José Reis Chaves
É consenso geral entre os teólogos, principalmente os cristãos de todos os tempos, que Deus é imutável. Assim, a doutrina de que Deus em Jesus Cristo se tornou homem no Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 325, entra em choque com a tese de que Deus é imutável.
Por vários motivos filosóficos e científicos da física clássica e da moderna quântica, Deus é sempre o mesmo, sendo Ele incriado e a causa primeira de tudo que existe e vier a existir. Dizendo de outro modo, Deus é a única causa não causada.
A Igreja, por ter sido muito poderosa na Idade Média, inclusive, antes e depois dela, influiu muito contra o desenvolvimento científico daqueles tempos, mas exatamente por causa do ainda pouco desenvolvimento científico e filosófico em geral da época, ora ela prejudicava-o, ora colaborava com ele, sim, pois o clero sempre teve uma sólida e respeitada cultura geral e, portanto, tinha que influenciar a evolução de suas respectivas épocas. Mas, repetimos, por causa do próprio atraso cultural da época, a Igreja, por questões doutrinárias ainda mal definidas, acabou prejudicando esse desenvolvimento científico e as suas próprias doutrinas. Porém, como diz o ditado popular, errando aprendemos, a Igreja deu a volta por cima, recuperando-se e até passou a colaborar bastante com o desenvolvimento científico e filosófico em geral, de que são provas as suas numerosas Pontifícias Universidades Católicas (PUCs) espalhadas por todo o mundo, inclusive, em países cujos religiosos são de minoria católica.
Quanto à imutabilidade ou permanência de Deus, ainda existem no cristianismo controvérsias, como a citada acima do Concílio de Niceia, que precisam ser resolvidas, para que elas não sirvam de pretextos para que seus adversários não tenham motivos para continuarem desacreditá-lo.
O fundamento principal que o cristianismo herdou do judaísmo e do próprio Jesus Cristo que, aliás, é o maior judeu da História, é o monoteísmo praticado no Oriente Médio e em suas vizinhanças, enquanto o resto do mundo, naquela época, era todo politeísta. E com todo o respeito à doutrina de Niceia, cremos que Jesus é um Deus humano, como todos nós somos: “Vós sois deuses” (Salmo 82:6; e João 10:34). Porém, entre nós, Ele é um Deus muito especial, mas tanto Ele como nós somos deuses relativos, enquanto que o Deus Pai de Jesus e de todos nós, incriado e único é Deus absoluto! E este Deus verdadeiro do Judaísmo e do próprio Jesus Cristo e para o qual Jesus Cristo orava e nos ensinou a orarmos também a Ele, com portas e janela fechadas, é que é verdadeiramente imutável.
José Reis Chaves é professor de português e literatura formado na PUC Minas, jornalista, escritor, entre seus livros: "A Reencarnação na Bíblia e na Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Ed. EBM-Megalivros, SP, ambos lançados também em Inglês nos Estados Unidos e tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, Ed. Chico Xavier. contato@editorachicoxavier.com.br Cássia e Cléia. Programa “Presença Espírita na Bíblia, na TV Mundo Maior” e coluna no jornal O Tempo de Belo Horizonte. Vídeos de palestras e entrevistas em TVs no Youtube e Facebook.

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