*José Renato Nalini
As cidades brasileiras ainda padecem
de um anacronismo que choca o estrangeiro, mas passa despercebido pelo
nacional. São os fios da iluminação pública, ligando postes e se entremeando em
verdadeiros ninhos, com evidente deterioração da paisagem.
Os fios enfeiam, caem, são rompidos
com a queda de árvores. Já ouvi de alguém que tem a responsabilidade de reparar
esses rompimentos, que “árvore é algo que nasceu para cair sobre os fios”. Não
precisa ser assim. Em países adiantados, a fiação é toda enterrada. São Paulo
já procedeu assim na charmosa rua Oscar Freire. Funciona perfeitamente.
É importante que os contratos de
concessão de iluminação pública já contenham essa cláusula de obrigatoriedade
de imersão dos fios, liberando as ruas dos postes, quase sempre toscos e pouco
estéticos.
Diz-se que essa prática é
dispendiosa. Mas alguém já calculou o que representa a reparação das quedas a
cada chuva? A população tem de ser alertada de que os fenômenos extremos continuarão
a acontecer, e cada vez mais intensos e catastróficos.
Ainda recentemente, um homem morreu
eletrocutado, porque o fio de alta tensão o atingiu. Todos sabem do “jogo de
empurra” quando acontece algo assim. A concessionária é que tem o dever de
desligar a energia e ela alega ser subordinada à agência federal, não ao
município.
Deve ser inquestionável a
substituição desse verdadeiro cipoal por uma fiação subterrânea, que deverá
servir para tudo o mais: fibra ótica, telefonia, etc. Existe real possibilidade
de obter lucro com a concessão da utilização desses condutos. O ganho será de
todos. Do meio ambiente, da segurança pública, da estética das cidades. E o
salto qualitativo é inequívoco.
O Brasil tem dinheiro para muita
coisa que se poderia questionar: Fundos Eleitoral e Partidário, propaganda
institucional, viagens e eventos. Não haverá recursos para tornar as cidades
mais seguras e agradáveis?
A cidadania precisa se articular e exigir que o Poder Público atenda aos interesses do povo, o único titular da soberania, de acordo com a Constituição. Se sobrar recursos, aí sim, eles poderão ser direcionados para finalidades de interesse dos mandatários. Mas quem tem direito a ser atendido prioritariamente é o cidadão.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário de
Mudança Climática do Município de São Paulo.

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