*José Renato Nalini
A vida é um dom gratuito, concedido a
todos os animais e vegetais. Como é gratuito, passa-se a considera-lo sem
valor. É o que explica o desaparecimento de tantas espécies de nossos irmãos,
os que consideramos irracionais. Os que são chamados, singelamente, animais.
Um estudo denominado “Planeta Vivo”,
elaborado pela ONG WWF e publicado poucos dias antes da frustrada COP16 da
biodiversidade, realizada na Colômbia, demonstra que 73% da população de
animais selvagens já desapareceram.
É o percentual de redução do tamanho
das populações, grupos de animais de uma mesma espécie e que compartilham um
habitat comum. São mais de cinco mil e quinhentos vertebrados, entre mamíferos,
aves, peixes, répteis e anfíbios, que formam trinta e cinco mil populações, que
minguaram. O controle é feito pela Sociedade Zoológica de Londres desde 1998. A
cada ano que passa, menos animais em cada grupo.
É um dado preocupante para avaliar a
saúde dos ecossistemas naturais, com evidentes consequências para a saúde
humana, para a alimentação e para a mudança climática.
Os humanos, tão ciosos de sua
superioridade sobre as demais espécies, esquecem-se de que o sistema vida é um
intrincado e complexo elo que vincula cada qual e o conjunto todo, que não
suporta destruição na sequência existencial. Rompido um elo, os outros sentirão
e registrarão essa perda.
A destruição do verde implica em
desaparecimento de espécies chamadas irracionais, cuja redução vai causar
crises devastadoras no ambiente e afetarão, inevitavelmente, a saúde e a
sobrevivência dos pretensiosos integrantes da categoria humana.
Estamos caminhando rapidamente para
transformar o “Planeta Vivo” em “Planeta Morto”. Será que nos damos conta disso
ou marchamos, inadvertida ou descuidadamente, rumo ao apocalipse?
Quem ainda tiver um resíduo de juízo
deverá se questionar: sou parte da possível e eventual solução, ou integro a
parte maligna daqueles que se encarregaram de colocar um termo à esplêndida
aventura humana sobre o planeta?
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
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