Um em cada três pacientes com tipo de leucemia mais prevalente em adultos pode não precisar de tratamento imediato
Pacientes com leucemia linfocítica crônica só necessita de tratamento com o aparecimento de sintomas ou com a doença progressiva, visando prolongar a sobrevida e qualidade de vida
Estima-se que serão diagnosticados 11.540 novos casos de leucemia no Brasil neste ano[1]. Ao todo, são mais de 12 diferentes tipos, dentre os principais estão a leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (LLC), classificadas de acordo com a velocidade do avanço da doença e tipo de célula afetada1. As leucemias agudas, progridem rapidamente e produzem células que não desempenham suas funções normais, já as crônicas, tem uma progressão mais lenta1. A mais incidente em adultos, principalmente idosos acima dos 65 anos, é a leucemia linfocítica crônica. Nesse tipo específico, o tratamento medicamentoso só é necessário com o aparecimento de sintomas, como quadros de anemia, plaquetas baixas ou com a doença progressiva[2]. Quando descoberta, na maior parte dos casos, o protocolo é de “observar e aguardar”, já que não é necessário a realização de tratamento, somente acompanhamento regular com hematologista[3].
Isso acontece porque a LLC tem origem quando os linfócitos B, células do sistema imunológico que atuam na defesa do organismo produzindo anticorpos, passam a se desenvolver de forma descontrolada por conta de um erro genético, se tornando disfuncionais2. Entretanto, a produção de células saudáveis continua acontecendo ao mesmo tempo, o que faz com que a doença se desenvolva de forma lenta[4].
Por geralmente não apresentar sintomas em estágios iniciais, oito em cada dez pacientes acabam descobrindo a doença por acaso, durante a realização de um hemograma (exame de sangue)4. “Check-ups médicos anuais ou acompanhamento de outras patologias são as formas mais comuns e não intencionais de identificar a LLC, já que ela pode ser identificada por meio de um hemograma, exame de sangue simples e comumente solicitado. Caso o exame aponte um aumento nos linfócitos, é necessário investigar. O diagnóstico poderá ser confirmado por meio de um exame físico complementar e do exame de imunofenotipagem, avaliado por um onco-hematologista”, esclarece Dr. Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo.
Diferente do que se entende popularmente sobre leucemia, em um a cada três casos de leucemia linfocítica crônica não será necessário a realização de um tratamento2. “A LLC tem um comportamento previsível e um curso clínico indolente. O acompanhamento médico de forma regular é necessário, para que, caso sejam identificadas alterações, seja possível iniciar o tratamento com agilidade”, explica o hematologista.
Sintomas como sudorese noturna, fadiga, anemia, plaquetas baixas, aumento dos linfócitos e linfonodos aumentados (baço ou fígado)3, podem indicar que a doença está progredindo. Apesar desses sintomas poderem levar até dez anos para aparecer2, quando surgem, é necessário implementar uma estratégia médica rápida e eficaz para controle da doença, levando em consideração o estadiamento, características da doença e condições de saúde do paciente, já que muitos podem ter outras comorbidades associadas, pelo avanço da idade3.
Atualmente, há diversas opções de tratamento, como quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, terapia de suporte ou transplante de células-tronco[5]. “O principal objetivo com o tratamento da LLC é amenizar os sintomas, prolongar a sobrevida e conceder qualidade de vida para os pacientes. Assim como qualquer outra doença crônica, não há perspectivas de cura, mas é possível viver com qualidade. Inclusive, atualmente, muitos pacientes conseguem realizar o tratamento por meio de medicamentos orais, que promovem maior conforto e comodidade para que continuem exercendo suas atividades normalmente”, reforça Dr. Schmidt.
Para esses dois terços de pacientes que necessitam realizar o tratamento da leucemia linfocítica crônica, a boa notícia é que com o avanço da medicina, há cada vez mais personalização dos tratamentos, o que contribui para um melhor controle da doença, além de proporcionar maior qualidade de vida aos pacientes4.
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[1] Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023. Incidência de Câncer no Brasil. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/
[2] Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE). Tratamentos. Disponível em: https://www.abrale.org.br/
[3] Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE). Monitoramento “watch and Wait”. Disponível em: https://www.abrale.org.br/
[4] A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Leucemia linfoide crônica: um em cada três pacientes não precisa de tratamento. Disponível em: https://www.bp.org.br/artigo/
[5] Instituto Oncoguia. Tratamentos. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/
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