O carbono estocado nas áreas de produção e preservação e no solo do cinturão citrícola foi estimado em 36 milhões de toneladas
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Estudo liderado por uma parceria entre a Embrapa e o Fundo de Defesa dos Citros ( Fundecitrus ) identificou mais de 300 espécies de animais silvestres no chamado Cinturão Citrífero Brasileiro, que compreende o estado de São Paulo e a região Sudoeste/Triângulo Mineiro do estado de Minas Gerais. A pesquisa encontrou principalmente aves e mamíferos circulando ou vivendo nos ambientes de produção de citros de cinco fazendas de laranja. A investigação científica também estimou que cerca de 36 milhões de toneladas de carbono estavam armazenadas nas laranjeiras, no solo e nas áreas de vegetação nativa.
O projeto foi selecionado pela empresa britânica Innocent Drinks ' Farmer Innovation Fund, que financia os seus fornecedores de ingredientes em iniciativas que apoiam a transição para uma agricultura de baixo carbono, maior biodiversidade e práticas agrícolas mais justas.
Os resultados do levantamento da fauna, incluindo a lista das espécies identificadas, serão divulgados no dia 10 de maio, durante o lançamento do Levantamento de Estimativa da Safra de Laranja 2024/2025. O evento acontecerá na sede do Fundecitrus, em Araraquara, SP, a partir das 10h, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da instituição .
“Estamos comemorando 10 anos da Previsão Safra da Laranja ( PES ) e temos a satisfação de apresentar os resultados do trabalho de preservação da fauna na citricultura, que foi realizado em parceria com a Embrapa. Hoje, o incentivo às boas práticas agrícolas, ao manejo sustentável e à manutenção da cadeia produtiva da citricultura, aliado à preservação dos recursos naturais, são práticas essenciais e indispensáveis, não só para a fauna, mas também para o ecossistema como um todo, e favorecem tanto gerações presentes e futuras. O estudo desmistifica a relação entre citricultura e desmatamento e mostra como fauna e flora caminham juntas”, afirma Antonio Juliano Ayres, gerente geral do Fundecitrus.
“O trabalho demonstra que existe uma grande riqueza de animais vertebrados silvestres convivendo dentro das propriedades citrícolas. Podemos dizer que a citricultura está promovendo biodiversidade de fauna e convivendo muito bem com ela”, adianta o pesquisador José Roberto Miranda , da Embrapa Territorial (SP). “A fauna silvestre pode explorar muitas coisas dentro de um sistema agrícola, em especial em um sistema arbóreo, como é o da citricultura, que oferece locais para construir ninhos. Além disso, várias espécies se alimentam de laranjas, sem que isso se torne um prejuízo para o agricultor”, complementa. O pesquisador pontua ainda que muitos insetos, inclusive os transmissores de doenças para a citricultura, são capturados por aves.
“O avistamento de animais silvestres dentro dos pomares de laranja tem sido cada vez mais frequente”, testemunha o coordenador do PES/Fundecitrus, Vinícius Trombin. Além do ambiente favorável criado pelos pomares, ele credita a presença da fauna em áreas de vegetação nativa nas propriedades. São quase 160 mil hectares dedicados a esse fim nas propriedades citrícolas, de acordo com levantamento do Fundecitrus, com base nos dados do Cadastro Ambiental Rural ( CAR ) e na metodologia da Embrapa Territorial.
Cinturão citrícola guarda milhões de toneladas de carbono
Além de abrigar a fauna silvestre, o território de 560 mil hectares do cinturão citrícola guarda cerca de 36 milhões de toneladas de carbono “aprisionadas” nas laranjeiras, no solo e nas áreas de vegetação nativa. Esses dados também são resultado do trabalho de pesquisa feito pela Embrapa e o Fundecitrus.
Para calcular os estoques de carbono nas áreas de produção, os pesquisadores foram a campo, em três fazendas, e avaliaram 80 laranjeiras, das variedades Pera e Valência, com idade a partir de três anos. Elas foram medidas e depois separadas em partes: tronco, galhos, folhas e raízes. Cada parte foi pesada em campo, fresca, e, posteriormente, enviada ao laboratório para secagem e nova pesagem. No laboratório, as amostras foram comprovadas para determinar a quantidade de carbono na biomassa.
Além das avaliações das 80 árvores, também foram encontrados dados biométricos de aproximadamente 3.500 laranjeiras, espalhadas por milhares de fazendas em todo o cinturão citrícola. Esse levantamento possibilitou a extrapolação dos dados obtidos na amostragem de carbono.
Os cálculos matemáticos realizados com base nessas informações apontaram que há 47% de carbono armazenado na biomassa de cada laranjeira do cinturão citrícola. À frente dessa etapa, o pesquisador Carlos Cesar Ronquim , da Embrapa Territorial, destaca o ineditismo do trabalho. “Conseguimos avaliar uma boa quantidade de plantas adultas e não apenas a parte aérea, mas também as raízes. Isso gerou dados robustos que mostram um acúmulo específico de carbono em uma cultura lenhosa, que fica no campo por 20 anos ou mais”, conta. “Saber o quanto cada planta e a área de produção citrícola estocam, nas condições brasileiras, é um passo importante também para pensar em outras métricas, como o balanço de carbono”, acrescenta.
Em média, uma laranjeira tem 50 kg de carbono. Esse resultado permitiu extrapolar os dados para o cinturão cítrico como um todo. São 170 milhões de plantas acima de três anos inventariadas pelo Fundecitrus. “Chegamos ao valor de 8,2 milhões de toneladas de carbono só nos pomares”, anuncia o pesquisador Lauro Nogueira Júnior , da Embrapa Territorial, líder do projeto.
A estimativa do carbono total estocado no cinturão precisou considerar também o solo, um dos principais reservatórios do planeta. Para fazer esse cálculo, foi utilizado o Mapa de Carbono Orgânico do Solo. Já o levantamento dos estoques nas áreas de preservação ambiental das fazendas utilizou dados do Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ). “Essas propriedades estão situadas em áreas de Cerrado e de Mata Atlântica. Isso significa que há diferença de biomassa, de estoque de carbono, para essas diferentes situações de tecido”, explica Nogueira Jr.
Mudanças climáticasAs 36 milhões de toneladas de carbono estocadas no solo, nas áreas de produção e preservação do cinturão citrícola equivalem a 133 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) que deixaram de ser emitidas para a atmosfera. “Quando falamos em mudanças climáticas, pensamos muito no CO2, um dos principais causadores do efeito estufa. Ele se transforma em carbono quando é absorvido pelas plantas e é incorporado no solo e na biomassa. Essa é uma forma de os produtores de citros contribuírem para a mitigação das mudanças climáticas. O nosso trabalho consistiu em medir como se dá essa contribuição para os estoques de carbono”, diz Nogueira Júnior. Trombin, do Fundecitrus, observa que: “Nunca foi novidade para os produtores o papel da citricultura na preservação dos recursos naturais e sua integração positiva ao meio ambiente. No entanto, faltavam dados concretos para respaldar esse conhecimento. O que antes era apenas conhecimento empírico dos produtores agora se baseia em dados científicos”. |
Vivian Chies (com contribuições da Assessoria de Imprensa do Fundecitrus) (MTb 42.643/SP)
Embrapa Territorial



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