Paiva Netto
Em Jesus e a Cidadania do Espírito (2001), escrevi:
Diante das mais
distintas situações, em que a dor e o sofrimento chegam, muitas vezes sem
avisar, é imprescindível o gesto solidário das criaturas em prestar socorro
material e, sobretudo, espiritual ao próximo. E, ao lado desse apoio imediato,
é preciso alimentar a força da esperança e da Fé Realizante, que levam o ser
humano a se manter sob a proteção do Pai Celestial e o estimulam a arregaçar as
mangas e concretizar suas mais justas súplicas.
Nos desafios da
existência, recordemos sempre as palavras de conforto e ânimo renovados de
Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, constante do Seu Santo
Evangelho, segundo Mateus, 8:23 a 27; Marcos, 4:35 a 41; e Lucas, 8:22 a 25. A
seguir, o texto da Boa Nova unificado por Wantuil de Freitas (1895-1974):
— Aconteceu que, num daqueles dias, Jesus tomou uma
barca, acompanhado pelos Seus discípulos; e eis que se levantou no mar tão
grande tempestade de vento que as ondas cobriam a barca, enquanto Jesus dormia
na popa, sobre um travesseiro. Os discípulos O acordaram aos brados, dizendo:
“Salva-nos, Senhor, nós vamos morrer!” E Jesus lhes respondeu: “Por que temeis,
homens de pequena fé?” Então, erguendo-se, repreendeu os ventos e o mar; e se
fez grande bonança. Aterrados e cheios de admiração, os discípulos diziam uns
aos outros: “Afinal, quem é Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?”
Enfrentar e vencer as tormentas
O que tem sido a vida
humana, para muitos, a não ser o atravessar de procelas, que devemos vencer,
não fugindo delas? Vejamos o exemplo na própria náutica. Durante uma tempestade
com vagalhões, o comandante embica a proa do navio na direção das vagas, se
ele, surpreendido pela tormenta, não pôde fugir dela. Não vira para o lado, não
dá às vagas os seus costados. Senão, o barco corre o grave risco de adernar e
até submergir. Assim cada um de nós tem
de ser. Enfrentar as intempéries do cotidiano com o potente navio que o Celeste
Navegador nos oferece, que é o nosso corpo, conduzido pelo Espírito, mesmo
quando nos sentimos enfermos. Encarar a tempestade e vencê-la, derrubadas as
ilusões da vida. Porque aí é possível sonhar com um mundo melhor. Iludirmo-nos
é que não podemos. E, no instante em que
o temporal estiver mais forte, a ponto de pensarmos que soçobraremos — ou,
o que é pior, acharmos que o Competente
Comandante está distraído, descansando
—, tenhamos a certeza de que o
Divino Timoneiro não dorme. Jesus sempre se encontra vigilante, pronto a orientar a Sua tripulação,
indicando-lhe novas viagens pelo planeta inteiro, esperando que ela mostre a sua
capacidade e perseverança.
“Por que temeis, homens de pequena fé?”
Assimilemos o quanto
antes essa reprimenda justa de nosso Senhor e Mestre, pois, de qualquer forma, na hora certa, Ele vai erguer-se,
repreender os ventos e o mar, e far-se-á paz nos corações.
José de
Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
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