Eu sou a videira, a verdadeira, e meu Pai é o agricultor.
Todo ramo em mim que não dá fruto, ele arranca, e todo aquele que dá fruto ele poda para que dê mais fruto.
Eu sou a videira, e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podeis. (João, 15: 1, 2 e 5)
Eu sou a videira, a verdadeira, e meu Pai é o agricultor.
Eu sou a videira…[1] – Para os judeus, a videira é uma árvore sagrada; ela simboliza Israel. Seu produto é o vinho, que simboliza a sabedoria e também o amor. Jesus transformou água em vinho em Caná, mostrando-nos, assim, que se Ele estiver em nossa vida desativaremos os componentes da simples justiça – água – para implementarmos em nós os mecanismos do amor – vinho.
Jesus falava para judeus, que, conhecendo toda essa simbologia e também a importância da videira, não tinham, assim, dificuldade de compreender a analogia.
Ao dizer dessa forma, Ele se utiliza da mesma técnica do “Sermão do Monte”, ouvistes que foi dito aos antigos… Eu, porém, vos digo… É como se Ele dissesse: Israel é a videira; eu, porém, sou uma videira maior, a verdadeira.
…a verdadeira… – Se Ele se diz a videira verdadeira, é porque existem outras que são falsas. Portanto, podemos deduzir que Israel não estava cumprindo seu papel diante da programação traçada pelo Pai.
Nos primeiros movimentos do livro Gênesis, o Criador assim se expressa: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie…[2] Assim, para atendermos à ordem do Senhor da Vida, é preciso que produzamos frutos de acordo com as nossas possibilidades; Israel, pelo que notamos das palavras do Meigo Rabi, não estava produzindo esses frutos como era de se esperar, por isso o Cristo se diz a videira verdadeira, pois Ele pôde, atendendo à vontade do Pai, produzir na mais alta escala.
Tal modo de interpretar o versículo nos leva a importante reflexão; como temos atendido ao chamado da espiritualidade encarregada de disseminar o Reino do Senhor na Terra? O que temos feito de nossas possibilidades? Enterrado-as no solo ou colocado-as a serviço do bem comum?
Importa-nos, portanto, fazer esta avaliação para que não venhamos, em momento próximo, a ser tidos como falsos discípulos, ou como a própria figueira que secou.
…e meu Pai é o agricultor. – Belíssima colocação esta do Poeta da Vida. Ele, o Cristo por excelência, era a videira, o Pai, o dele, o agricultor.
Já dissemos em outros momentos que quando Jesus usa a expressão meu Pai fala-nos de Deus de acordo com o Seu superior entendimento. Assim, o “Seu Pai” é o que dá a possibilidade à videira de cumprir seu objetivo pleno.
A videira cresce em ramos, o agricultor carinhoso cuida dos brotos que surgem. Os que não produzem são cortados para não absorverem a seiva que desequilibraria os outros; os que produzem frutos são cuidados para que seu fruto se torne melhor.
Desse modo, o que não é útil é eliminado pela Lei, e o que está no seu ciclo natural de produtividade é apoiado por ela.
Todo ramo em mim que não dá fruto, ele arranca, e todo aquele que dá fruto ele poda para que dê mais fruto.
Todo ramo em mim que não dá fruto… – Todo não é um ou outro, mas todos os que assim procederem; todos estamos sob a administração da mesma norma.
O ramo representa cada um de nós que tem algo a realizar; em mim nos fala de uma possibilidade já conquistada. Não é alguém em seus momentos iniciais de evolução, mas aquele que já tem o Cristo desenvolvido mais fortemente em sua intimidade. O fruto, como dissemos anteriormente, é dever de todos. Se antes do Evangelho em nossa vida podíamos escolher se deveríamos ou não produzir e quando, após o conhecimento da Boa Nova é o mínimo que podemos fazer: dar frutos, e bons, e a todo instante.
…ele arranca… – Ele é o agricultor; em nossa existência é a Lei em Sua Sábia manifestação.
Quantos enormes patrimônios, quantos impérios tidos como indestrutíveis não são desfeitos de um momento para o outro sem que ninguém perceba por quê? É a vida agindo em silêncio, é Deus colocando cada coisa onde melhor ela possa produzir.
A vida tem um fluxo, desenvolver o espiritual, o amor latente, é a meta; tudo o que a isso se opõe será mais cedo ou mais tarde destruído, só fica o que está de acordo com o Regulamento Universal. Deus é amor, é compaixão realizada, portanto, tudo que não alimenta este sentimento único Ele arranca.
…e todo aquele que dá fruto ele poda para que dê mais fruto. – Em contrapartida, o mínimo esforço na direção justa é reconhecido. Do mesmo modo que estranhamos a destruição de um grande poder, muitas vezes ficamos perplexos ao ver como sobrevivem elementos tidos como certos de morte. A natureza, em seus reinos inferiores, é pródiga de exemplos destes. A vida, como manifestação maior da Divindade, em um plano maior de entendimento, também nos mostra o mesmo. Não são poucas as vezes em que o menor vence o maior, e que em nome da caridade verdadeiros heróis realizam obras inesquecíveis, tidas pelo vulgo como impossíveis.
É que todo aquele – isto é, todos – que dá fruto ele poda para que dê mais fruto. A poda é justamente a dificuldade que alimenta o processo, o inverno que faz germinar as flores manifestas na primavera.
O texto completo e outros estudos sobre o Sermão do Cenáculo você lê no Blog Espiritismo e Evangelho
[1] Sobre a expressão “Eu sou”, ver nosso comentário ao versículo 6 do capítulo 14 deste mesmo Evangelho.
[2] Gn, 1:11.
Compre os lançamentos das principais editoras da doutrina Espírita e Espiritualista na Livraria Novos Rumos, com os melhores preços e ofertas de BH |
Artigos e comentários a respeito da Doutrina Espírita e do Evangelho de Jesus - O Blog do Evangelho Miudinho |
.jpg)
.jpg)
Comentários
Postar um comentário