Indústria processadora do aço entra em 2026 em ambiente mais defensivo e de concorrência acirrada

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Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel

Avanço das importações e retração da produção nacional marcaram o desempenho do setor em 2025

A indústria processadora do aço encerrou 2025 sob forte pressão competitiva, de acordo com a Abimetal-Sicetel, entidade que representa o setor. O período foi novamente marcado pelo aumento desenfreado das importações, especialmente da China, com consequências negativas para a produção nacional. A combinação desses fatores impactou diretamente sobre os resultados e a competitividade do setor, e, em consequência exigirá das empresas estratégias cada vez mais defensivas no futuro.

As importações atingiram o maior patamar desde o período pré-pandemia. Em 2025, foram 821,2 mil toneladas de produtos processados de aço, alta de 16,1% frente a 2024 e quase o dobro do volume registrado em 2019. A China manteve papel central nesse movimento, respondendo por 489,9 mil toneladas, mais que o triplo do volume importado em 2019, de acordo com o levantamento da Abimetal-Sicetel, com base nos dados do ComexStat.

O crescimento das importações não foi homogêneo, concentrando-se em segmentos estratégicos para a indústria nacional, como arames de aço, cabos de aço, perfis, tiras e fitas - justamente aqueles com maior sensibilidade a preço e maior participação no consumo interno”, alerta Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel. A comparação entre 2019 e 2025 evidencia que há uma mudança duradoura no ambiente competitivo, com aumentos expressivos nas importações de:

- Perfis de ferro ou aço não ligado: +134%

- Cabos de aço: +133,9%

- Arames de aço: +120,8%

- Pregos: +88,3%

- Tiras e fitas de aço: +82,1%

Na comparação direta entre 2024 e 2025, uma parcela relevante do avanço das importações concentrou-se em produtos específicos: 

- Tiras e fitas de aço: +41,5%

- Cabos de aço: +33,6%

- Arames de aço: +14,1%

Por outro lado, alguns itens apresentaram retração no período, como arame farpado (-29,8%), pregos (-27,0%) e telas (-1,0%), refletindo ajustes pontuais de mercado. Ainda assim, esses recuos não alteram o quadro geral de elevada penetração de produtos importados em segmentos estratégicos para a indústria nacional.

As importações originárias da China reforçam a pressão sobre os produtores nacionais. A dinâmica pode ser percebida na produção de trefilados, que incluem cabos e cordoalhas de aço, grampos, pregos e telas de metal: em novembro de 2025, a produção do segmento recuou 10,8% na comparação anual, acumulando queda de 1,6% no ano, como mostra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE. Os dados indicam retração da produção em 2025, emplacando o quarto ano seguido de resultados negativos.

No agregado de Produtos de Metal - exceto máquinas e equipamentos, que inclui os trefilados e outros itens produzidos por empresas associadas à Abimetal-Sicetel, como soldas - houve crescimento pontual de 2,7% em novembro frente a outubro, insuficiente para reverter a queda de 6,8% na comparação anual e o recuo de 1,9% no acumulado de 2025.

O resultado evidencia que a penetração crescente dos importados está prejudicando diretamente a produção doméstica, afetando o conjunto da indústria de produtos de aço”, explica o presidente da Associação.

 

Preços internacionais e cenário global ampliam a pressão sobre o mercado brasileiro

A dinâmica dos preços internacionais de aço e de seus insumos no último ano contribuíram para ampliar a assimetria competitiva da indústria brasileira, favorecendo de forma estrutural o produto importado. 

Levantamento da Abimetal-Sicetel mostra que, ao longo de 2025, os preços internacionais permaneceram em patamares deprimidos ou estáveis, com destaque para a China, principal origem das importações que ingressam no mercado brasileiro. Na comparação pontual entre 1º de janeiro de 2026 e 1º de janeiro de 2025, os preços chineses, analisados em dólares, recuaram em produtos-chave:

- Fio-máquina: -2,1%

- Vergalhão: -4,2%

- Bobina a quente: -1,0%

- Bobina a frio (aço carbono): -5,0%

Apesar de reajustes no início de 2026, os preços seguem em patamares baixos, o que evidencia a fraqueza do mercado interno chinês, que busca mercados mais abertos para seu excedente de capacidade, tanto na indústria siderúrgica, quanto na etapa seguinte da cadeia, o setor processador de aço.

Esse desequilíbrio foi agravado pelas medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, que elevaram para 50% as tarifas sobre produtos siderúrgicos e processados de aço, incluindo aqueles exportados por empresas associadas à Abimetal-Sicetel. O efeito colateral dessa política foi o redirecionamento desses volumes para mercados mais abertos e vulneráveis, como o Brasil, intensificando a concorrência em segmentos já pressionados.

A combinação entre os baixos preços chineses e barreiras tarifárias em grandes mercados consumidores criou um ambiente internacional altamente desfavorável à indústria processadora brasileira. No ano passado, competimos em condições desiguais, e, sem medidas internas de defesa, o Brasil seguirá exposto, mesmo com a revisão de tarifas dos Estados Unidos”, avalia Martins.

Na análise do presidente da entidade, a indústria processadora do aço continuará a enfrentar um ambiente desafiador, com baixa perspectiva de recuperação, margens comprimidas e elevada incerteza. “O ano exigirá capacidade de adaptação, eficiência e posicionamento estratégico para a competitividade das empresas”, afirma.

A dinâmica de preços pressionados, custos e juros elevados, somada à maior concorrência externa, vai demandar uma gestão mais defensiva, com foco em eficiência e controle de custos e decisões seletivas de produção e investimento. Nesse contexto, o acompanhamento da evolução do comércio internacional e das políticas de defesa comercial será fundamental, assim como a adoção de estratégias individualizadas, de acordo com o grau de exposição de cada segmento às importações.

 



Sobre a Abimetal-Sicetel:

A Abimetal-Sicetel representa a indústria processadora do aço no Brasil.  Sua base reúne 350 indústrias de pequeno, médio e grande portes, de capital nacional e estrangeiro, que integram o segundo elo da cadeia produtiva do aço no país. A organização promove a competitividade, a inovação e o crescimento sustentável do setor, além de atuar em defesa de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento econômico e a integração da indústria nacional.

A Abimetal:

A Abimetal (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço) surgiu no final de 2018 para atender às necessidades de suas representadas por um modelo moderno de atuação associativa. Seu objetivo é focado no fortalecimento e desenvolvimento do setor, promovendo a defesa dos interesses das empresas associadas.

O Sicetel:

O Sicetel (Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço) é uma entidade de classe patronal sem fins lucrativos, fundada em setembro de 1934. Desde 1979, representa exclusivamente as empresas processadoras de aço, sendo responsável pela defesa de seus interesses e pelo fortalecimento do setor.

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