*José Renato Nalini
O desastre que já chegou à Terra e
que mostra a palpável realidade do desaparecimento de qualquer espécie de vida,
tamanha a insensatez perpetrada contra a natureza, não desperta os políticos,
nem os empresários, nem os demais poderosos.
Apenas algumas almas sensíveis são
capazes de detectar a dimensão da desgraça. Por isso, resta apelar para os
poetas, para os filósofos, para os escritores, para os fotógrafos, pintores,
artistas plásticos, grafiteiros, músicos, intérpretes e outros humanos providos
desse especial talento para detectar o que a fatia rude do “sapiens” não é
capaz de enxergar, que façam um esforço para salvar o planeta.
Muitos já estão fazendo isso. assim
a ArtBO, a feira de arte na Colômbia que expõe pinturas, desenhos, vídeos e
instalações nessa Feira Internacional de Arte de Bogotá. Ali se pode enxergar o
vede das árvores, folhas, flores, a beleza luxuriante que está desaparecendo.
Selvas figurativas de Tatiana
Arocha, os rios em grafite de Santiago Reyes, a vegetação aquática de Brenda
Cabrera, as árvores de arame de Luis Fernando Pelaez.
O questionamento da exposição é a
crise ambiental. E o Brasil deveria, neste momento dramático em que arde em
chamas, em que a água vai acabando, a poluição aumentando, o volume de resíduos
sólidos crescendo de forma desmesurada, congregar os seus artistas e fazer
manifestações que chegassem à consciência da população.
A sociedade civil não tem exigido do
governo, que existe para servi-la, uma atitude responsável diante dos
descalabros intensificados. Não é possível entregar este país, que já foi
considerado “promissora potência verde”, e que foi reduzido a “pária
ambiental”, ao final melancólico de uma terra devastada, imprópria para a vida,
um grande deserto onde será quase impossível a persistência de qualquer espécie
de existência viva.
Os artistas já estão sofrendo com a
emergência ambiental, que afeta a todos, mas principalmente aos mais frágeis,
vulneráveis, excluídos, carentes, pobres e enfermos. Idosos e crianças, as
vítimas preferenciais. Só a arte pode sacudir a mentalidade inerte e passiva
que apenas observa a tragédia, como se ela não lhe dissesse respeito.
Unamo-nos, artistas, pensadores e
seres sensíveis. Tentar evitar a catástrofe, cuja chegada é evidente e só os
irresponsáveis é que não a pressentem.

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