5 erros financeiros que estão quebrando negócios no Brasil e como evitá-los

foto/divulgação/agência


 

 

Falhas na gestão do caixa, do crédito e do planejamento financeiro seguem entre os principais fatores de mortalidade empresarial no país, segundo dados do Sebrae e do IBGE.


 

A transformação digital no sistema financeiro brasileiro, impulsionada por ferramentas como o PIX e pela maior automação dos pagamentos, trouxe ganhos de agilidade e eficiência para as empresas. Ao mesmo tempo, aumentou a exposição de falhas básicas de gestão financeira, tornando erros que antes levavam anos para aparecer agora perceptíveis em poucos meses. Em um cenário de margens apertadas, juros elevados e maior pressão sobre o fluxo de caixa, decisões financeiras mal estruturadas seguem entre os principais fatores de fechamento de negócios no país.

Dados do Sebrae indicam que cerca de 29% dos MEIs encerram suas atividades antes de completar cinco anos, sendo a má gestão financeira um dos motivos recorrentes. O alerta não se restringe aos microempreendedores: empresas de diferentes portes enfrentam dificuldades semelhantes quando não adotam controle financeiro, planejamento e tecnologia adequados.

A seguir, especialistas apontam cinco erros financeiros comuns que estão levando negócios ao colapso, e como evitá-los.

1. Misturar finanças pessoais e empresariais
Quando não há separação entre pessoa física e jurídica, o empresário perde a real noção de lucro, compromete o caixa e cria riscos fiscais.

 

Como evitar: manter contas bancárias separadas e definir um pró-labore claro desde o início.

2. Não controlar o fluxo de caixa diariamente
Faturar não significa ter dinheiro disponível. A ausência de controle de entradas e saídas impede o planejamento e leva a decisões tomadas “no susto”.

 

Como evitar: acompanhar o fluxo de caixa em tempo real, com projeções de curto e médio prazo.

3. Usar crédito sem estratégia
Em um ambiente de juros altos, recorrer a empréstimos para cobrir despesas recorrentes pode acelerar o endividamento.

 

Como evitar: utilizar crédito apenas com finalidade definida, preferencialmente para investimento ou expansão planejada.

4. Ignorar o planejamento tributário
A complexidade do sistema tributário brasileiro faz com que muitas empresas paguem mais impostos do que deveriam.

 

Como evitar: revisar periodicamente o regime tributário e buscar orientação especializada para identificar oportunidades legais de economia.

5. Ficar fora da digitalização financeira
Empresas que ainda dependem de processos manuais ou meios de pagamento pouco eficientes tendem a sofrer mais com inadimplência e falta de previsibilidade.

 

Como evitar: adotar soluções digitais que automatizem cobranças, pagamentos e conciliações financeiras.

Para Felipe Franchi, CEO e fundador da Franchi, fintech especializada em soluções financeiras, o impacto desses erros se intensificou nos últimos anos. “Com a digitalização acelerada dos meios de pagamento e a pressão constante sobre o caixa, erros básicos ficaram mais caros. Hoje, quem não tem controle financeiro e previsibilidade perde competitividade muito rápido”, afirma. Segundo ele, tecnologia e organização deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos mínimos para a sobrevivência dos negócios.

O alerta ganha ainda mais relevância quando se observa o volume de empresas em operação no país. Segundo o Mapa de Empresas, do Governo Federal, o Brasil registrou mais de 24 milhões de empresas ativas no segundo quadrimestre de 2025, considerando matrizes, filiais e MEIs. Em um universo tão amplo, a adoção de boas práticas financeiras pode ser determinante para reduzir a mortalidade empresarial e garantir crescimento sustentável.

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