O MDB é
o partido que mais saiu perdendo em Jales, nestas eleições de 2024. Perdeu vários filiados em março/abril, durante os 30 dias da janela partidária. E pela segunda vez – desde 1968, ano de sua primeira eleição municipal – ficou sem representante eleito na Câmara Municipal de Jales.
Em 2012,
depois de 10 eleições, o PMDB ficou pela primeira vez sem representante eleito no Legislativo Municipal. Naquele ano, Marynilda Cavenaghi (PMDB) – hoje vice-prefeita pelo PP – foi a quinta mais votada com 829 votos válidos, mas a legenda não obteve votos suficientes para lhe garantir o mandato.
Em 2020,
a Enfermeira Carol Amador (MDB) foi a segunda candidata a vereador mais votada, tendo conquistado 871 votos. Foi eleita e está cumprindo o mandato que vai terminar neste ano de 2024.
Em 2024,
Carol Amador se colocou novamente na segunda posição entre os candidatos mais votados, obtendo 931 votos válidos. No entanto, desta vez a legenda emedebista não obteve votos suficientes para lhe assegurar uma vaga na Câmara a partir de 2025.
Ficando sem
representante eleito – tanto no Legislativo e como no Executivo – o MDB local tem que explicar a si mesmo o que está ocasionando o seu declínio. Depois disso, para não se aniquilar, terá que passar por uma reciclagem total.
O candidato
a vereador Felipe Henrique dos Santos Bernardo – identificado nas urnas como Felipe Bernardo (PSD/foto) – foi outro injustiçado. Obteve o oitavo lugar entre todos os candidatos com 611 votos válidos. Não foi eleito por causa da famigerada legenda partidária que somou apenas 1.191 votos. (foto/site/tse)
O vereador
Riva Rodrigues atuou na Câmara de Jales pelo Partido Popular Socialista (PPS) – atual Cidadania – tendo vencido nas eleições de 2000, 2004 e 2008. Não participou das eleições de 2012 e 2016. Migrou para o PP e voltou a ser eleito em 2020.
Agora em 2024,
Riva Rodrigues conquistou seu 5º mandato, disputando novamente pelo PP. Ficou em segundo lugar entre os concorrentes, com 810 votos. Das eleições de 2020 para estas de 2024, ele agregou apenas 1 voto na sua contagem eleitoral.
No histórico
eleitoral, Riva Rodrigues se elegeu vereador em 3 anos consecutivos pelo PPS: em 2000 em 3º lugar com 898 votos; em 2004 em 5º lugar com 801 votos; em 2008 em 4º lugar com 1.133 votos.
Depois de
não se candidatar em duas eleições, Riva Rodrigues se elegeu vereador em 2 anos consecutivos pelo PP: em 2020 em 3º lugar com 809 votos; em 2024 em 2º lugar com 810 votos. Mudando de partido e descontinuando sua participação política, ele mantém um eleitorado cativo. Provavelmente por fazer boas relações pessoais.
Houve uma
ocorrência inusitada nestas eleições em Jales: 916 eleitores optaram por registrar votos de legenda. Eles escolheram nas urnas apenas as associações políticas preferidas e ignoraram os candidatos a vereador.
As 12 associações
políticas participantes receberam nas urnas os 916 votos de legenda, válidos para a escolha de vereadores. O Partido Liberal (PL) recebeu 492 votos de legenda. A Federação de PC do B, PT e PV recebeu 96 votos de legenda. As demais associações receberam votos de legenda entre 18 e 47 votos.
A composição
do quadro de vereadores para a Câmara Municipal de Jales – para a 18ª Legislatura (2025 a 2028) – saiu de acordo com o planejado pelo staff de campanha do prefeito reeleito Luís Henrique (PL).
Dos 10 vereadores
considerados eleitos até o momento, apenas o Professor Luís Especiato (PT) estaria fora da lista de planejamento do Executivo; portanto, dentro da lista de oposição. O futuro dirá o resultado disso.
Como se sabe,
os vereadores Ricardo Gouveia (PP) com 668 voto e Bismark Kuwakino (PSDB) com 559 votos estão com as candidaturas “sub judice” (em julgamento), aguardando decisão dos tribunais superiores.
Nos bastidores
dizem que, com decisão favorável a ambos, duas cadeiras podem mudar de dono, entre elas a cadeira de oposição. Se isto acontecer, o prefeito passará a contar com a lealdade dos 10 vereadores.
João Zanetoni,
na legislatura de 2017 a 2020, foi vereador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Hoje, na legislatura de 2021 a 2024, é vereador pelo Partido Social Democrático (PSD). Nestas eleições de 2024, migrou para o Republicanos. Obteve 229 votos, que foram insuficientes para manter sua cadeira na Câmara Municipal.
O jurista,
professor, escritor e ex-magistrado Walter Fanganiello Maierovitch, em entrevista no último final de semana, ao jornal O Estado de São Paulo, fez algumas declarações importantes sobre questões eleitorais no Brasil.
Maierovitch
considera excessivo ao país ter mais de 30 partidos políticos. “Os candidatos são obrigados a estar filiados em partidos políticos. Mas em outros tempos os partidos tinham ideologia, linha de ação política conhecida. Os eleitores votavam, levando em consideração os partidos”, disse
Atualmente,
continuou ele “os partidos políticos não funcionam como antes. Hoje as pessoas votam em pessoas, não votam nos partidos, não prestam atenção nos partidos. Os partidos perderam a identidade, perderam o respeito”.
No entanto,
parece ser um requisito atual que os eleitores estejam divididos, armados e preparados para silenciar ou eliminar os que pensam de modo diferente. Os cidadãos do país ficam marcados pela polarização política.
Por tais razões,
Maierovitch afirma ser necessária uma ampla reforma na legislação eleitoral para evitar situações que ocasionem descaminhos. Deve haver juízes e promotores exclusivos para as questões eleitorais no país.
Das 26 capitais
estaduais do país, 11 tiveram prefeitos eleitos no primeiro turno. O PSD venceu em 3 capitais; o MDB venceu em 2 capitais; o PL venceu em 2 capitais; o União venceu em 2 capitais; o PSB venceu em 1 capital; o Republicanos venceu em 1 capital.
Nas demais
capitais (15), em cada uma haverá a disputa entre dois candidatos a prefeito. Terão chances de vencer: o PL = 09 chances; o PT e o União = 4 chances cada um; o MDB = 3 chances; o PP, PSD e o Podemos = 2 chances cada um; o PDT, o PMB, o Avante e o PSOL = 1 chance cada um.
Pode-se ver
que PL se destaca por estar nas disputas de segundo turno em 9 capitais. No entanto, em todas as disputas para os prefeitos das 26 capitais brasileiras estão envolvidos 13 partidos políticos. Sim, os eleitores preferem votar nos candidatos.
Na eleição
de prefeito de Jales em 2020, os votos brancos, nulos e as abstenções somaram 49,4% do eleitorado. Luís Henrique (PSDB) venceu com a votação de 31,4% do eleitorado. Os dois concorrentes (PT e PV) perderam com 19,2% dos votos do eleitorado.
Já na eleição
de prefeito em 2024, os votos brancos, nulos e as abstenções caíram para 35,8% do eleitorado. Luís Henrique (PL) venceu com votação maior: 57,8% do eleitorado. O único concorrente (DC) perdeu com apenas 6,4% dos votos do eleitorado.
Evidentemente,
as eleições ofereceram cenários diferentes ao eleitorado, que reagiu de modo diferente e produziu resultados diferentes. Tudo isso acabou surpreendendo os observadores porque os eleitores não exteriorizavam suas intenções de voto.
Os resultados
de eleições anteriores mostram que o eleitorado reage de modo diferente, conforme o cenário eleitoral. De 2000 a 2016, os cinco prefeitos eleitos foram: José Carlos Guisso (PSDB), Humberto Parini (PT), Humberto Parini (PT), Eunice Mistilides (PTB) e Flávio Prandi (DEM).
Numa metáfora,
digamos que um bar-restaurante de beira de estrada ofereça o seguinte cardápio. A = arroz, feijão e bife. B = arroz, feijão e omelete. C = misto quente. Conforme a fome e a predileção dos viajantes, diferentes parcelas deles farão cada escolha.
Há muitas
análises sobre os comportamentos dos eleitores. Há quem diga que os eleitores são pragmáticos e quem diga que os eleitores são pendulares. Ou seja, que há eleitores agem com objetivos práticos e eleitores que agem como pêndulos (que se movimentam, mudando de posição em cada eleição).
Em todo caso,
a frase “ouvir os recados das urnas” tem sentido. Não se deve acreditar que “o povo não sabe votar”. Claro que os eleitores não são perfeitos. Mas não se deixam enganar ingenuamente repetidas vezes.
Os partidos
políticos e os candidatos vencedores devem comemorar. Mas devem buscar a realização de trabalhos que resultem em benefícios para a sociedade e devem se aproximar do público para estreitar laços de confiança, para evitar futuros fracassos.
O economista
Lucas Machado Ferreira (MDB/foto), de 34 anos, apoiado pela coligação “Renasce a Esperança” (Republicanos, PP, MDB e Federação PSDB/Cidadania), foi eleito prefeito de Itajá (GO). A cidade fica a 210 Km de Jales. Ele obteve 53,44% dos votos válidos. Para alegria dos tios, Neide Maria e Roberto Carvalho (este, diretor da Folha Noroeste).


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