*José Renato Nalini
A criança é um ser em construção. Merece
todos os cuidados e atenções. Antes mesmo de nascer, à gestante é garantida
assistência para que o nascituro chegue à luz com os nutrientes essenciais ao
seu desenvolvimento. Vacinação, puericultura, vitaminas, os clássicos “jardins
de infância” e pré-escola. Tudo já existe e merece continuidade e
intensificação, inclusive com assimilação dos benefícios que a ciência e a
pesquisa asseguram, no rumo da presumível perfectibilidade da vocação humana
sobre o planeta.
Mas há um tema especial, que nem
sempre entrou no radar das municipalidades. Os desastres ambientais, que se
tornarão cada vez mais frequentes e mais fortes, mercê das emergências
climáticas. Crianças e adolescentes, junto com os idosos – e a velhice não é
uma espécie de retorno à infância? – são as vítimas preferenciais desses
fenômenos.
De acordo com o Unicef, quarenta
milhões de meninos e meninas estão expostos a mais de um risco climático ou
ambiental no Brasil. Isso prejudica o desenvolvimento físico pleno, além do
social e emocional. Impacta educação, saúde, lazer, segurança e vida dessas
crianças e adolescentes. Também existe relatório do Health Effects Institute
com o Unicef, divulgado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, noticiando que
ao menos quatrocentos e sessenta e cinco crianças menores de cinco anos morrem
por dia no Brasil, em razão de doenças potencialmente causadas ou agravadas
pela poluição do ar.
O Brasil que tem mais faculdades de
direito do que a soma de todas as outras espalhadas pelo restante do planeta
deveria observar o artigo 227 da Constituição, que estabelece absoluta
prioridade para os direitos inerentes à infância e adolescência.
O município de São Paulo foi o
primeiro a criar a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas e a aprovar o
Planclima, um Plano de Ação Climática, ora em plena execução e já em revisão,
depois de quatro anos de vigência. É urgente que cada município tenha um Plano
Municipal de Adaptação Climática e de Mitigação de Riscos de Desastres. Escolas
e equipamentos públicos devem ser adaptados para abrigar os munícipes, principalmente
crianças, durante o período de temperaturas elevadas, que vai ser,
lamentavelmente, o maior período a cada ano.
É dever de cada município não só
arborizar-se para que o verde predomine, como fazer campanha de conscientização
para a comunidade também amar a árvore, zelar por ela, colher sementes, fazer
mudas, formar viveiros, ensinar a plantar e a cuidar. Com as crianças, essa
missão é facilitada, porque elas têm sensibilidade para saber que árvore é a
maior amiga do ser humano, capaz de amenizar as agruras de um clima que só se
tornou hostil, por força da insana conduta do bicho-homem, que não respeita a
natureza, mas parece preferir exterminá-la.
Que cada prefeito coloque em sua
consciência o carinho preferencial pelas crianças e não terá em sua consciência
o remorso de perda de vidas durante sua gestão, por omissão das obrigações que
recaem sobre os responsáveis pelo comando da cidade.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo
das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários
Postar um comentário