Da antiga Mesopotâmia ao século XXI, a história do número mais famoso do mundo, contada em primeira pessoa com humor, leveza e precisão histórica
Pi: uma autobiografia infinita, de Mahsa Allahbakhshi, Andrés Navas e Verena Rodríguez, novo lançamento da Tinta-da-China Brasil, vem ao encontro de uma demanda crescente por livros de divulgação científica com qualidade literária
Pi: uma autobiografia infinita
Divulgação/Tinta-da-China Brasil
Entre os números que marcaram a história da humanidade, poucos exercem tanto fascínio quanto Pi. Irracional e infinito, ele atravessa milênios de descobertas e desafia gerações de matemáticos, cientistas e curiosos em todo o mundo. Presente na geometria, na trigonometria, nas probabilidades e até nas artes, tornou-se um símbolo de mistério e encantamento, uma ponte entre fórmulas abstratas e a realidade concreta. E agora sua trajetória é narrada em primeira pessoa — Pi: uma autobiografia infinita, publicado originalmente no Chile em 2024, é o novo lançamento da Tinta-da-China Brasil.
Escrito pela matemática iraniana Mahsa Allahbakhshi e pelo divulgador científico chileno Andrés Navas, com ilustrações vibrantes da designer mexicana Verena Rodríguez, o livro dá voz a um Pi aventureiro e curioso, que percorre a história da humanidade em busca de respostas sobre si mesmo e seus enigmas. Logo no início, o narrador anuncia: “Sou conhecido no mundo inteiro, mas minha fama nem sempre é das melhores. Na verdade, muita gente se intimida comigo. Por isso decidi escrever minha biografia: para que me conheçam um pouco melhor e assim, quem sabe, acabem gostando um pouco mais de mim. O fato é que algumas coisas sobre mim nem eu mesmo sei, e talvez esta seja a oportunidade de você me ajudar a entendê-las”. Nesse espírito de unir imaginação e divulgação científica, Navas conta que Pi: uma autobiografia infinita foi em parte inspirado em Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato, que também se valia da narrativa literária para aproximar a matemática de jovens leitores.
A obra se divide em três partes, dispostas em ordem cronológica, nas quais o protagonista encontra personagens que marcaram sua jornada: de Arquimedes a Ramanujan, passando pelo chinês Liu Hui, o primeiro a dar ao número a notação decimal utilizada até hoje: 3,14. Na primeira parte, o narrador-protagonista revisita a Antiguidade e mostra como egípcios, babilônios, chineses e gregos se aproximaram de seu valor misterioso. Arquimedes surge como o primeiro herói da saga, seguido por outros matemáticos que, com engenho e perseverança, buscaram entender o número ao longo dos séculos. Na segunda parte, Pi narra os avanços da era moderna: o surgimento do cálculo diferencial, o estudo das séries e a multiplicação de casas decimais que ampliaram o conhecimento sobre ele. É também nessa seção que aparece um dos enigmas mais famosos da matemática — a quadratura do círculo —, desafio que mobilizou mentes brilhantes por dois milênios até se provar impossível.
A terceira seção traz o leitor para os dias atuais. Pi relata como o indiano Ramanujan revolucionou os métodos de cálculo no início do século XX e como, décadas mais tarde, com o auxílio de computadores, foi possível desvendar trilhões de dígitos do número irracional. A aventura leva o narrador a diversos cantos do planeta, inclusive ao Brasil — num capítulo escrito exclusivamente para esta edição —, onde ele e seus amigos números desembarcam em 2018 para o Congresso Internacional de Matemática realizado no Rio de Janeiro. É também na terceira parte, numa passagem escrita exclusivamente para a edição brasileira, que o narrador celebra a consagração de 14 de março como Dia Internacional da Matemática — escolha aprovada em São Paulo por integrantes da União Matemática Internacional (IMU), numa espécie de antessala do evento no Rio. A data (3/14, na formulação usual nos Estados Unidos) evoca os dígitos mais conhecidos do protagonista e é também comemorada mundo afora como Dia do Pi.
“O único que não opinava muito era o 0, porque sabia que não tinha escolha. De minha parte, tirei uma carta que tinha guardada na manga desde o início: 14 de março. A razão para considerá-la é que em inglês essa data se lê ‘March 14th’, o que lembra o 3,14 dos meus primeiros dígitos. [...] Fiquei muito feliz em saber que os números naturais também estavam contentes com a escolha, pois, segundo me disseram, já estão absolutamente convencidos de que aparecem infinitas vezes entre meus dígitos”, narra Pi.
O livro equilibra episódios históricos, curiosidades biográficas e explicações claras sobre fórmulas universais e aplicações cotidianas. Tudo isso em linguagem leve e bem-humorada e em estrutura romanceada, capaz de fisgar jovens leitores e todos que buscam uma introdução instigante ao universo da matemática, além daqueles já familiarizados com o tema. Ao fim há um glossário para ajudar o leitor a assimilar os termos técnicos, tornando a leitura ainda mais fluida. Segundo Bernardo Esteves, jornalista especializado em ciência, trata-se de “uma narrativa prazerosa que convida o leitor a mergulhar no capítulo seguinte ao final de cada aventura”.
No mercado editorial brasileiro, Pi: uma autobiografia infinita, traduzido por Maria Cecilia Brandi, vem ao encontro de uma demanda crescente por livros de divulgação científica narrados de forma envolvente e acessível. Tal como Histórias da matemática e A descoberta dos números — títulos de Marcelo Viana publicados pela Tinta-da-China Brasil —, o mais novo lançamento da editora une precisão teórica ao prazer das boas histórias e é um convite à imaginação do leitor.
Embora muito já tenha sido escrito sobre o tema, “faltava o relato na primeira pessoa, diretamente da boca do protagonista, da fantástica aventura do número Pi (π) no redondo mundo dos humanos”, nas palavras do próprio Viana, que assina a orelha e recomendou a obra à Tinta-da-China Brasil. “É isso que este livro nos traz, finalmente. Por meio da pena inspirada e muito conhecedora de Mahsa Allahbakhshi, Andrés Navas e Verena Rodríguez, é o próprio Pi que nos conta sua vida no ouvido. Uma delícia”, acrescenta o diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).
“Você não precisa ser muito bom em matemática, muito menos ser um gênio para desfrutá-la. Ela está sempre disponível, independentemente da sua língua, nacionalidade ou do lugar onde você mora. Com apenas um lápis e um caderno, você pode brincar no seu cantinho favorito para resolver pequenos problemas e fazer suas primeiras descobertas. Assim, no futuro, talvez seja você quem solucione os grandes enigmas que ainda existem em torno do número π (ou seja, em torno de mim)”, defende o narrador.
Bio dos autores
Mahsa Allahbakhshi é pesquisadora na área de matemática. Concluiu seu doutorado em 2011 na Universidade de Victoria, no Canadá, e fez seus estudos anteriores em Teerã, no Irã. Desde 2018 é professora da Faculdade de Matemática da Pontifícia Universidade Católica do Chile. Além da produção científica, destaca-se pela dedicação à pedagogia e pela introdução de métodos de ensino inovadores. Reconhecida por sua excelência educacional, liderou diversos projetos de inovação e contribuiu significativamente para diversas publicações acadêmicas.
Andrés Navas estudou matemática na Universidade de Santiago do Chile, onde hoje é professor em tempo integral. Posteriormente, fez mestrado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, e obteve doutorado na École Normale Supérieure de Lyon, na França. Foi professor visitante em instituições como o Institut des Hautes Études Scientifiques, Caltech, Universidade de Cambridge e Universidade de Tóquio.
É autor de mais de sessenta artigos de pesquisa, que lhe renderam prêmios em 2013 pelo Conselho Matemático das Américas e em 2016 pela Unión Matemática de América Latina y el Caribe. Apaixonado pela divulgação científica e pela literatura, em 2017 lançou Un viaje a las ideas, o primeiro livro de divulgação matemática produzido no Chile para um público amplo. Segundo ele, Pi: uma autobiografia infinita foi em parte inspirado em Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato.
Verena Rodríguez é uma designer e ilustradora mexicana que mora em Santiago, Chile. Estudou design e comunicação visual na Universidade Nacional Autônoma do México e, em 2017, concluiu o mestrado em literatura infantil na Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver. Suas ilustrações e quadrinhos foram publicados em livros didáticos, revistas online e fanzines. Ilustrou a história em quadrinhos CLOUDBREAKER, parte de The Thirteen: Origins, publicada pela Chispa Comics em 2024.
Título: Pi: uma autobiografia infinita
Autores: Mahsa Allahbakhshi, Andrés Navas, Verena Rodríguez
Tradução: Maria Cecilia Brandi
Indicação editorial: Marcelo Viana
Capa: Isadora Bertholdo
Páginas: 144 pp
ISBN: 978-65-84835-57-3
Formato: Brochura, 14 x 21 cm
Data de lançamento: 7 de fevereiro de 2026
Preço: R$ 79,90
Sobre a Tinta-da-China Brasil
A Tinta-da-China Brasil foi fundada em 2012, no Rio de Janeiro, por Bárbara Bulhosa, para trazer para o país a excelência da casa fundada em 2005 em Lisboa. Em 2022, a editora brasileira passou para os cuidados da Associação Quatro Cinco Um, em São Paulo, organização sem fins lucrativos voltada para a difusão do livro no Brasil, que deu prosseguimento ao projeto editorial, concentrado nos eixos de literatura, história e ciência, com desvios pelo humor, jornalismo, quadrinhos e crítica literária.
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