“Melhor coisa da minha vida foi ter participado do filme Carandiru”: Rita Cadillac revisita o palco, o presídio, o garimpo e os detalhes de uma vida sem filtro

  • De Gretchen a Zezé Di Camargo, de uma mãe ausente a um filho “sequestrado por amor”, ela desfila sua trajetória de conquistas e recomeços no programa “No Alvo”


    Rita Cadillac (Foto: Divulgação/SBT)

     

     

    A vida a levou para os palcos, de onde nunca mais desceu, para o deleite de alguns e o desgosto de outros. Chamada de “pecadora”, “vulgar”, “indecente”, resolveu que a melhor resposta seria rebolar na cara da sociedade. Pacificou o Carandiru, fez tremer Serra Pelada, mostrou na prática o que quer dizer “meu corpo, minhas regras”. Chega aos 71 anos dona do próprio nariz e de seus desejos. Rita de Cássia Coutinho, conhecida pelo Brasil todo como Rita Cadillac, sentou na cadeira do No Alvo” nesta última segunda-feira, 22 de setembro, e respondeu a tudo o que foi questionado.

     

    Confira alguns trechos, em formato pingue-pongue, do episódio de “No Alvo” com Rita Cadillac:

     

    Você contou que, aos 20 anos, posou nua e sentiu o peso do preconceito. Hoje, com a maturidade e a liberdade nas mãos, dá pra dizer que a Rita Cadillac venceu a hipocrisia com um bumbum de respeito?

     

    Eu acho que eu venci não só com o bumbum, mas com a minha personalidade, porque encarar, em uma época de ditadura, ficar nua era muito difícil. Eu enfrentei e estou aqui até hoje.

    Na época em que você largou seu marido abusivo, ainda se dizia que mulher tinha que apanhar calada. O que fez aquela garota de 17 anos ter forças para gritar “chega”?


    O que me fez gritar “chega”, eu acho que vem desde criança, que eu brigo, que eu luto, por mim, né? E quando eu peguei um marido que foi abusivo, e que tentou até me matar, eu tinha que gritar pra sobreviver, porque senão não ia dar certo. E eu agradeço todo dia. Muito obrigada por ter feito isso, porque eu consegui minha independência, a minha liberdade.

    Você fez o que muitas mães nem sonham em fazer. Deixou o filho para ir à luta? Quais foram as feridas e como foram curadas?


    As feridas são curadas, mas não são totalmente curadas, porque sempre existe uma cicatriz. Eu tive que largar meu filho pra sobreviver, foi uma viagem que eu tinha que ir para fora do país, e aí tive que deixar ele pequeno, com um ano. Aí deixei ele, só voltei a pegar definitivamente aos nove anos de idade. É claro que machuca saber que você é proibida de ver seu filho, saber que disseram para ele que você está morta, sendo que eu sempre tentei procurar, sempre tentei falar, mas nunca pude. E quando eu consegui um jeito de “sequestrar o meu próprio filho”, eu não pensei duas vezes. Sequestrei e trouxe pro Rio de Janeiro, e até o dia de hoje ele está comigo.

    Essa ainda é uma ferida aberta?

    Claro que é uma cicatriz que tem no coração por ter abandonado um filho, por levar uma vida que, tendo um filho homem, morre de ciúmes da mãe, e é criado por uma mãe que tem que trabalhar. Mesmo já na época do Chacrinha, quando eu peguei ele, eu tinha que viajar para trabalhar e ele ficava sozinho com a babá. E é claro que ele tinha até vergonha, às vezes, de dizer que era filho da Rita Cadillac. Por quê? Os homens não o respeitavam, falavam besteiras. Até um professor, uma vez, falou que achava a mãe dele gostosa; ele não pensou duas vezes, deu-lhe um soco na cara e foi expulso do colégio. Então essas coisas, às vezes, ainda ficam no coração, porque você fala: “Será que eu fui uma boa mãe? Será que eu fui aquela mãe que ele sonhava?” Eu acho que eu fui, mas fica uma coisinha sempre no meu coração.

    Sua mãe te abandonou, voltou anos mais tarde só pra pedir dinheiro, sumiu de novo e reapareceu muito doente, antes de falecer. Você que enfrentou tanta coisa sozinha, sente que no fim acabou sendo mãe da mulher que nunca soube ser mãe para você?

    Não, porque dona Geni reapareceu quando eu estava com 52, 54 anos, pedindo dinheiro e pedindo desculpas. Como eu falei para ela mesma, eu a perdoava como ser humano, mas como filha jamais, porque ela mesma contou pra mim que sabia onde eu estava, quem eu era, a vida inteira. Por que não procurou? Só procurou porque apareceu numa entrevista que eu tinha dinheiro, coisa que não era verdade, mostrou uma mansão, coisa que não era minha, era fake. E ela veio me pedir dinheiro. Aí eu só falei isso para ela, e não a vi nunca mais; só soube algum tempo depois que ela já havia falecido. Mas isso é muito bom para gente, pensar que é mais uma borrada que a gente leva na vida e a gente consegue superar, sabendo que fiz a coisa certa para mim.

    A sua vida realmente é melhor que um enredo de novela. De repente, uma pessoa aparece dizendo ser sua filha, querendo o DNA; um homem pode até não saber que é pai, mas que história é essa, saber que você é mãe, sem você ser?

    Pois é, eu brinco, às vezes, dizendo que tudo acontece com a Rita. A Rita é sempre o alvo, estou “No Alvo”, eu sou o alvo. Essa menina apareceu, com o processo, há um ano atrás, no Dia das Mães. Ano passado eu recebi uma intimação, que eu estava sendo processada por uma mulher dizendo ser minha filha, que queria a prova do DNA. Como é segredo de justiça, você não pode abrir a boca, e você fala: “tudo bem, vamos fazer”; já que é pela justiça, vamos fazer pela justiça. Mas ela teve a audácia de ir para uma emissora internacional e abrir a boca. Pra mim foi audácia, né? E depois, agora há pouco tempo, a gente marcou um exame de DNA, e a mocinha não apareceu. É difícil uma mulher esconder uma gravidez, né? Só se eu perdi a memória, na época tive um filho e não sabia; isso é o que eu falo pra ela, porque é impossível eu não saber se ela era minha filha ou não, sendo mais nova que o meu próprio filho.

    Sua neta descobriu que não é sua neta biológica. Isso muda alguma coisa ou amor de vó é mais forte que DNA?

    Essa é a Bianca, uma das minhas netas, eu tenho duas. A Bianca é a mais velha, tem 27 anos, e eu só descobri que ela não era minha neta quando ela já estava com uns 10, 12 anos. Mas pra mim não mudou nada, porque eu a conheci quando ela nasceu, e para mim ela é minha neta. Até hoje, sempre digo que tenho duas netas. A Bibi é a neta que não é de sangue, mas que para mim é. E tenho a Larissa, de 15 anos, que é minha neta de sangue mesmo, filha do meu filho.

    Antes de você ser Chacrete, antes mesmo de começar a trabalhar com um grupo de dança de Haroldo Costa, você teve de se prostituir para sobreviver e cuidar do seu filho. E você nunca escondeu isso. Por quê? É por causa de uma força interior ou dureza de coração?

    Eu acho que é uma força que eu tenho e uma dureza no meu coração. Tive que ir porque eu não tinha mais ninguém no mundo, minha avó já havia falecido e eu não tinha família. Tive que me virar sozinha para sustentar um filho até aparecer Haroldo Costa na minha vida. Quando ele apareceu, tudo aquilo que eu fui jogada, que foi pra ir pra um lado de prostituição, que não é a minha índole, eu tive que encarar. Encarei. E estou aqui, sempre limpa.

    Sabemos que a sua vida está longe de ser um conto de fadas, mas será que em algum momento uma fada madrinha apareceu?

    O primeiro homem a me ajudar, assim, que me ensinou tudo, o que até hoje eu sei, se chama José Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Ele foi um pai pra mim, me ensinou tudo de televisão. Foi ele que conseguiu fazer com que meu nome fosse levado ao mundo. A segunda pessoa foi Edson Cury, o Bolinha, que foi outro pai na minha vida e que, por coincidência, ou coisa da vida, os dois faleceram no mesmo dia em que meu pai faleceu, dia 30 de junho. Então, alguma coisa tem, né? Por isso eu digo que sou uma pessoa que tem que enfrentar, bater de frente; que o maior vilão da minha vida é a minha própria vida, porque perco pessoas, três pessoas muito importantes na minha vida, na mesma data, só que em anos diferentes. Tenho medo dessa data; toda vez que ela se aproxima, eu oro muito, peço muito, pra que proteja todas essas pessoas que estão junto de mim, e que são esses meus novos anjos da guarda.

    No primeiro show marcado no presídio você recusou, não quis fazer, teve medo; mas depois você fez, e dali pra frente foi só alegria para os presidiários. O que mudou? A cabeça dos presidiários ou a sua?

    Pois é, o presídio, pra mim, foi uma novidade quando fui convidada no Rio de Janeiro para fazer o sistema carcerário do Frei Caneca, e eu me choquei com a imagem, era um lugar muito frio, escuro, eu nunca tinha entrado numa cadeia. Quando entrei, levei um choque, e prometi que não faria show nenhum. No ano seguinte, já morando em São Paulo, fui convidada para fazer parte do elenco de show de fim de ano do Carandiru. Olha, confesso que foi bem diferente do outro, porque era um lugar aberto, mais alegre, você via criança junto. Pra mim foi muito mais divertido e consegui fazer, graças a Deus, um belo show. No dia seguinte, a comissão de internos me convidou para almoçar lá no Carandiru, eu fui, me chamaram de madrinha, perguntaram se eu toparia ser; eu perguntei o que era ser madrinha, eles me explicaram que era só frequentar lá, ir em festas, formaturas, debates, então falei que seria. Passei a frequentar o Carandiru como madrinha, e acho que consegui mudar pelo menos um minuto da cabeça daquelas pessoas ali, cada vez que eu ia lá, e minha cabeça também começou a ver o quanto é duro estar preso. Sempre luto, sempre digo para as pessoas pensarem antes de cometerem qualquer coisa que seja, qualquer delito, porque o inferno, eu digo, é numa cadeia; não é como dizem lá embaixo. O inferno existe, e é numa cadeia — essa experiência me fez ver isso. Mudou minha cabeça em respeito às pessoas, em tentar levar alegria para elas. Acho que muitos aprenderam a também ter respeito, até por mim. Porque até hoje, onde quer que eu esteja, se alguém fala “madrinha”, eu já sei que tem algo a ver com esse outro mundo. E eu sempre pergunto: “Você está de boa ou você está de ruim?” Quando você está de boa, é porque conseguiu pagar sua pena e sair e está tentando levantar a cabeça, coisa que é muito difícil, porque a gente sabe disso.

    Você foi a primeira mulher a pisar no garimpo a céu aberto, em Serra Pelada, para fazer show em meio a 60 mil homens. Durante seus shows, muitos garimpeiros atiravam pepitas de ouro em você. Apesar da proibição de sair com ouro de Serra Pelada, você diz ter levado embora algumas escondidas. Seria muito ousado perguntar onde as escondeu?

    Ui. Bem, quando se vai para um garimpo, na época, lá em Serra Pelada, você não podia sair com ouro, porque era considerado ouro do Brasil. Você poderia sair de lá se fosse com alguma joia. E essa das pepitas, quando jogaram no show, eu me assustei até, achei que não estava agradando. Eu peguei essas pepitas e consegui transformar algumas em joias, que pra mim, quando se olhava, pareciam bijuterias de terceira, mas que eram ouro puro. Porque o ouro é preto; as pessoas imaginam que é dourado, mas não é. E eu consegui trazer quatro pepitas, e digo onde escondi: no meio da minha maquiagem!

    Em muitas eleições você foi contratada para fazer show em comícios, muitas vezes se apresentando de fio dental. Fazia muito mais sucesso que os candidatos. Em 2008, você se candidatou a vereadora em Praia Grande, São Paulo, e obteve míseros pouco mais de 300 votos. O que houve? Seu bumbum provou não ser mais o melhor dos cabos eleitorais?

    Não. O que aconteceu nessa eleição é que fui convidada para ser vereadora lá, e as pessoas não acreditavam que eu morava realmente em Praia Grande, em primeiro lugar. Em segundo lugar, eu não aceitava o que o partido mandava fazer, não aceitava porque eu não achava certo. Tanto que meus santinhos foram encontrados em riachos, não ganhei carro como todos os candidatos que ganhavam carro; recebi o carro menos de uma semana antes. Então fui brigar sozinha, eu e duas amigas. Eu andava em Praia Grande a pé, empurrando uma Brasília com um pneu careca. Tanto que eu estava mais morena do que qualquer outra coisa, porque andava 24 horas pela cidade a pé. E não foi o bumbum que estava ali, era a pessoa Rita de Cássia que estava querendo brigar por coisas boas, levar coisas boas. Fui acusada também de que fazia parte de um partido que não é a minha praia, só porque fui madrinha, e sou madrinha, do sistema carcerário.

    Em seu show solo, tornou-se marca registrada convidar alguns homens para dançar com você no palco, para depois beijar seu bumbum. Você tinha prazer verdadeiro nisso ou havia um fetiche de poder aí?

    Nem uma coisa nem outra; fake news isso aí. Era uma brincadeira que eu fazia, sempre dizendo que eu gostava de cachorrinho, que era para o homem ficar lá num canto, e eu, no outro, que quando chamasse ele, tinha que ir que nem um cachorrinho de quatro. Era brincadeira. As pessoas imaginavam uma coisa, aí, quando viam o que era de verdade, morriam de rir, porque muitas vezes as esposas ou namoradas subiam no palco para bater no homem, não em mim, era pra bater neles. Então era uma brincadeira, sempre foi. Tanto que muitas personalidades já beijaram, e eu digo que dá sorte; beijar meu bumbum dá sorte.

    Já que você é 100% natural e não fez plástica, podemos dizer que esse rostinho de Paris é só truque de luz, creme caro ou só o espelho que se apaixona por você todo dia?

    Não, eu não fiz plástica. Acho que isso aqui é minha natureza, é meu DNA. Claro que a gente tenta botar um botox aqui, mas nada além disso. Quando fui a Paris, fizeram uma harmonização, e quando cheguei no Brasil corri para outro médico para tirar tudo o que poderia ter sido tirado, sacado, porque não me senti. Eu me olhava no espelho e não era Rita. E gosto de saber que sou eu, gosto de saber que tenho as marcas da idade, adoro. Não sou uma pessoa que vive passando cremes, nada; até as pessoas falam: “Pô, Rita, você é natural mesmo?” Falo: “Onde você quiser procurar, pode procurar, porque não tem nada. O máximo é um botox, e olhe lá.

    E como foi participar do “Carandiru: O Filme”?

    Acho que a melhor coisa da minha vida foi ter participado do filme Carandiru, porque é um filme que vai ficar eternamente. Ele, inclusive, é debatido em faculdades e tudo. Foi feito por Héctor Babenco e pelo Dr. Drauzio Varella, que se tornaram grandes amigos meus. E como dizia o Héctor Babenco, na próxima encarnação, ele queria voltar como Rita Cadillac. Então, pra mim, é uma honra, né?

    Em 1981 você fez um filme ao lado de Edson Celulari, “Asa Branca, Um Sonho Brasileiro”. Tempos depois, Edson Celulari estava em grande evidência, quando você, em entrevista, disse que o desempenho sexual o reprovaria na matéria. A declaração foi só para causar comentários ou você já se julgava PhD no assunto?

    O que eu falei foi que na cena não tinha nada a ver. Foi o primeiro filme de Edson Celulari, e tive o prazer de estar com ele. Quem me induziu a falar isso foi o próprio diretor, a brincar sempre com isso aí para deixar a imaginação, porque como era um filme em que as pessoas imaginavam que teria aquela cena e não teve, então por isso sempre brinquei com ele. E não tenho nada contra ele, é uma pessoa maravilhosa, um ator de primeira grandeza, e que eu tive o prazer de fazer o primeiro filme com ele. Ai, olha que honra.

    Poucas vezes se ouviu você falar a respeito de ingratidão, mas isso não vale para o cantor e compositor Zezé Di Camargo. As águas passadas da ingratidão de Zezé Di Camargo para com você ainda movem moinho até hoje?

    Não, nunca moveu moinho não. O que aconteceu foi que eu fui fazer uma matéria com a ex-esposa dele, e ela acabou perguntando se eu tinha alguma mágoa. A única mágoa que eu tinha na minha vida seria ele, porque quando o conheci, ele estava no começo da carreira, frequentava minha casa como amigo, porque nunca tive nada com ele, e eu brincava com ele sobre altura, que eu era mais alta. Quando o encontrei, anos depois, já com ele sendo Zezé Di Camargo & Luciano, maior sucesso — que, graças a Deus, fico feliz por isso — eu brinquei com ele se ele já tinha crescido, se estava maior que eu; e ele falou que estava, porque ele poderia entrar num shopping e comprar o shopping para ele. Não foi nesse sentido que eu perguntei. Ele levou para esse lado, e foi a única mágoa que tive, porque quando você está por baixo e está com alguém que te dá força, quando você estiver por cima, dê força também, ou continue sendo amigo da mesma forma, porque é o que tento a minha vida inteira fazer. Se estive lá em cima e hoje posso estar aqui embaixo, tenho que pensar sempre nisso: que amanhã posso estar lá em cima de novo. E aquela pessoa que pisou quando eu estava aqui embaixo vai descer também. É isso que levo pra minha vida, e tento sempre ser a pessoa mais correta, mais amiga, mais sincera. Prefiro dar a cara a tapa do que magoar alguém ou pisar em cima de alguém.

    Você surgiu como dançarina que rebolava e virou cantora. Depois veio Gretchen, como cantora que era dançarina, e rebolava. Começaram a dizer que vocês duas disputavam o mesmo público. Depois, com dose de maldade, disseram que disputaram também o mesmo homem: Chrystian, que era marido da Gretchen. Houve mesmo alguma dessas disputas entre Rita Cadillac e Gretchen?

    Não tenho disputa nenhuma com Gretchen. Sobre o Chrystian, tive, realmente, um affair com ele, muito tempo depois que ele se separou da Gretchen, porque na época os dois estavam casados, e surgiu um boato de que uma Chacrete tinha saído com ele. Logo acusaram quem? Eu. Fake news total, porque não fui eu, foi outra Chacrete que saiu com ele. Mas acho que isso acabou ficando na cabeça da Gretchen; não sei se ela conseguiu entender que não fui eu, e que, quando tive algum caso com ele, foi quando eles já estavam separados. Sou uma pessoa que torce por ela; sempre torci muito por ela, não tenho nada contra. Era bailarina que virei cantora; ela já era cantora. Quando eu era bailarina, ela já era cantora. Não há disputa; por que haveria?

    Você acredita que o sexo amadurecido é melhor porque vem com a experiência? Ou é bom usar uns brinquedinhos mais tecnológicos também?

    Sexo maduro é muito bom, porque você já adquiriu tanta experiência que é muito melhor. Mas botar uns brinquedinhos, apimentar com algumas coisas, nada melhor do que isso; eu uso.

    Em uma entrevista você declarou que saía com um rapaz que tinha um estranho desejo de receber uma vela apagada, claro, em um lugar pouco usual. Para você, isso de ter um parceiro, digamos, iluminado, era apenas mais uma experiência íntima?

    Quando pediu pela primeira vez, eu levantei: “tchau, bênção de Deus”.

    A Rita de Cássia gosta de um barzinho, mas quando a Cadillac entra em cena vira diva. Qual a senha mágica para a mulher discreta se transformar na deusa do palco e da cama? É só o figurino ou tem feitiçaria envolvida?

    Feitiçaria? Não. Acho que as pessoas imaginam que eu pego fogo; sou igual refrigerante: abriu, pronto, perdeu gás. A Rita de Cássia gosta de ir em um barzinho. Rita de Cássia não bebe, incrível que pareça, e Rita Cadillac também não bebe, não usa droga; ela é a pessoa mais careta. Mas quando baixa que é a Rita Cadillac, precisa ser Rita Cadillac, meu amor — não tem pra ninguém, me desculpe.

    Você acha que o pessoal da antiga tem espaço na TV de hoje?

    Não, está difícil. Eu gostaria muito que houvesse muito mais chance para muitas pessoas que, às vezes, imaginam que estão derrotadas, que estão acabadas, que não trabalham mais; porém trabalham, trabalham pelo Brasil inteiro e pelo mundo também. Há muitos que estão aí trabalhando ainda, mas que não têm chance na mídia, que não têm chance em programa. Eu gostaria muito que voltassem aqueles programas que davam chance tanto para o top de linha como para quem estava começando. Acho que faz falta: televisão, alegria, distração, humor.

    Em 1987, no Hospital Walfredo Gurgel em Natal, Rio Grande do Norte, uma travesti foi atingida por ter sido esfaqueada por um menor ao tentar assediá-lo à força. O apelido da travesti era Rita Cadillac. Como isso repercute em você?

    Pela primeira vez estou sabendo disso. E olha, não sou adepta disso, não acho certo você mexer com crianças. Jamais! E não sabia disso — pra mim é novidade.

    Existe diferença entre você na TV e você de verdade?

    Existe total diferença. A Rita de Cássia e a Rita Cadillac. Na TV, sou Rita Cadillac. Na minha vida, sou Rita de Cássia, aquela mulher que tem amigos, chora, sofre, trabalha, tem que ralar muito, faz comida, é mãe, é amiga. A Rita Cadillac, meu amor, só quer saber de subir no palco, trabalhar, fazer show, ir à televisão, participar de novela, participar de filmes, participar de teatro — como já fiz também, e que pessoas de repente nem sabem, mas eu já fiz teatro.

     

    No Alvo” é exibido toda segunda-feira, às 23h15 (horário de Brasília), no SBT e no +SBT.

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