*José Renato Nalini
A mais grave ameaça que já se abateu
sobre a humanidade está em pleno e acelerado curso. O resultado do aquecimento
global, insensatez humana que arremessou e continua a arremessar toneladas de gases
venenosos expelidos por combustíveis fósseis.
Todos sabem disso. Poucos os que se
propõem a escapar da tragédia. O Brasil sempre foi um misto de ufanismo e de
complexo de vira-lata. Somos detentores da maior e última – aliás agonizante –
floresta tropical do planeta. Detentores da maior quantidade de água doce,
líquido valioso pelo qual as nações irão guerrear ainda este século.
Mas somos alvo de maldições. Povo
atrasado, iletrado, inculto, rústico, ignorante e dendroclasta.
Ainda existe salvação no horizonte
tupiniquim. Bastaria levarmos a sério a transição energética. Deixar de pensar
em explorar petróleo na foz do Amazonas e reassumir a postura de promissora
potência verde. O desmatamento “zero” não pode ficar para 2030. Tem de ser para
já!
Fixar o ano de 2030 lembra a piada
do estuprador que ouve da vítima: “Você tem meia hora para sair de cima de
mim!”. É ridículo. Mas temos condições de exportar bens com baixo conteúdo de
carbono, produzidos com energia renovável, que temos em abundância.
Podemos preservar as florestas e,
nisso, é importante que todas as Prefeituras recuperem suas áreas e façam
florestas urbanas em seu território. Toda árvore é bem vinda. O Brasil precisa
de mais de um bilhão de árvores, tamanha a desfaçatez do extermínio. E é
obrigação nossa comercializar créditos de carbono derivados do replantio em
pastagens degradadas. Isso é plenamente possível. Se começar em cada cidade,
talvez o governo federal se convença de que é seu dever cuidar de estabelecer
condições de sobrevivência das futuras gerações, e não condená-las a um precoce
desaparecimento, causado por nossa loucura indomável.
Toda pessoa com discernimento e
sensibilidade tem condições de exigir de sua Prefeitura, que preste contas
sobre o que está fazendo em relação às emergências climáticas, pois as vítimas
seremos todos nós. Agir enquanto é tempo. Ele está correndo depressa e se
tardarmos demais, adeus humanidade.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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