*José Renato Nalini
O mundo desperdiça mais de um bilhão
de toneladas de alimentos a cada dia. 80%, no âmbito doméstico. A falta de
educação disseminada em “deixar comida no prato”. Sintoma cruel e paradoxal de
nossa civilização em crescente déficit ético: bilhões passam fome, bilhões
jogam comida fora.
Ainda não se faz a separação
racional dos dejetos: resíduos orgânicos de um lado, resíduos secos de outro.
Mas aquele que tem consciência pode cuidar melhor daquilo que joga fora: restos
de comida, folhas, bagaços, caroços. É só formar uma composteira.
A composteira doméstica é uma
solução simples e eficiente para transformar resíduo orgânico em adubo e
reduzir a quantidade de lixo destinada a aterro. Os modelos mais indicados são
os que usam minhoca na decomposição da matéria orgânica, processo denominado
vermicompostagem. Leva de 60 a 90 dias.
Em geral, a composteira doméstica
tem 3 compartimentos empilhados e com furos. Isso permite a passagem de ar,
líquidos e minhocas entre os níveis. Os resíduos são colocados na caixa
superior. De preferência picados, para facilitar o trabalho das minhocas.
Quando a caixa de cima ficar cheia, basta trocá-la pela do meio. Não é preciso
transferir as minhocas. Elas sobem sozinhas pelos furos, em busca de comida.
Dá para manter uma composteira até
em apartamento, desde que fique em local arejado, protegido da chuva e do sol,
vez que as minhocas são sensíveis ao calor. Não é qualquer resíduo orgânico que
pode ser colocado na composteira: carnes, fezes de pets, papel higiênico usado
não deve ser depositado. Mas pode frutas, legumes, verduras, cereais, grãos,
sementes, cascas de ovo, sachês de chá, pães, bolos, cogumelos, borra e filtro
de café. Em pequena quantidade, frutas críticas, alimentos cozidos, laticínios,
guardanapos, papel-toalha, flores, ervas aromáticas, líquidos e temperos
fortes, como alho, cebola e pimenta.
Vale a pena colaborar para a redução
das emissões poluentes em nossa cidade. E você ainda contribui para a salvação
das minhocas, das quais as mais indicadas são as californianas, que se
alimentam de matéria orgânica fresca e têm manejo fácil. Procure saber mais e
seja ecológico e responsável. Isso não é impossível e basta um pouco de força
de vontade.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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