*José Renato Nalini
A conscientização da sociedade
quanto ao cataclismo climático precisa de protagonismo em escala suficiente
para o enfrentamento dos fenômenos extremos, resultantes do aquecimento global.
Embora grande parte da população ainda não encare com a necessária seriedade a
questão, é possível apontar bons exemplos que, felizmente, existem ou existiram
em todas as cidades.
Um excelente exemplo é o do
arquiteto Raul Pereira, autor de inúmeros projetos de arquitetura paisagística,
um cultor do ambiente e responsável por obras que se espalham pelo Brasil e que
trataram a natureza com o respeito que ela merece.
Na década de oitenta, ele
desenvolveu no município de Diadema, o programa “Fruta no quintal”, que
consistiu num abrangente movimento que envolveu todas as escolas estaduais e
municipais e que entusiasmou o alunado local.
Além da transmissão de conhecimento
ecológico, uma formação transversal com a participação de docentes de várias
disciplinas, ele descobriu que Diadema, a cidade mais densamente habitada do
Estado, não dispunha de muitas áreas que pudessem receber plantio. Mas havia
terreno aproveitável dentro das unidades de ensino. Elas receberam árvores e,
depois da formação dos educandos, estes recebiam mudas de espécies frutíferas
para que plantassem em suas casas.
A participação de todos os
envolvidos, principalmente das crianças, evidenciou que o tema natureza é
sedutor e sensibiliza os mais jovens, as vítimas preferenciais dos eventos que
já acontecem e que continuarão a ocorrer, com frequência e intensidade cada vez
maiores.
Essa experiência também ocorreu,
agora com o nome “Projeto Mutirão” e, em seguida, “Mutirão Verde”, na cidade de
Osasco. Prova de que arquitetos bem sucedidos, chamados a projetar obras memoráveis,
também encontram disposição e tempo suficiente para desenvolver iniciativas
benéficas para as atuais e futuras gerações.
Gestos como os do Arquiteto Raul
Pereira são dignos de encômios e precisam merecer divulgação e apoio. E que
sejam replicados em outras cidades, pois todas precisam de mais verde e de mais
consciência ecológica.
Que saudades do tempo em que todas
as casas tinham quintais com mangueiras, laranjeiras, ameixeiras, pitangueiras
e outras espécies nossas. Será que hoje isso é mesmo impossível?
*José Renato Nalini é Reitor
da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo de
Mudanças Climáticas de São Paulo.

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