BBB: Por que seu cérebro pode facilitar o consumo de realitys? Entenda



A identificação com situações cotidianas, junto com a dopamina das emoções e a sensação de poder, de controle, criam um coquetel de estímulos para o cérebro, destaca o Pós PhD em neurociências e membro do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Dr. Fabiano de Abreu Agrela



Imagem Ilustrativa (Reprodução/Divulgação/agência)


O sucesso contínuo de realities como o Big Brother Brasil vai além do entretenimento puro. Do ponto de vista neurológico, esse tipo de programa ativa mecanismos profundos do cérebro humano, tornando o consumo quase automático para milhões de espectadores.

Conflitos, alianças, rejeições e recompensas são apresentados de forma concentrada, criando uma experiência emocional intensa e de fácil assimilação.

Um dos principais fatores é a identificação. O público se reconhece em situações comuns, como convivência forçada, disputas de poder, rejeição social e busca por aceitação. Esse espelhamento ativa áreas cerebrais ligadas à empatia e ao pertencimento, fazendo com que o espectador não apenas assista, mas participe emocionalmente da narrativa.

Dopamina, emoção e recompensa
De acordo com o Fabiano de Abreu Agrela, Pós PhD em neurociências e membro do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, o BBB funciona como um verdadeiro laboratório de estímulos cerebrais.

“A identificação com situações cotidianas, junto com a dopamina das emoções e a sensação de poder, de controle, criam um coquetel de estímulos para o cérebro. Cada ‘paredão’, prova ou conflito gera expectativa, recompensa emocional e liberação de dopamina, o que reforça o hábito de acompanhar o programa”, explica.

“A imprevisibilidade é outro elemento-chave. O cérebro humano responde fortemente a recompensas variáveis, aquelas que não são totalmente previsíveis. No BBB, o espectador nunca sabe exatamente quem será eliminado ou como uma dinâmica vai se desenrolar, o que mantém altos níveis de atenção e engajamento”, explica.

A ilusão do controle
Votar, opinar nas redes sociais e “cancelar” ou defender participantes ativa a sensação de agência, ou seja, a ideia de que o espectador influencia o rumo do jogo. Mesmo sendo uma participação indireta, o cérebro interpreta esse envolvimento como poder de decisão, reforçando o vínculo com o programa.

“Essa sensação de controle simbólico estimula áreas cerebrais ligadas à motivação e ao prazer e libera neurotransmissores também ligados a essas sensações, como a dopamina. O público sente que faz parte da história, não apenas que a observa”, pontua Dr. Fabiano de Abreu.

O consumo de realities, portanto, não acontece apenas por acaso. Ele é sustentado em grande parte por gatilhos neurológicos bem conhecidos, que envolvem emoção, recompensa, identificação e pertencimento social. Entender esses mecanismos ajuda a explicar por que, ano após ano, o Big Brother Brasil segue ocupando um espaço central nas conversas, nas redes sociais e na rotina de milhões de brasileiros.







Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB/P0149176 é Pós-PhD em Neurociências, eleito membro da Sigma Xi - The Scientific Research Honor Society (instituição na qual mais de 200 membros já receberam o Prêmio Nobel) e Sócio Agregado da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (SCML) em Portugal (registo nº 6372). É também membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, da Royal Society of Biology e da The Royal Society of Medicine no Reino Unido, da The European Society of Human Genetics em Viena, Áustria, e da APA - American Philosophical Association nos Estados Unidos.Mestre em Psicologia, Licenciado em História e Biologia, possui também o título de Tecnólogo em Antropologia e Filosofia, com diversas formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Dr. Fabiano é membro de prestigiadas sociedades de alto QI, incluindo Mensa International, Intertel, ISPE High IQ Society, Triple Nine Society, ISI-Society e HELLIQ Society High IQ.Autor de mais de 330 estudos científicos e 30 livros, atua como professor convidado na PUCRS e Comportalmente no Brasil, UNIFRANZ na Bolívia e Santander no México. Além disso, é Diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e criador do projeto GIP, que estima o QI por meio da análise da inteligência genética.(Crédito foto Dr. Fabiano de Abreu Agrela/IMF Press Global)
--

Comentários