*José Renato Nalini
O Brasil poderia ser melhor do que
é. Mas um excesso de má-política paralisa o país. Não existe investimento em
infraestrutura. Mas há dinheiro para eleições e para emendas parlamentares.
Para criar municípios que não têm condições de sobreviver e dependem do Fundo
de Participação dos Municípios.
Não se leva em consideração o maior
perigo que ronda a humanidade: a mudança climática. Persistimos na utilização
crescente de combustíveis fósseis, causadores do efeito-estufa, sem investir em
indústrias verdes, na disseminação de biocombustível, no replantio do bilhão de
árvores das quais o Brasil depende para mitigar os efeitos da tragédia
ambiental.
Enquanto discussões polarizadas
continuam a entreter os debates no Parlamento, a criminalidade cresce e se
sofistica. Entranha-se em todos os segmentos da sociedade. O combate à
criminalidade é “faz de conta”. Prende-se muito e mal. Joga-se ao cárcere a
juventude mais atilada com a realidade e ela é entregue às facções, que dela
fazem um corpo consistente e, agora sim, especializado na delinquência mais
grave.
Persiste-se
numa escola defasada, que adestra os educandos e os faz memorizar dados e
informações acessíveis no mundo web por qualquer criança. Negligencia-se o
capítulo das competências socioemocionais, continuando a formar indivíduos
ressentidos, irados, prontos a reagir com violência a qualquer provocação. E a
reagir ainda quando não há provocação.
Planejamento
é uma palavra de ficção. Planeja-se para as próximas eleições e mantém-se o
instituto da reeleição. Não existe uma Escola Nacional de Administração, pela
qual devessem passar os candidatos a qualquer cargo público, elegível ou não.
Com o funcionamento mais eficiente do sistema Justiça, para de fato expelir do território
político os que não podem cuidar do interesse público e muito menos ainda
tratar do dinheiro do povo.
É
urgente cuidar da infraestrutura, não só no seu sentido estrito, mas na
infraestrutura moral, cidadã, da ombridade, da honestidade, da probidade e da
seriedade com que devem ser tratados os interesses coletivos. Falta amor à
Pátria. Onde foi parar, falando nisso, com o patriotismo?
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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