Ensinaram que Deus é bom, mas cuidado com Ele!

 José Reis Chaves



Sim, aprendemos em nossa cultura cristã que Deus é bom e até muito bom, mas que temos que ter cuidado com Ele, pois, Ele pode nos jogar no Inferno e de cabeça para baixo! Está tudo errado. Primeiro porque Ele é amor (1 João 4: 8) e infinito, pois, seus atributos são todos infinitos. Jamais pode faltar Nele amor para com todas as suas criaturas.

O tal de inferno existe. Mas ele é figurado. Não é um local geográfico de sofrimentos atrozes criado por Deus, pois, Deus não é um terrorista. Ademais, não é para sempre. Certamente, alguém diga que está na Bíblia que ele é eterno (“aeternus” em latim”), mas que significa tempo indeterminado e não sem fim como ensinaram para nós. Sem fim seria sempiternus e não eternus (temporário). O respeitado teólogo São Gregório de Nissa do Século IV, irmão de São Basílio, foi um dos grandes primeiros teólogos do cristianismo primitivo. E não aceitava o inferno sem fim, mas temporário, como o Purgatório. Ademais, Jesus disse que ninguém deixará de pagar tudo até o último ceitil (Mateus 5: 26), o que significa que pago o último ceitil, não vamos pagar mais nada, o que joga por terra, totalmente, as penas infernais sem fim ou sempiternas.

Cito aqui o livro “Matar os Nossos deuses, em Que Deus Acreditar? José María Mardones espanhol, Editora Ave-Maria, pois, identifico-me com algumas de suas ideias teológicas que considero corretas e oportunas. E ele, sem ser bispo, nem latino-americano, foi convido pelo Vaticano para participar do Concílio Ecumênico dos Bispos Latino-Americanos realizado em Santiago do Chile. Infelizmente, ele morreu muito novo com apenas 31 nos.

Respeitamos muito os teólogos do passado, pois, agiram com a melhor de suas boas intenções, ou seja, com boa-fé e alguns até eram santos. Mas, para falarem sobre Deus, eram muito poucos como, aliás, até os de hoje ainda o são. Os teólogos antigos e nós sabemos pouco sobre Deus, mas falamos muito sobre Ele! E quanto mais falarmos sobre Deus, mais riscos corremos de falarmos besteiras sobre Deus, pois a nossa tendência é antropomizarmos Deus, colocando Nele nossas mazelas!


José Reis Chaves é professor de português e literatura formado na PUC Minas, ex-seminarista Redentorista, jornalista, escritor, entre seus livros: "A Reencarnação na Bíblia e na Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Ed. EBM-Megalivros, SP, ambos lançados também em Inglês nos Estados Unidos e tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, Ed. Chico Xavier.  contato@editorachicoxavier.com.br Cássia e Cléia. Programa “Presença Espírita na Bíblia, na TV Mundo Maior” e coluna no jornal O Tempo de Belo Horizonte. Vídeos de palestras e entrevistas em TVs no Youtube e Facebook. 
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