*José Renato Nalini
Além do aquecimento global, o único
grande problema brasileiro é a indigência da educação. Uma educação anacrônica,
ainda calcada na capacidade de memorização, quando a humanidade nunca teve
tamanho acesso à informação. Acreditar que alguém disponha desse insumo – a
informação – e que apenas dele dependa transmiti-la a pessoas que nada sabem, é
de uma imbecilidade atroz.
O professor precisa ser um indutor
da curiosidade. Pronto a seduzir o educando para a mágica do aprendizado. Quem
desvenda os segredos da vida a enxerga com outro olhar. Aventura-se no mergulho
do incessante e permanente aprendizado. Um dia sem nada aprender é um dia
perdido nesta frágil e efêmera experiência existencial.
A educação é algo muito sério para
se deixar exclusivamente aos cuidados do governo. Governo, neste Brasil tão
complexo e tão injusto, pensa em eleições e na matriz da pestilência chamada
reeleição. Interesses subalternos, conchavos, enriquecimento, favorecimento aos
familiares e amigos, empreendimentos promíscuos e incestuosos entre a
administração pública e o transitório ocupante do cargo.
Por isso o constituinte foi sábio ao
contemplar a educação como direito de todos, mas como dever do Estado e da
família, em colaboração com a sociedade. E se há algo de excelente em termos de
projeto educacional brasileiro, ele é desenvolvido pelo sistema “S”. É antiga a
participação do SESI na educação básica. Suas escolas são disputadas, pois são
as melhores. Mas agora, principalmente depois da pandemia, o Presidente da
FIESP, Josué Gomes da Silva, investiu de forma ainda mais consistente no plano
de alavancar a escola pública. Constatou-se que a alfabetização fora seriamente
prejudicada e o SESI se propôs a suprir a deficiência. Parte-se da inequívoca
realidade de que alfabetização na idade certa, até o segundo ano do ensino
fundamental, é a chave para que a criança tenha uma trajetória escolar de
sucesso.
O prêmio PAR-Programa de Alfabetização
Responsável premiou os municípios paulistas com o melhor desempenho em 2022, em
alfabetizar essa faixa estudantil. Com o auxílio da UNICEF, do Bem Comum e do
Canal Futura, baseado em dados oficiais, o SESI identificou oito municípios que
têm o que mostrar em termos de resultado na alfabetização. Todas as cidades
estão convidadas a participar do PAR de 2024. Quem agradece é o futuro do
Brasil.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Geral
da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.

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