Vitor Inácio Fernandes da Silva, Assessor de Comunicação da Diocese de Jales e jornalista das rádios Assunção e Regional FMs
Em nossa realidade, todos os
dias, somos alarmados por diversas situações que causam divisão entre as
pessoas. Atitudes que afastam uns dos outros e impossibilita a vida com
dignidade. O assédio moral e sexual, a devastação ambiental, feminicídios, bullying, intolerância religiosa,
perseguição, tráfico de drogas, situações análogas à escravidão, discurso de
ódio, corrupção e fome, são exemplos de ações que comprometem a amizade social
e a fraternidade.
O tema e lema da Campanha da
Fraternidade 2024 (CF), proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), faz um necessário convite para todos nós. Será que somos realmente
capazes de conviver com todos os que pensam diferentes? Temos a capacidade de,
como sociedade, combater tudo aquilo que nos separa e nos torna desiguais?
Poderíamos nos sentar todos juntos a mesma mesa para uma refeição?
O tema amizade social
inicialmente pode ser visto como algo simples, com fácil entendimento, mas a
sua prática é muito complexa. O hiper individualismo que acompanhamos em nossa
sociedade atualmente é um dos principais fatores que tem impossibilitado as
pessoas de se comprometeram com o próximo, com a sua família, com a comunidade,
ainda mais com a política justa, e muitas outras questões que preferimos às
vezes não nos envolver.
“Este é um paradoxo de nosso
tempo. Vivemos fisicamente próximos, mas existencialmente distantes. Não
buscamos o encontro com o outro, mas buscamos o outro com um espelho que
reforce as nossas concepções. Trocamos o relacionamento humano, por outro tipo
de relacionamento qualquer, desumano e desumanizador, possessivo e
utilitário... que não dá a outra pessoa o direito de ser ela mesma. Tornamo-nos
incapazes de nos colocar no lugar outro, incapazes do que Jesus chama no
Evangelho de compaixão”, Texto-Base da CF,n. 71.
Para auxiliar a nossa reflexão ao
longo de toda a quaresma, a CF também conta com o lema “Vós sois todos irmãos e
irmãs” (Mt 23,8). Essa é uma recordação importante e necessária, somos todos
irmãos! Lembramos que somos diferentes, podemos ter gostos e opiniões
divergentes, o que é normal, isso não deve nos tornar oponentes.
O Papa Francisco mais uma vez
enviou a tradicional mensagem pela abertura da Campanha da Fraternidade: “Como
irmãos e irmãs, somos convidados a construir uma verdadeira fraternidade
universal que favoreça a nossa vida em sociedade e a nossa sobrevivência sobre
a Terra, nossa Casa Comum, sem jamais perdermos de vista o Céu, onde o Pai nos
acolherá a todos como seus filhos e filhas. Infelizmente, ainda vemos no mundo
muitas sombras, sinais do fechamento em si mesmo. Por isso, lembro-me da
necessidade de alargar os nossos círculos para chegarmos àqueles que,
espontaneamente, não sentimos como parte do nosso mundo de interesses (cf. FT
97), de estender o nosso amor a “todo ser vivo” (FT 59), vencendo fronteiras e
superando “as barreiras da geografia e do espaço” (FT 1)” destaca o Papa.
É importante encontrar e criar
meios para o diálogo. Que tenhamos a capacidade de promover a cultura do
encontro. O desafio pode ser grande, mas temos o impulso da missão de
Cristo, que sejamos conduzidos “a superar as inimizades e a cuidar uns dos
outros”,Fratelli tutti, n.57.

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