*José Renato Nalini
A ciência tem alertado a humanidade
sobre o maior perigo que a ameaça. É a traumática mudança climática, ora
convertida em emergência inafastável. No fundo, uma questão singela. Sabe-se
que o planeta enfrenta fenômenos extremos. Conhece-se a causa: a emissão de
gases venenosos, geradores do efeito-estufa. Não se desconhece como interromper
o caminho rumo à catástrofe derradeira: descarbonizar o mundo.
Nada obstante, pouco se faz nessa
direção. Os maiores emissores continuam a empestear a Terra, como se também não
estivessem condenados a perecer, no dia em que a atmosfera for irrespirável.
Diante disso, quais os cenários que
se permite vislumbrar?
A desertificação de boa parte do
planeta, com a fome e a miséria crescentes. A multiplicação dos refugiados do
clima.
O derretimento das calotas polares,
a elevação do nível dos oceanos e a submersão de países insulares, além do
desaparecimento de algumas das cidades da orla.
Drástica redução da biodiversidade,
com o desaparecimento de espécies, muitas delas ainda não completamente
conhecidas ou desvendadas pela humanidade insensata.
Escassez hídrica em inúmeros
lugares, produzindo conflitos cruentos porque as guerras deste século 21 serão
travadas em torno à falta d’água, o líquido que, ao contrário do petróleo, não
pode faltar às espécies vivas, sejam animais, sejam vegetais.
Isso tudo, sem falar nas novas
epidemias que surgirão diante das indizíveis vulnerações ao ambiente, que
deixou de ser amistoso, quando um seu integrante – a criatura que se
autodenomina racional – passou a maltratá-lo e a hostilizá-lo de maneira insana
e cruel.
Estes os cenários possíveis e
lastimáveis, se tudo continuar a ocorrer como hoje: depois de vinte e nove
COPs, reuniões da ONU para cuidar do meio ambiente, os acordos não são
cumpridos, o petróleo continua em alta, ainda existe negacionismo e quem
defenda o desmatamento, o extermínio do futuro e não se comove diante do
lamento da natureza.
Se você não quer que isso se concretize,
acione os seus representantes e peça a eles façam valer as recomendações dos
cientistas. É possível que ainda se consiga salvar o projeto humano e garantir
vida saudável para as gerações do amanhã.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.


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