitalar externa. Após análise das informações médicas e do pleito da defesa, Moraes autorizou a saída temporária para os procedimentos, determinando que os laudos sejam apresentados posteriormente.

A decisão reforça a importância da investigação clínica diante de um quadro que vai além do trauma aparente. A médica Caroline Daitx (foto Moniz Caldas), especialista em medicina legal e perícia médica, destacou que a boa prática médica começa ao questionar a causa da queda, e não apenas tratar a consequência.

Segundo ela, o relatório médico oficial levanta quatro hipóteses cruciais: interação medicamentosa, crise epiléptica, hipoxemia relacionada ao uso de CPAP e processo inflamatório pós-operatório. “A busca pela causa é o que define a medicina de excelência. Não se trata de preciosismo, mas da diferença entre um atendimento protocolar e um ato que realmente salva uma vida”, afirma Daitx, ressaltando que exames complementares são indispensáveis para esclarecer o que está por trás do episódio.

Com histórico de cirurgias e idade avançada, Bolsonaro será submetido aos exames indicados e retornará à custódia após os procedimentos, conforme determinação do STF. A autorização judicial evidencia a necessidade de conciliar protocolos de segurança com garantias fundamentais à saúde do custodiado, em um caso que segue mobilizando atenção médica, jurídica e política.

Fonte: Caroline Daitx: médica especialista em medicina legal e perícia médica. Possui residência em Medicina Legal e Perícia Médica pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como médica concursada na Polícia Científica do Paraná e foi diretora científica da Associação dos Médicos Legistas do Paraná. Pós-graduada em gestão da qualidade e segurança do paciente. Atua como médica perita particular, promove cursos para médicos sobre medicina legal e perícia médica.  CEO do Centro Avançado de Estudos Periciais (CAEPE), Perícia Médica Popular e Medprotec. Autora do livro “Alma da Perícia”. Doutoranda do departamento de patologia forense da USP Ribeirão Preto.

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