*José Renato Nalini
O negacionismo continua inabalável,
a dizer que os incêndios que se multiplicaram em agosto e continuarão nos
próximos meses, são “naturais”. Nada é natural. Tudo é consequência da
insensatez humana ao insistir no uso de combustíveis fósseis que expelem gases
venenosos, causadores do efeito estufa e de destruir as florestas que poderiam
garantir clima saudável para todos.
Não vai chover de setembro a
novembro no Brasil. E ninguém garante que a chuva ocorra depois. Com isso, o
recorde de incêndios na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado expelirão fumaça que
chegará até São Paulo. E, infelizmente, nosso Estado que só possuía fogo
excepcionalmente, está posto em chamas pela criminalidade.
O Instituto Nacional de Pesquisas
Especiais apurou o pior registro da situação na Amazônia brasileira; são 38.266
focos. Uma rotina de fogo e fumaça. Ambos maléficos, ambos letais.
No Acre, o governo proibiu
atividades físicas nas escolas e recomendou o uso de máscaras pela população. É
surreal o registro de 270 microgramas de material particulado por metro cúbico,
se o índice que indica ar péssimo não poderia ultrapassar 125 microgramas.
As colunas de fumaça partem da
Amazônia, são desviados pela Cordilheira dos Andes e chegam ao sudeste. Aqui,
nem precisaríamos da fumaça amazônica, pois temos os nossos próprios incêndios.
As cidades que registravam incêndio na primeira semana de setembro eram
Jardinópolis, Dois Córregos, Pedregulho, São Simão, Pompéia, Piracicaba, Monte
Alegre do Sul, Altinópolis e Cunha. Outras quarenta e oito cidades estão em
alerta máximo para incêndios. A umidade relativa do ar está em 20%, quando o
mínimo para não prejudicar a saúde seria 60%.
O que fazer com o bicho-homem, que
prefere acabar com o planeta, em lugar de conservá-lo tão saudável como o encontrou
ao nascer?
Que haja juízo em todas as cidades,
para a recomposição de suas matas, para a formação de florestas urbanas, para a
regeneração das matas ciliares e restauração dos córregos que sepultamos para
construir vias asfálticas, a serviço do automóvel.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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