*José Renato Nalini
Os carros elétricos chineses estão
cada vez mais baratos. A BYD, que é a maior fabricante de veículos elétricos da
China, reduziu o custo de vinte e dois modelos elétricos e híbridos. O preço
inicial de seu modelo mais barato o Seagull, caiu para 43 mil reais. E parece
que o preço poderá cair ainda mais.
É um estímulo a que todas as pessoas
só adquiram veículos movidos a energia limpa, no caso a elétrica. Parece que a
tendência de baixa preocupa a China, que reprime a competição improdutiva e
autodestrutiva entre empresas e governos locais. Criou-se um excesso de
capacidade com a consequente redução dos lucros.
Existem cento e quinze marcas
chinesas de veículos elétricos, de acordo com a Jato Dynamics, uma empresa de
pesquisa. Mas a BYD é a mais conhecida e a mais lucrativa. Ela tem escala de
produção e integração vertical. Controla tudo, desde direitos de mineração de
minerais necessários para construir suas próprias baterias, até navios de carga
para transportar seus carros para mercados estrangeiros.
Mais da metade da produção da BYD
será para a exportação, principalmente para a América Latina. Que o Brasil se
beneficie, podendo comprar carro mais barato e não poluente. E vêm aí os
veículos elétricos de longo alcance: Erevs, na sigla em inglês. Têm pequenos
motores da gasolina que servem apenas como geradores para estender o alcance de
suas grandes baterias.
A opção pelo carro elétrico é uma
urgência imposta pelo agravamento das emergências climáticas, resultantes do
aquecimento global produzido pela excessiva emissão de gases venenosos do
efeito-estufa. Se o que é bom vier a ser ainda mais barato, é disso que o
consumidor brasileiro está a necessitar. Agora, mais do que nunca, diante da
geopolítica de retrocesso que tomou conta de boa parte do mundo.
Agora falta todos os governos –
União, Estados e Municípios – incentivarem a aquisição e o uso de carros
elétricos. Sem isso, ainda que o custo seja menor, a ignorância será uma
resistência natural à transição energética de que a humanidade está a
necessitar com pressa. Sem ela, as consequências serão nefastas. Não é pagar
para ver.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário
Executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo.

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