foto/Divulgação / MF Press Global
Para entender o que acontece no cérebro nesses momentos, ouvimos o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós-PhD em Neurociências e especialista em Genômica Comportamental. Segundo o pesquisador, a resposta não está na "falta de sensibilidade", mas sim na biologia hormonal e nos neurotransmissores.
O papel da Serotonina no conflito
O ponto central, segundo Agrela, é a queda brusca de serotonina, o neurotransmissor responsável pelo equilíbrio emocional e bem-estar. "Em um momento de briga, o estresse severo derruba a serotonina. O cérebro entra em um estado de desconforto e busca, quase que instintivamente, uma forma de fuga ou de regulação dessa química perdida", explica o neurocientista.
Homens: Dominância e a fuga pela Dopamina
De acordo com o Dr. Fabiano, é nesse ponto que a biologia masculina e feminina se distanciam. No homem, a baixa de serotonina abre espaço para a ação da testosterona, que busca restaurar a dopamina (prazer) através da dominância.
"No homem, a testosterona age para elevar a dopamina como uma forma de fuga daquela baixa de serotonina causada pela briga. Existe uma fixação de domínio. O desejo sexual surge como uma ferramenta neuroquímica para reafirmar o controle e buscar uma recompensa imediata que neutralize o estresse", afirma Agrela.
Mulheres: O bloqueio pela falta de segurança
Já no organismo feminino, a lógica de "reparação" é diferente. A mulher, que geneticamente possui maior sensibilidade às variações de serotonina e ocitocina, dificilmente consegue converter o estresse em desejo imediato.
"A mulher precisa de mais incentivo e, principalmente, de segurança emocional para o desejo florescer. Quando a serotonina baixa devido ao conflito, o organismo feminino não encontra uma razão biológica para subir a dopamina. Pelo contrário, o parceiro é visto pelo cérebro como o agente estressor, o que gera o bloqueio", pontua o especialista em genômica comportamental.
Compreensão em vez de julgamento
O pesquisador ressalta que entender esses mecanismos é a chave para evitar crises maiores. Onde um vê uma oportunidade de reconciliação física, o outro vê uma invasão.
"Não se trata apenas de caráter, mas de como o cérebro processa o estresse. O homem muitas vezes quer o sexo para 'ficar bem', enquanto a mulher precisa 'estar bem' para querer o sexo. Quando o casal entende que são processos químicos distintos, o julgamento dá lugar à paciência e ao diálogo", finaliza o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.
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