*José Renato Nalini
Nos primeiros treze dias de
novembro, quase dois mil e quinhentos focos de incêndio foram registrados no
Pantanal. A maioria no Mato Grosso, onde o fogo destrói reservas particulares
áreas de preservação estadual e federal, fazendas e terras indígenas.
Quase mil hectares já desapareceram.
Com a onda de calor que derruba as teses dos céticos e prova que a humanidade
escolheu o apocalipse em lugar de cuidar de seu único habitat, a situação tende
a piorar.
A situação é tétrica, se comparada
com 2022, quando se registraram apenas 57 pontos de calor no Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul. É que naquele ano, o mês de novembro encontrou o pantanal
alagado, por força das chuvas de setembro e outubro.
Não adianta culpar “El Niño”, mas é
preciso acordar para a urgência de medidas mais drásticas. Como observa o
presidente da ONG SOS Pantanal, Alexandre Bossi, “o incêndio não respeita
divisas”. Todos têm de se unir: Governos Federal, Estadual e Municipal,
Terceiro Setor e sociedade civil.
Situação de emergência em inúmeras
cidades, população ameaçada de ter de deixar o espaço em que habitam há várias
gerações, sem falar na queda do movimento do turismo, tão vital para a economia
mato-grossense.
O estágio de secura da terra e da
vegetação que morreu e resta calcinada, as altas temperaturas, os ventos, a
baixa umidade, os raios, tudo forma uma condição ideal para que o Pantanal se
extinga e, em seu lugar, surja um deserto.
Parece surreal que a região mais
úmida do Brasil, a parte que permanecia alagada durante quase todo o tempo,
seja consumida pelas chamas. E isso não é causado pela natureza. É resultado da
inconsequência, da insanidade e da verdadeira insensatez com que se comporta o
animal que se considera racional. E que não percebe o risco de desaparecimento
da vida em grande parcela do território nacional.
Haverá tempo suficiente para que o
juízo e a conversão ecológica façam com que a natureza se recomponha, as
árvores sejam replantadas, façam a água retornar e afastem o pesadelo que hoje
vivem os mato-grossenses? Não há tempo a perder. É urgente afastar a sensação
de que o inferno chegou.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Geral
da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.

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