*José Renato Nalini
Os cientistas estão desesperados.
Cada mês é mais quente do que o anterior. O observatório europeu Copernicus
anunciou janeiro como o mês mais quente da História. Foi suplantado por
fevereiro. Foi o 19º mês em que as temperaturas médias globais do ar
superficial foram superiores a 1,5ºC acima do nível da era industrial.
O recorde de calor coincide com o
aumento nas emissões de gases de efeito estufa que a humanidade insiste em produzir.
Cada fração de grau de aquecimento acima desse nível de 1,5ºC, aumenta a
intensidade e a frequência de eventos climáticos extremos: ondas de calor,
chuvas intensas e secas. Tudo junto e misturado. Atônitos os climatologistas e
os responsáveis por previsão do tempo.
Isso faz com que o consumo de
energia também bata recorde, porque o Operador Nacional do Sistema Elétrico constatou
que em dia de elevada sensação térmica, o ar condicionado é mais utilizado.
Para não sofrer estresse térmico, é
preciso manter-se hidratado, mesmo sem sentir sede. Evitar ingestão de álcool e
refrigerante com alto teor de açúcar. Usar água fria para se refrescar. Vestir roupas
leves, proteger-se do sol e usar protetor solar. Evitar atividade física nas
horas mais quentes do dia e usar umidificador de ar ou toalhas molhadas nos
ambientes internos. Sem isso, o risco de desidratação e de insolação é certo.
Idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão
e diabetes estão no grupo de risco.
Será que ainda existe alguém que
negue os efeitos nocivos das temperaturas elevadas? Alguém ainda duvida de que
o calor mata?
A única boa perspectiva é que a transição para a energia limpa é inevitável e deve ser acelerada. E neste 2025 de COP30, o Brasil inteiro tem de pensar em intensificar a arborização. Árvore é a maior ferramenta para redução da temperatura, entre outros benefícios que oferece gratuitamente a esse insensato bicho-homem.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
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